Lugar de criança é em todo lugar

Esta semana fui a uma palestra sobre Fisiologia da Fertilidade. O que mais me impressionou não foi a progesterona, a camisinha feminina ou o método billings. O barato da história foi que a aula estava cheia de bebês.

Mulheres recém paridas, em amamentação prolongada, ou, simplesmente, que não tinham com quem deixar os filhos, todas levaram seus pequerruchos. Eventualmente, as crianças choraram, gritaram, ficaram com sono ou quiseram mamar, mas foram bem recebidas como membros daquela “comunidade”, como, de fato, são. Ou, pelo menos, deveriam ser.

Estamos acostumados a ouvir que restaurantes não são lugar de crianças. Shows são perigosos. No avião – no ônibus ou no metrô – elas choram e incomodam. Nos museus, não podem tocar em nada. Amamentar em público é feio. Crianças comendo na rua fazem sujeira. Há hotéis não os aceitam pequenos. E, pasmem, alguns condomínios também não.

Qual é o lugar das crianças? O parque, a pracinha, a escola… onde só há crianças? E como elas vão aprender a conviver? Ou, pior ainda, quando estarão com seus pais?

Acho triste a dificuldade para inserir os pequenos na nossa vida. É irônico uma mulher de 30 anos olhar ruim para a faxineira que levou o filho para o trabalho porque a creche está de greve, ou as mães de uma turminha de ensino infantil não quererem que a professora que tirou licença maternidade retome a turma.

Quando João tinha acabado de nascer, aconteceu mais de uma vez de eu amamentá-lo, correr para uma audiência e ficar chorando no banheiro, de dedos cruzados para que não houvesse atrasos e eu conseguisse voltar a tempo de evitar que ele mamasse no copinho. Algumas vezes, pedi para furar fila (justiça seja feita, sempre fui atendida).

O próximo bebê vou levar no sling.

Quem achar ruim tire a calça e pise nela.

http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,MUL472050-6091,00-BEBE+DE+UM+ANO+E+INTIMADO+POR+DAR+CALOTE+EM+MASSAGISTA.html

Lembrei de uma musiquinha:

A cidade ideal by Chico Buarque on Grooveshark

Crie o site do seu Neném

Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar “meu Gabriela é com 2 Ls” antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

VENHA, e CONECTE-SE COM A VILA!

Receba as novidades em primeira mão!

Esta entrada foi publicada em Divagações e marcada com a tag . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

5 respostas a Lugar de criança é em todo lugar

  1. Giovanna disse:

    Gabi, conheci seu site há pouco tempo. Trabalho na Justiça Federal e algumas vezes já tivemos que fazer audiência com mães e seus bebês…qdo o bebê é tranquilo, ajuda no clima da audiência, deixando tudo mais calmo (e, por vezes, propensos à conciliação).

  2. Mariana disse:

    Quando Emanuel tinha 5 meses eu e meu maridao resolvemos abrir a nossa empresa – uma sala comercial na verdade. Confesso que fui pega de surpresa, queria ficar em casa com a cria até não sei quando, e de repente me ver levando o bebe para uma sala me assustou, algumas vezes chorei com ele no colo porque pensava que o melhor para ele era estar em casa no sossego.. mas hoje sei que o lugar melhor é onde ele se sente bem e onde tem carinho. Ao longo de um ano que já se passou muita coisa mudou. O chiqueirinho sumiu, hoje tem um colchaozinho de acampar que é estendido para brincadeiras e sonecas. Uma caixa com ares de empresa se abre e de dentro dela saem tambores, chocalhos, livros e bolas. Claro que tenho problemas (o dedinho sempre desliga a torre do computador, a maozinha puxa 100 correntinhas de prata que viram uma só, o choro às vezes não deixa a concentração e uma planilha de custos se torna impossível de se completar).. Mas mesmo assim ainda resisto e vou até onde meu coração mandar ( já o papai falou que ano que vem teremos que ir para a escolinha).

    Fui a um casamento chiquerrimo com o gato em um carrinho de bebê, rsrs. Chegando a minha Tia falou: Mariana e o seu inseparável. Sim, somos inseparaveis – pelo menos até que ele queira 🙂

  3. Flávia disse:

    Estou ainda de licença e ontem fui (com minha bebê no canguru) pedir demissão. Ela se comportou como uma lady na frente do meu chefe ahahahah
    O bom é que ele foi super compreensivo quanto aos meus motivos pra não voltar e começar a trabalhar em casa, me deu muitas dicas sobre trabalhos que eu poderia fazer em home office e me deixou muito tranqüila.
    Tudo isso pra falar que eu levo ela pra todos os lugares comigo – a Filipa tem 3 meses e já andou até de barco.
    E nessa nova fase profissional, pretendo levar ela comigo sempre que tiver assuntos profissionais pra resolver. Se alguém tiver problemas com isso, f-se!!

  4. Najara disse:

    eu parei de trabalhar um pouco antes de engravidar… depois q engravidei desisti de procurar emprego e curti a gravidez e agora to curtindo a maternagem… o ideal pra eu voltar a trabalhar agora seria poder levar meu bebe… mas quem disse q dá? no brasil ainda há muitos paradigmas, preconceitos, uma cultura ainda muito confusa…
    eu sou a favor da mãe levar o bebe para o escritório no sling!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *