E se um filho seu for gay?

Um dos papos de boteco preferido do povo com quem fala sobre maternidade ativa é “e se um filho seu for gay?”. Acho que o pessoal se sente tirando uma prova, testando se a gente é progressista mesmo. Tipo assim: “ok, você vem com este papinho aí, de deixar brincar de boneca, mas quero ver se acontece na sua casa.” Eu costumo revirar os olhos para este tipo de questão, mas, já que tô aqui mesmo, tagarelando como sempre, não custa falar sobre o assunto.
Hum… eu penso mais ou menos assim:
Se um filho meu for gay? Seria mais ou menos como se um filho meu resolvesse ser engenheiro.
Bem, não quero exatamente que meus filhos sejam engenheiros. Não quero nem “desquero”, não há, para mim, valor ou demérito se eles escolherem assim. Se forem engenheiros, entretanto, quero que sejam honestos, dedicados, competentes. É o mesmo que penso se eles forem médicos, padeiros, advogados. E algo parecido do que desejo se forem gays: que sejam decentes, dedicados e felizes.

A história tem ainda uma peculiaridade: as pessoas escolhem se serão engenheiros ou físicos. Ninguém escolhe ser gay. Não se sabe o quanto é biológico e cultural, mas sabe-se que é as duas coisas. Ninguém, deliberadamente, toma esta decisão. As pessoas são assim e pronto. A nós só cabe respeitá-las.

Não me venham com este papinho: “não quero que sejam gays, não tenho preconceito, mas prefiro que eles façam escolhas mais fáceis”. Olha, não tá fácil para ninguém! Eu sou mulher, branca, de classe média e hetero. Escolhi ser feminista, ó só, o problemão que arrumei! Só é fácil para quem prefere não se implicar, para quem leva a vida sem se comprometer.
Então, filhos, quem quer que vocês sejam, ‘tamo junto!

Gay

 

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar “meu Gabriela é com 2 Ls” antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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8 respostas a E se um filho seu for gay?

  1. Bijou disse:

    Na verdade isso já me passou pela cabeça, sim. E eu acharia normal e apoiaria totalmente, sério mesmo. Eu não consigo me imaginar deixando de apoiar meus filhos em qualquer coisa, o amor é o que importa e meus filhos não deixariam de ser meus filhos (e, portanto, meus grande amores) se porventura fossem gays. Mas acho que ficaria meio neurótica querendo protegê-los a qualquer custo de qualquer um que pudesse maltratá-los e acho que viveria preocupada com essa possibilidade (deles serem maltratados na rua). Acho que sempre que um filho meu (se fosse gay) ficasse triste ou amuado eu já acharia que aconteceu alguma coisa relacionada, tipo, alguém chamou de “viadinho”, alguém tá perseguindo na escola…

    Beijos!
    http://www.baudabijou.com.br

  2. Bianca Corrêa disse:

    Eu adorei o texto e sempre pensei como você! Mas daí li o comentário da Kátia e fiquei matutando… Até abri discussão com a colega de trabalho! Nunca tinha parado para pensar nisso! Ter um filho preconceituoso…
    Foi uma ótima deixa Katia!
    Mas acho que penso como Teresa, acho que tolerância e respeito é algo que se pode ensinar… Diferente de ser hetero, gay, lésbica, bi, etc…
    Porém como disse a Katia, talvez o filho crie valores que a gnt não consiga interferir, coisa de escolha mesmo… Daí menina, foi como pra vc, um tapa na cara!!
    :O

  3. Cynthia Gama disse:

    Eu penso nisso, todos os dias. Me obriga a pensar. Porque eu acredito que estamos caminhando para um sociedade onde as escolhas de cunho sexual serão naturais. E é assim que eu crio minha filha. Quando ela diz que rosa é cor de menina, eu ajusto, e digo que rosa é cor de quem gosta de rosa. A possibilidade de termos filhos preconceitos mora dentro de nós. De termos filhos que escondem o que querem mora dentro do que ensinamos e mostramos para eles. E mais que isso, mora dentro do medo que temos de aceitar isso de modo visceral.
    De tornar possível o respeito aos sentimentos.
    Vamos ao exemplo: Nem todo mundo gosta de rabanete, mas se tem rabanete todo dia para comer na mesa, ela pode não querer comer, mas sabe que muita gente come e acha isso normal. Simples assim. E independente do que queremos, eles serão o que eles querem, esse é caminho para felicidade.

  4. Teresa Chaves disse:

    nao sei, não. Acho, Gabi, que você está falando sobre intolerância. Não é a mesma coisa comparar o filho ser gay com ser intolerante. Acho que esperamos, todos, que nossos filhos sejam tolerantes com as escolhas dos outros, com as diferenças, com o mundo, porque desejamos criar pessoas melhores. Não acho que a comparação da Katia seja muito precisa: está comparando uma característica da pessoa, que não é controlável, com um preconceito. A aceitação de cada um não deve, mesmo, ser a mesma coisa. A tolerância e o respeito são valores fundamentais na sociedade ocidental, maior, acredito, do que o que eu posso esperar ou não de um filho. Isso é o que espero de qualquer ser humano que cruze meu caminho no mundo.

  5. Katia Gutierrez disse:

    Gabis, já falamos disso dias desses… acho que o “problema” não é ser gay e sim ser diferente do que esperamos enquanto pais, baseados nas nossas convicções e vivências/ensinamentos.
    Lembro que usei o exemplo contrário: e seu filho for intolerante à causa gay, como vai ser? Pense: o menino cresceu num ambiente acolhedor, respeitoso onde gays conviviam de forma harmônica (sem distinções), mas mesmo assim, ou por isso, simplesmente não concorda que isso seja natural e não gosta, desqualifica e é preconceituoso. E se questionado um dia ainda pode usar isso no seu discurso de defesa: eu vi e vivi isso em casa e não encarava como “normal”.
    Isso retrata que pra mim, pra você e pra maioria das pessoas com quem nos relacionamos está ótimo se o filho(a) for gay (desde que cumpra os requisitos que estabelecemos), mas se ele for intolerante aos gays isso vai ser um problemão!
    Então, acredito que a resistência está no filho não ser o que esperamos dele. Simples assim. Ou complicado assim!

    • Gabi Sallit disse:

      Cataploft! A amiga dá na gente um tapa na fuça! (Para q servem os amigos, senão para isso?)
      100% verdade. Vou precisar pedir “altas” para responder!

      • Bárbara disse:

        Fiquei pensando, pensando..
        e cheguei à conclusão de que, se filhote for intolerante, vou achá-lo babaca. Simples assim.
        Não acho que seja a mesma coisa você apoiar seu filho pelo que ele é, e que não faz mal a ninguém, do que apoiar o ódio e a intolerância.
        E confesso: meu maior medo é ter um filho racista, machista, homofóbico, transfóbico…

    • Letícia disse:

      Não tem jeito. Nós sempre teremos expectativas em relação a nossos filhos. Que bom que a sua é que ele seja tolerante. Mas há muitas outras que não percebemos.

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