Medo da dor do parto

Nunca senti dor de ouvido.

Não me lembro de ter tido amigdalite, faringite ou coisa do gênero.

Só descobri o que era azia na gravidez.

Antes de engravidar, nem tinha ideia do que fosse enxaqueca.

Sou fruto de uma sociedade que vende analgésico sem receita, em caixinhas com 20. Remédio faz propaganda na TV, um montão de gente feliz, soltando balões de gás. A gente tem estoque na bolsa, no carro, no escritório #nãomais. Não toleramos sentir nenhum tipo de incômodo.

Quando fiquei grávida e pensava no parto, tinha muito medo do desconhecido. Não sabia se eu ia aguentar, porque não tinha nenhum referencial verdadeiro de dor. Pensava em um monstro enorme, sem forma, me engolindo inteira como se fosse me partir em duas, tipo um filme do SBT #acoisa.

A coisa

Hoje, penso que a dor do parto é superestimada.

Não me entendam mal, dói para caramba. Só que não é a coisa mais importante que acontece durante o trabalho de parto. Não há o que justifique que este seja o único assunto com uma mulher que acabou de ter o seu bebê.

“Doeu muito?”

“Tadinha!”

“Como você aguentou?”

Isto, minha gente, é a mesma coisa de lamentar por quem acabou de correr uma maratona. Aquela pessoa que se preparou, se dedicou durante meses, deixou de fazer algumas coisas que dão prazer, que sentiu dor, mas que agora está em uma espécie maravilhosa de êxtase. É lastimar por alguém que conseguiu. Venceu.

No caso do parto, o prêmio é muito melhor do que aquela medalhinha vagabunda que você vai exibir para o resto da vida. É seu filho. É a certeza de tê-lo recebido no tempo dele, começando uma história de respeito, desde o início. Isto não tem preço.

Então, quando alguma índia louca aparecer por aí e disser que não sofreu no trabalho de parto, tente entender, antes de mandar internar. A dor física passa, a gente esquece. Sofrimento é dor na alma. Este, quem pariu como quis, não tem.

(só para não dizer que não contei, a dor das minhas contrações parecia uma cólica intestinal fortona, quando você está presa em um engarrafamento. É dor de piriri)

Crie o site do seu Neném

Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

VENHA, e CONECTE-SE COM A VILA!

Receba as novidades em primeira mão!

Esta entrada foi publicada em Parto e marcada com a tag , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

30 respostas a Medo da dor do parto

  1. Helena disse:

    Tem gente que apanha com prazer nessas horas, rsrsrsrs…

  2. Joy disse:

    Olá, Gabi, nem sei se você vai ler, mas gostei do seu texto. Se eu tivesse lido antes ( a 3 anos atrás) talvez ficaria mais tranquila sobre a dor do parto. Eu simplesmente tinha horror a isso! Mas também morria de medo de cesária (mas o neném tinha que nascer de alguma forma , né? haha). Sou medrosa (e dengosa) e até tinha pesadelos horríveis sobre isso. Mas acontece que bisneta de índia e taurina teimosa , resolvi esperar mesmo assim, esperar o momento em que meu filho queria nascer! Muitos me criticavam, mas mantive minha escolha até o fim! Mesmo ouvindo no posto casos e mais casos horríveis sobre parto (as pessoas deveriam ter mais noção do que dizem as futuras mamães), mesmo com um médico que me tratava com indiferença. Mesmo não tendo a oportunidade de escolher pelo parto natural ( que era meu sonho). Na época eu estava sem internet, mas peguei um livro na biblioteca chamado : “Parto Ativo” , fiz os exercícios e me preparei para o parto normal. Na última semana, o médico me examinou e eu não sentia nada. Ele marcou uma cesárea de “prevenção” pois meu bebê não poderia passar daquela semana, ele disse que achava que entraria em trabalho de parto, mas marcou mesmo assim. Moro em uma cidade pequena, tenho que ir para outra cidade para ganhar bebê, ele me deu o encaminhamento em que estava escrito : “para interrupção da gravidez”, chorei a tarde inteira.
    Dois dias depois , minha bolsa estorou, fui para o hospital. E o medo sumiu!
    Mas aí começaram os traumas, fui para o hospital da minha cidade e o médico ( que não era o “meu” médico) foi um bruto ao fazer o toque. Estava com pressão alta e a enfermeira, praticamente, enfiou na minha boca. Uma outra enfermeira , foi a única que me tratou com carinho . Fui para o hospital (na outra cidade) em uma ambulância, na frente pois pedi para o motorista que queria ir sentada. As ruas estavam super esburacadas (um salve ao governo!) , cheguei ao hospital e tive que ficar passando meus dados (com as pernas escorrendo líquido da bolsa) e cheio de gente atrás vendo (não foi nada agradável). Fui para a sala de parto , onde fui bem atendida, ao ser atendida pelo 3º médico, notou-se que eu não dilatava e sem me avisar marcou com outro médico uma cesárea de emergência (detalhe, eu não sentia dor nenhuma). Fui para a sala de parto , tensa, morrendo de medo! Mas a equipe foi super amistosa. Meu filho nasceu e colocaram o rostinho dele próximo do meu, sim eu chorei! Depois na maternidade , por acharem que eu era uma mãe novinha ( acharam que eu tinha 15 anos, quando na verdade eu tinha 21) duas enfermeiras me trataram como um lixo! Só depois que descobriram minha idade de verdade é que me trataram bem. Porque eles consideram que mãe nova tem sofrer mesmo, “abriu as pernas porque quis” (um absurdo!). Depois que saí do hospital, super bem, todos me chamavam de mãe-índia, porque eu amamentava meu filho no chão, com as duas pernas dobradas (tipo posição de yoga kkk). O parto natural é lindo, mas, infelizmente, não é pra todo mundo, no SUS ter um bom parto é bem difícil por isso dissemina-se essa história de parto normal ruim, porque elas não tem parto normal e sim anormal, é sério! Não critiquem as mães de cesárea, porque muitas delas, assim como eu, não tiveram opção. Tem gente que chega a falar para as mães que escolhem cesáreas, que elas não serão boas mães, eu prefiro não julgar, cada um sabe os motivos que os levaram a ir para a cesárea.
    Agora, eu posso não ter sentido dor, mas a minha recompensa foi tão boa quanto a de vocês. E se eu tiver outro filho? Pretendo esperar de novo, o tempo dele, e que seja o que Deus quiser. :)
    Desculpe, pelo texto grande, me empolguei.

  3. Thami Hull Fotógrafa disse:

    Texto do blog que mais gostei até hoje! rs

  4. Ana disse:

    Normal p mim, tem q estar quase nascendo sem ajuda. Tive parto normal q não foi nada normal, mta dor, o dia inteiro em trabalho de parto, sem dilatação…resultado, um monte de pique, força humana na barriga, risco meu e do meu filho, td isso pq já não podia + partir p cesariana. O segundo tive cesariana e correu td bem + tranquilo, só o panico q voltou por causa do trauma q passei…

  5. Nossa adorei o post estou gravida de gêmeos já tive uma cesaria, sempre quis normal, vou tentar o parto normal agora de gêmeos, vamos ver se corre tudo bem om a gravidez até o final, não tenho medo nem um penso que se deus fez o parto normal e porque somos capazes vc de fazê lo bjos bom parto a todas.

  6. Não desejo essa dor pra ninguém. Muito menos o que passei. Gravidez programada , não comia isso nem aquilo, nem bebia nem fumava, nem carregava peso. Coisa de rainha. Opção parto natural. Bolsa arrebenta , aguardando dilatação para o parto … tudo bem… a Júlia fica presa no canal vaginal, força…. força…. e alguém sobe em sua barriga pra ajudar. E foseps. Fora o corte até vcs imaginam onde. Hemorragia , depressão por parto , pré eclampsia depois de uma semana . E hoje cirurgia agendada para fevereiro de 2015 , reconstrução do canal vaginal, calterizaçao do colo do útero , suspender a bexiga aos 38 anos. Parto sobrenatural ou melhor natural nunca mais.

    • Fatima disse:

      Uma equipe que faz manobra de kristeller e episo nao é uma equipe que faça um parto natural respeitoso. A culpa não é da via de parto e sim do despreparo da equipe.

  7. Suelen Souza disse:

    Oii, Adorei o texto porque vc escreveu exatamente como eu sempre procurei falar sobre o parto normal, sou mae de um menino de 4 anos e uma menina de 2 anos, os dois de parto normal, uma pena que nao humanizados, realizados pelo sus porque eu preferi assim. O que sempre coloquei foi isso “o problema e o medo do desconhecido” eu tenho medo de cirurgia, nunca passei, nem quero passar. Por fim vc desqueveu o que eu sempre falo, eu achei a”pior parte”foi das contracoes, mas doi lembrar que se eu tivesse tido partos humanizados poderia ter sido melhor porque nem direito a massagem nas costas tive mimimi! mas a hora que saiu…uhull! rsrsrs beijus

  8. Gabi, estou lendo seu blog desde as 9 da manhã de hoje, entre um e-mail e outro do trabalho. Estou cada vez mais próxima da minha decisão de ter um parto natural (não, ainda não estou grávida hahahaa).
    Minha vida toda pensei que mulheres que tinham parto normal (antes não sabia distinguir natural de normal) eram loucas, que era inadmissível alguém preferir a dor do parto do que o conforto de uma cesárea. Foi então que minha irmã me mostrou uns videos de parto em casa e me explicou sobre as doulas, obstetrizes, enfim… me atiçou a curiosidade e estou estudando para quando chegar minha hora, eu estar decidida do que realmente quero fazer.
    Neste post resolvi dar um “oi” porque tenho pedra nos rins desde os 12 anos e SEMPRE me falam que é similar a dor do parto. Tive crise umas 6 vezes desde então! Vc já ouviu falar disso? Eu li um relato de uma grávida hoje (não me lembro se foi aqui no seu blog) que ela além de estar em TP, estava tendo crise de cálculo renal.
    Se for isso, pra mim vai ser fichinha! hahahahah
    beijos e obrigada por me ajudar a conhecer um pouco mais sobre o assunto :)

    • Lyla disse:

      Stella,
      É isso mesmo. Se vc já sofreu de cólicas renais já conhece a dor do parto.
      como vc, eu tbém fui parar no hospital um par de vezes por conta das tais crises.
      Quando comecei a sentir as contrações, já conhecia a tal dor. Com a diferença que eu sabia que a “recompensa” seria melhor 😉

      Mas, apesar de passar por 36 horas em trabalho de parto, de passar pelos 3 tipos (natural – sem analgesia), depois tendo que abandonar (por conta de uma fibrose) pelo normal (com analgesia), no final fui para um cesária humanizada de verdade. Minhas mãos não estavam amarradas e meu bebê, assim que saiu, veio para o meu peito e ficou lá o tempo todo em que eu estava sendo suturada. Minha doula e meu marido ao meu lado.

      Então minha linda, vc está no caminho certo. Pesquise mesmo. Pergunte, questione para quando chegar sua hora, a dor seja apenas física (que passa) e não emocional, como sabiamente disse a Gabi (Gabi!!! adoro o jeito como vc escreve!)

  9. Camila picoli disse:

    Pior é quando a Índia louca tem vontade de sentir essa dor de novo, só pra depois ter o êxtase de pegar o bebê
    No colo! É uma dor boa demais! Só não posso me empolgar e querer partir pro terceiro, kkk

  10. Dani Rabelo disse:

    Gabi, confesso que tenho muito medo da dor do parto, especialmente agora, entrando na reta final, com 32 semanas….

    Sei que é algo natural, que é dor da vida, de receber alguém, mas como nunca entrei em TP, não faço ideia do “monstro” que possa ser.

    Sei que todas as mulheres que pariram falam que é suportável, e a maioria nem se lembra da dor depois, mas eu me pego pensando se consigo aguentar horas de dor…. E não é não-empoderamento, não! É só um medinho de fraquejar, de não aguentar. Mas para isto não acontecer, estou com uma equipe muito bacana, com uma doula linda e um marido preparado.
    Vambora!!

  11. Denise Garcia disse:

    Eu sempre explico a dor do parto assim: “já tive cólicas intestinais beeeem piores “

  12. “É a certeza de tê-lo recebido no tempo dele, começando uma história de respeito, desde o início. Isto não tem preço.”

    Exatamente Gabi!

    Depois de ter parido, cada vez que sinto uma dorzinha e começo a choramingar, me lembro do que venci no parto e do quanto aquilo me deixou mais forte. É uma dor que traz o melhor e maior prêmio de todos. <3

    Bjoo

    • gabisallit disse:

      É algo difícil de explicar, né, Mi! Como a dor nos deixa mais fortes? Acho que é uma espécie de poder, de conexão com a natureza, sei lá!
      Só sei que comigo foi assim (e, pelo jeito, com vc tb!)!
      Bj maior do mundo!!

  13. Nine disse:

    Gabi, suas palavras são as minhas. Adorei a definição de que lastimar por alguém que teve seu parto é lastimar por alguém que venceu. Lembro que depois do nascimento dos meus filhos, mais ainda do Pedro, que foi domiciliar, eu toda me achando a leoa, a super mulher foda que pariu e todo mundo só conseguia falar da dor e fazer cara de pesar, como se eu tivesse me voluntariado para uma sessão de tortura ou algo assim. Já escrevi um pouco sobre a dor do parto tentando lembrar que ela é o que menos importa no dia P e é o que vc menos se lembra depois! No meu segundo parto eu não tenho lembrança de dor durante a dilatação, estava em êxtase e a dor do expulsivo foi muito mais por medo do desconhecido, da nova vida que viria, do que do parto em si. Vencido esse medo, tudo ganhou um novo olhar e a dor de parto se transformou em prazer de nascimento, uma das melhores sensações que já conheci! Beijos! Nine

    • gabisallit disse:

      Nine, quando eu tive o João, e me sentia forte, poderosa, grande, me frustrava que as pessoas me olhassem com pena. Era como se eu tivesse ganhado de 10 a 0 e os jornais tivessem publicado que perdi de WO!

  14. Dayana Ribeiro disse:

    Oi Gabi,

    Ontem à noite assisti no GNT um programa “Parto pelo Mundo”, que você já deve ter visto (Deve ser reprise). A Gisele Bundchen deu o seu depoimento justamente sobre a dor do parto e sua escolha de ter o bebê em casa, disse que apesar do “círculo de fogo” ser o ápice da dor, o encontro com o maior presente de todos apaga qualquer vestígio. Completou dizendo ainda que todo esforço e cada hora a mais de dor dá a certeza que o momento de conhecer o bebê está cada vez mais próximo.

    • gabisallit disse:

      Day, Parto pelo Mundo é uma série, de 3 ou 4 capítulos. Maravilhosa!! Já vi 2 e mal posso esperar pelos outros (estou gravando).
      Querida, quero agradecer pela recepção maravilhosa e pelo empréstimo da cadeirinha! Vc foi muito bacana, viu!!! Nem tenho palavras!

  15. ANA PAULA GARCIA DA SILVA disse:

    Eu lembro da dor, mas ela vinha misturada com uma estranha euforia! Muito doido isso… não tem comparação no reino patológico. É diferente e muito gostoso!

  16. Fantástico, Gabi.
    Sabe que não tenho medo nenhum dessa dor? Aliás, soooonho com o dia que vou senti-la, todinha, e me entregar pra ela.

    (rindo muito com o comentário do Alexandre. hahaha)

    Beijos!

  17. Alexandre Pimenta da Rocha disse:

    Imagino como doeu. tem gente que até apanhou…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>