Não basta ser parto normal. 8 coisas para combinar com seu médico na primeira consulta pré-natal.

Você fez xixi no palito. Apareceram duas listrinhas. Resolveu fazer o exame de sangue, para garantir. Beta HCG maior que 1.000. Yuppiiieee! É verdade, amiga! Você está grávida!!!

Quando a tremedeira passa, a gente fica com a cabeça a mil. Será que é menina ou menino? Para quem eu vou contar primeiro? Ai, ai, ai, meu deus! Como vão reagir no trabalho? Quando a barriga vai aparecer? E o parto, como vai ser?

70% das mulheres brasileiras querem parto normal no início da gestação. Isto é maravilhoso, mas vou te dizer uma coisa MMMMUITO IMPORTANTE para uma grávida: não basta ser “parto normal”. A gente chama de “normal” todo parto pela perereca. Isto é pouco para você. Seu parto pode ser lindo, respeitoso, memorável. Eu posso te ajudar. O primeiro passo é ler o Dadadá inteirinho 😉

Brincadeiras à parte, vou de dar dicas de assuntos que devem ser tratados com seu obstetra na primeira consulta pré-natal. Acredite em mim: não é cedo para falar de parto. O ideal é que você conheça a conduta do seu médico o quanto antes e que ele conheça as suas expectativas, para ver se consegue cumpri-las. Caso o que você quer seja incompatível com o que ele pode oferecer, o quanto antes você procurar outro, melhor.

Então, aqui vão 10 temas que vão te garantir um atendimento minimamente respeitoso. Você pode – e deve – exigir muito mais. No decorrer da gestação, faça um plano de parto detalhado, com todos os frufrus a que tem direito. O que não dá para abrir mão é que seja:

1 – Sem episiotomia

Episiotomia é o corte que se faz no períneo para, supostamente, aumentar o canal de parto. Acontece que não há evidência científica que este procedimento diminui o tempo do expulsivo e muitos profissionais a têm entendido, inclusive, como mutilação genital.

Eu tive dois filhos grandes (João nasceu com 3.640kg e Francisco com 4.160) e não tive sequer laceração. Sou pequena. Havia mil razões para as pessoas “presumirem” que tinham que me cortar. Com a graça de deus eu tive equipes que conheciam as evidências científicas e ninguém me pôs a mão.

É fácil te convencer que você não quer episiotomia: imagina UMA TESOURA cortando a sua perereca. Tenho certeza que esta idéia te dá arrepios, como em mim.

2 – Cumprindo a lei do acompanhante

A Lei 11.108/2005 garante a todas as parturientes o direito a um acompanhante da sua escolha, no pré-parto, parto e pós-parto imediato. Isto quer dizer que você pode ter alguém te dando a mão em TODOS os momentos da sua internação no hospital. Ninguém pode te separar do seu acompanhante na sala de pré-parto, nem durante os exames, nem para aplicar anestesia, nem se algo der errado e precisarem de procedimentos de urgência, nem na sala de observação, nem na enfermaria. Hora nenhuma.

Deixe isto claro para o seu médico e escolha um hospital que faça valer a lei.

3 – Sem aplicação de colírio nitrato de prata nos olhos do bebê

Em 1881, um médico chamado Credé descobriu que a aplicação de um colírio de nitrato de prata nos olhos dos bebês filhos de mulheres que tinham gonorréia evitava que a doença contaminasse os pequenos e os cegasse. Foi uma revolução. Até hoje, os hospitais aplicam estas substância nos olhos de todos os recém nascidos.

Acontece que o colírio é cáustico, sua aplicação é dolorosa e pode causar conjuntivite química no bebê.

Hoje, a gonorréia já não é uma epidemia. Se você não tem a doença, não deixe pingarem o colírio no seu filho. Se você acha que pode estar contaminada, faça um exame antes da data do parto e se trate. Não deixe judiarem do seu bebê sem razão científica. Quem não tem a doença não pode transmiti-la.

4 – Com liberdade de movimentação

Sabe aquela cena que você vê em todos os filmes: a mulher tendo neném deitada na cama ginecológica, com os pés apoiados nos estribos, tipo “frango assado”? Aquela posição se chama litotomia. É um péssimo jeito de se ter um bebê, pode acreditar.

Para fazer o seu neném nascer, você tem que fazer força como a de cocô. Já imaginou fazer isso deitada, sem apoio para os pés? Impossível, né?

A Organização Mundial da Saúde recomenda que as mulheres tenham liberdade de posição em trabalho de parto. É importante e desejável que possamos nos movimentar entre as contrações.

A litotomia foi criada para dar conforto aos médicos. Ele se senta num banquinho e a vagina está na altura das suas mãos, de um jeito bem ergonômico. A questão é que quem tem que estar confortável nesta hora é a grávida, não a equipe. Não dá para prever em que posição ela vai querer ficar: cócoras, quatro apoios, em pé. Importante é que se garanta a sua liberdade de posições.

5 – Podendo comer e beber

Em uma gestação saudável, não há razão para se proibir a gestante de comer e beber durante o trabalho de parto. Aqui no Brasil se faz isso porque já se espera que a história vai acabar em cirurgia, então…

Se te proíbem de se alimentar, você vai ficando cada vez mais fraca e exausta. Sua resistência é minada com muito mais facilidade, a dor fica muito pior, a hipoglicemia te dá dor de cabeça e mau humor, você tem que lidar com diversos desconfortos além dos inerentes ao trabalho de parto.

Combine com o seu médico que você quer ter liberdade para comer e beber. Isto é básico. Se ele chiar, lembre-o que é recomendação da OMS!

6 – Com contato pele a pele

O bebê nasceu saudável. Ele te pertence, é seu, de mais ninguém (ok, é do pai também, mas nesta hora a gente ignora isso!). Pediatra nenhum pode tirar de você estes primeiros momentos, porque são mágicos, maravilhosos.

Vou explicar: gosta de Crepúsculo? Lembra do lance do imprinting? É exatamente aquilo: quando o bebê nasce, você está programada para se apaixonar loucamente por ele. O cheiro que ele tem, o encontro de olhares é uma coisa mágica.

Logo após o nascimento, ele ainda está alerta. Mamar na primeira hora é essencial para ter sucesso na amamentação. Namore seu filho, cheire-o, beije-o, declare-se. Deixe para cortar o cordão umbilical depois que ele parar de pulsar.

7 – Sem internação precoce

Pergunte ao médico quando você deve se internar. Se ele disser “com as primeiras contrações” ou “quando a bolsa estourar”, fique com um pé atrás. A internação precoce (antes de 5 cm de dilatação e 3 contrações a cada 10 minutos) é uma das principais causas de cesáreas desnecessárias.

Deixa eu te contar: o parto de novela está llllloooonge de ser bacana, cientificamente seguro. O seu bebê não tem que nascer imediatamente depois que a bolsa estoura, você não precisa ir de carro de bombeiros para o hospital. Há gente que fica semanas monitorando a ruptura desta membrana, sem riscos para mãe ou bebê.

Se você se interna muito cedo, a chance do seu trabalho de parto não evoluir, no ambiente inóspito do hospital, é muito grande. A probabilidade de não conseguir fazer cumprir os tópicos anteriores (não poder comer, não ter liberdade de movimentos, ter muitos estranhos no espaço etc) é gigante. A chance de sofrer violência obstétrica também aumenta exponencialmente.

Evite a internação precoce com todas as suas forças. Se tiver condições, contrate uma Enfermeira Obstetra para te avaliar em casa antes de você ir ao hospital. Se não der, pelo menos peça ao seu médico que te examine no consultório. Suas chances de parto normal vão aumentar muito!

7 – Tendo recursos de alívio não farmacológico da dor disponíveis

Mesmo que você decida que quer anestesia, antes disso há uma série de recursos que podem ser utilizados para aliviar a dor, te acolher e ajudar na progressão do trabalho de parto. Água quente na banheira ou no chuveiro, massagens, exercícios na bola suíça, rebozo. É sempre bom ter estes artifícios antes da anestesia,

8- Com respeito ao momento da família

O nascimento de um filho é o momento mais sagrado da vida de uma mulher. Ninguém pode macular isso, falando do jogo de futebol de domingo ou do que comeu na hora do almoço.

Parece óbvio, mas não é, viu, amiguinha! Esta é uma das maiores queixas que ouvimos em relatos: a falta de compreensão da delicadeza, da necessidade de silêncio, da devoção à família.

Explique à equipe a importância deste momento para você. Ressalte que quer privacidade, que não quer que sejam tratados assuntos não pertinentes àquele momento, diga se aceita ou não conversas. Deixe claro que as pessoas têm que falar baixo. Diga se prefere luz ou penumbra, ar condicionado ligado ou não. Este momento é seu. 

 Mínimo

Gente, isso é o básico do básico. É pouco, muito pouco para você e seu bebezinho. Este momento pode ser o mais espetacular da sua vida. Estude, pesquise, contrate uma doula… E conte com a gente, para o que der e vier!

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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35 respostas a Não basta ser parto normal. 8 coisas para combinar com seu médico na primeira consulta pré-natal.

  1. Revoltada disse:

    O post se resume a um monte de besteira de pessoa não médica dando palpite em uma profissão que não conhece. Se não confiar no obstetra, é melhor ter o filho com uma doula mesmo, mas não espere que ela vai cuidar de qualquer complicação, pois não é médica… Eu não gosto dos outros dando pitaco no meu trabalho, principalmente de pessoas que não são da área, e, portanto, não sabem a respeito do que falam, acredito que os obstetras também não. Assim, se não gostou da conduta de seu médico, procure outro, ou não tenha filho, ou vai ter o parto em casa! Agora querer impor para outra pessoa o que quer que ela faça no trabalho, isto não existe! Kkkk

    • Gabi Sallit disse:

      Rev’s, amiga, vamos lá! Você contrataria um arquiteto e deixaria ele decorar sua casa sem “dar palpite”? Pois é, gata, seu corpo é seu templo! 😂😂😂

      Estamos falando do que vc tem de mais precioso: seu corpo e sua família. Vc acha que alguém pode decidir sobre isso sem te consultar?

  2. Sophia disse:

    Acho muito legal informar as mulheres dos seus direitos. Mas peço que tome cuidado com generalizações. A episiotomia não deve ser feita de rotina, mas é necessária às vezes. Não para diminuir o período expulsivo, mas para evitar que as lacerações atinjam o reto. Existem mulheres que têm o períneo menos complacente, o que aumenta o período expulsivo e as chances de grandes lacerações, isso é visível na hora do parto. Outra coisa, o período ativo do trabalho de parto começa com 4 cm de dilatação ou 2 a 5 contrações a cada 10 min, aí a internação é obrigatória. E bolsa rota, mesmo sem contrações, também é obrigatória, uma vez que aumenta a chance de infecções e a ausência de líquido pode levar o bebê a sofrimento. Nesses casos pode ser necessário induzir o parto ou mesmo levar a uma cesariana. No mais, gostaria de reforçar que parto é demorado e doloroso e a mulher deve ter seus direitos e escolhas preservados o máximo possível, mas gostaria de ressaltar que parto bom é o parto que o bebê nasce bem e a mãe fica bem. As vezes é o parto normal (maioria), às vezes parto normal com episiotomia e às vezes cesariana. Acho importante destacar para as mulheres que nem sempre o que ela idealizou é o melhor para ela, saber que podem existir intercorrências, pois isso pode gerar mais sofrimento num momento que já é tão delicado. O importante é um obstetra competente, que explique passo a passo o que está acontecendo, esclarecendo a mulher de todo procedimento que tiver que ser feito e suas justificativas.

  3. Eli disse:

    Apesar de adorar comer, vou ficar em jejum, mais seguro, são algumas poucas horas, eles podem repor glicose endovenoso, assim, caso haja alguma urgência (difícil, mas não impossível) e precisar ser intubada, corro muito menos risco de broncoaspirar e morrer; assim continuo viva para cuidar do meu bebê depois que ele nascer.

  4. Eli disse:

    Você é uma irresponsável. Episiotomia, quando necessário, claro que é para o conforto médico, para ele não se sentir culpado depois de o bebê ter morrido por ficar horas demais no canal de parto ao ceder às idéias absurdas de quem acha que sabe mais que alguém que estudou 9 anos para isso.

  5. Débora Soares disse:

    Oii Gabi,

    Sou mãe de primeira viagem estou com muitasss dúvidas. Eu tenho plano de saúde do Ipsemg e portanto só posso fazer meu parto na maternidade de lá. Porém eu não estou confiante em fazer meu parto com um médico de plantão. E além disso gostaria de ter um parto natural com anestesia. O que vc me indica fazer?

  6. Pingback: Parto Humanizado e Empoderamento Feminino – Aileen Daw

  7. Maria disse:

    Eu tive PN quaaaaase do jeito que eu queria. Porque acabei na episiotomia. Não sei quantos pontos levei, o que lembro é de estar no terceiro momento da força e o médico falar: “se você quiser eu posso fazer um corte e ela nasce na proxima contração”. Acho

    • Maria disse:

      Acho que o desespero de fazer aquela dor passar me fez consentir o “corte”. Infelizmente minha recuperação não foi melhor pelo desconforto gerado com os pontos e etc…mas passou. A duvida que fica: pro proximo parto (ainda nao estou gravida), é possivel nao ter laceração mesmo que eu nao permita a episiotomia? Porque eu não quero que me cortem, mas estou preocupada em ter laceração de grau alto por já ter sido cortada na regiao…

    • Gabi Sallit disse:

      O problema é que não há evidências que o corte diminui o período expulsivo…

      • Manuela disse:

        Acho que ela quis dizer que esta com medo de ter laceração, ter ainda com grau elevado, porque foi cortada uma vez. Se ela nao consentir o corte a coisa pode ser pior? Por ja ter cortado uma vez?

        • Adriana Zanette Rohr disse:

          Oi, tive episio no primeiro parto e, no segundo, melhor informada, exigi que não houvesse. Houve uma pequena laceração que precisou 3 pontinhos. Super mais tranquila a laceração do que a episio… A explicação que recebi de uma enfermeira doula com quem tirei minhas dúvidas sobre fazer ou não episio alguns dias antes do segundo parto é que a laceração é superficial, enqto a episio é um corte tipo “mini cesárea”.

          • Adriana Zanette Rohr disse:

            E outra: a episio e a laceração, no meu caso, foram em lugares diferentes. A episio é do períneo em relação à nádega, compridinha. A laceração é no períneo mesmo, beeem menor. Não sei qto a evidências, mas acho q o lugar da episio não lacera num segundo parto somente por ser uma cicatriz de um corte anterior. Segundo minha obstetra, a pele da vagina e arredores é muito resistente e apropriada para suportar o corte ou a laceração, cicatriza bem. Minha episio foi um capítulo à parte (não parava de sangrar, depois de um parto normal sem anestesia, tive q fazer pra reabrir e recosturar logo depois do parto, uma delícia #sqn) e a cicatriz é praticamente imperceptível e absolutamente indolor. Da laceração, então, só sei pq ouvi falar, hehehe…

  8. Elisa disse:

    Aqui na Alemanha chamam o “imprinting” de bonding (em inglês mesmo), nao sei se nos países de lingua inglesa eles também falam assim.
    Na palestra de apresentacao da maternidade onde eu tive meu filho, a médica chefe toda trabalhada na humanizacao e evidências científicas mostrou uma foto linda de uma gorila com seu filhote RN fazendo bonding. Ela ainda provocou dizendo que se obviamente ninguém iria sequer imaginar tirar o gorilinha da mae porque fazem isso corriqueiramente com mulheres e seus recém nascidos.
    Aliás a médica é provocadora, numa palestrinha assim, pra casaiszinhos que queriam conhecer a maternidade, ela ainda afirmou que o modelo vigente de atendimento a gestante é machista e que isso tem raízes na idade média, quando mulheres que entendiam de parto eram consideradas bruxas (seria índia o equivalente atual tupiniquim?!).

  9. Douglas disse:

    Faltou item 9,achar um obstetra ocidental que acate todas essas exigências…

  10. Marta disse:

    generalizações nunca são bem vindas.
    Converse com seu ginecologista obstetra. A maioria é sim muito boa! A minha foi ótima.
    Acho que as doulas atacam muito os médicos com intuito de se promoverem. Ainda acho totamente dispensáveis.
    Conhecimento sim, aproveitadoras não!

    • Gabi Sallit disse:

      Marta, não sou Doula. Quem diz que o trabalho delas é relevante não sou eu, são as evidências científicas. Ela diminuem a quantidade de cesáreas, de pedido de anestesia, de Apgar menor que 5 no 5o minuto.

      • Julia disse:

        Gostaria de ler esse artigo/estude que afirma que as doulas reduzem a incidência de apgar menor de 5 no quinto minuto. Onde este artigo foi publicado? Revista científica de confiança?
        Obrigada!

  11. E se o médico disser que é cedo, ou fizer cara feia pra qualquer pergunta: fujaaaa!!! ou contrate uma doula e só chegue no hospital em fase ativa, pra ser assistida por plantonista. As probabilidades serão melhores.

    (Gabi, a comparação com Crepúsculo foi a melhor kkk)

  12. Ariane Annunciação disse:

    Graças a Deus, meu parto respeitou quase tudo o que você disse. Só tive “internação precoce”, porque estava com contrações a cada 3, 5 minutos, 4cm de dilatação, mas depois disso, demoraram três dias para o meu bebê nascer. E ainda fui colocada no soro com ocitocina, com 6cm de dilatação, porque não evoluía e já estava com 41s3d de gestação. Levei 30 pontos da laceração, acabei pedindo anestesia porque estava quase desmaiando depois de 5 dias sem dormir.. E aquelas contrações tão fortes que me faziam vomitar me deixavam ainda mais cansada. Fora isso, adorei meu parto! Faria tudo de novo!!

  13. Laura Gomide de Moura disse:

    Desse post eu gostei muito. Confesso que não gosto de todos, mas continuo lendo pois te acho divertida. Aqui em BH tem uma equipe maravilhosa que pude conhecer e recomendo a todos, o Instituto Nascer. Quanto respeito!

  14. Lívia disse:

    Parabéns pelo site, acho que incrível, instrutivo e esclarecedor. Ainda não sou mãe e nem gestante, mas comecei a me informar tudo sobre parto normal, humanizado, o que é uma doula, qual o papel dela e tudo mais, quero ser respeitada e por isso, comecei cedo a me informar e claro, passar isso ao meu marido, que está me acompanhando nas leituras e informações. Mais uma vez, parabéns pelo site e que vcs continuem iluminando as cabeças das mulheres para os direitos e respeito que elas merecem nessa hora tão mágica.

  15. Adriane disse:

    E eu vou parar de ler este blog.
    Quero voltar no tempo. Fazer tudo de novo.
    Chorei agora que li sobre o nitrato de prata, meu filho não precisava…

  16. Juliana Neri disse:

    Tive um parto normal, como sempre bati o pé desde o início da minha gestação. Do alto dos meus 22 anos, fui olhada com desdem pelo meu obstetra e por membros da minha família que alegavam que eu não suportaria a dor.
    No dia da ruptura da bolsa, estava de unhas feitas e cabelo lindo e arrumado, pois era dia de salão. Nem imaginava o que estava pra acontecer…
    Miguel quis vir ao mundo com 38 semanas e 6 dias. A bolsa estourou por volta de 23:30h, corri para o Santa Fé, quando o GO fez o primeiro toque (muito traumático por sinal) já estava com 6cm de dilatação. Foi ali que percebi que sem ter feito esforço nenhum, eu teria o tão sonhado parto normal.
    Só que eu não tinha informação nenhuma! Então meu tão esperado PN foi feito a moda hospitalar belo horizontina. Fiquei sozinha – minha mãe pode ficar comigo porque era mulher – não deixaram meu marido ficar do meu lado. Tomei anestesia, porque assim desejei. Ela me foi oferecida assim que atingi 8cm, no alto da minha agonia e desconhecimento, aceitei imediatamente. A anestesia foi peridural, por volta das 4h. Desde o momento que ela foi aplicada, até a hora que o Miguel finalmente nasceu, as 06:05h fiquei totalmente abandonada na sala de pré parto. Numa sala fria a meia luz, sem a presença do médico, de qualquer enfermeira, da minha mãe ou do meu marido. Me disserem que ele só poderia entrar quando o bebê estivesse coroando. E foi assim, quando a cabecinha já estava apontando, que ele entrou na sala, quase não assiste o nascimento do filho, já que a enfermeira errou seu nome, e chamava sem parar por outra pessoa que ele nem imaginava ser ele. Depois de 2 minutinhos segurando meu bebê, ele foi levado de mim, junto com o pai. Para que o médico me costurasse. Sim, fizeram episiotomia. Depois de ir para o pós parto, as 06:30 aproximadamente, fiquei la deitada, toda suja, embaixo de um cobertor calorento, até as 13h, em jejum absoluto, até de água. Indo pro quarto finalmente, comecei a sentir dores terríveis, piores que as das contrações. Me deram dois buscopan, e me disseram pra aguardar por 1 hora para a dor passar. Depois de muito chorar de desespero, pois não tinha forças para pegar meu filho, tamanha a dor que eu sentia, uma enfeira chefe chegou para me salvar. Começou a massagear minha barriga, e como mágica, litros e mais litros de xixi começaram a descer. Molhei a cama inteira, tinha xixi até nos meus cabelos. Só por estar totalmente mijada, recebi a dadiva de poder tomar um banho. Graças a Deus.
    Mas meu martírio, não acabou no hospital. Para não me alongar mais, vou resumir: Senti dores terríveis por 15 dias por causa da episiotomia. Fiquei totalmente frustrada por não ter tido nenhuma das experiências relatadas por quem faz PN. Meu leite começou a empedrar, porque meu filho não conseguia puxar o bico para fora. Meu Deus! como sofri! Dor encima e dor embaixo. Como cuidar do meu bebê dessa maneira? Só passado os primeiros 20 dias de vida do meu primeiro filho, consegui curtir realmente o momento. Enfim, já falei demais. Espero que meu relato ajude muitas mamães a não de deixarem levar pelas maternidades e pelos obstetras sem nenhum tipo de preparo para um atendimento descente e humanizado. Bjs a todas.

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