O ABC da doula

Eu vivo tagarelando sobre doulas aqui no blog, mas acho que nunca tive chance de contar para vocês a verdadeira importância que elas tiveram na minha gestação e parto. Estou envolvida em alguns projetos (vou contando para vocês durante a semana) que me deram vontade de dividir minha história.

Até a 22ª semana da gravidez do João, eu não tinha a menor ideia do que era uma doula. Já tinha entrado em alguns sites sobre parto e a definição que eu encontrava não me causava a menor empatia. Para mim, “oferecer conforto, encorajamento, tranquilidade, suporte emocional e físico” era papel do marido.

Acontece que naquela abençoada semana fui ao meu primeiro encontro de gestantes. E, ao ouvir as mulheres relatando seus partos, fiquei impressionada com o carinho e cumplicidade que elas relatavam com as suas doulas. Alguém sempre dizia: “Sem a Fulana eu não teria conseguido”, “eu estava querendo desistir, aí Sicrana me lembrou como aquele parto era importante para mim” ou ainda “quando eu não aguentava mais, Beltrana (insira o que quiser: fez massagem, me deu um chazinho, sugeriu que eu fosse para o chuveiro, me colocou na bola) e as minhas energias se renovaram”.

Saí do encontro decidida: eu contrataria uma! Depois, estudando as evidências científicas, descobri que não poderia ter feito escolha melhor. O apoio contínuo intraparto, oferecido por uma pessoa que não faz parte do staff institucional, nem do núcleo familiar e afetivo da parturiente (ou seja, a doula) é maravilhoso porque reduz:

  • em cerca de 17% a necessidade de qualquer tipo de analgesia;
  • em 31% a necessidade de ocitocina;
  • em 28% a necessidade de cesariana;
  • em 30% o Apgar< 7 no 5º minuto de vida do recém-nascido.

Eu já sabia que queria uma doula, mas tinha um milhão de dúvidas: Como escolher? Quanto custa? Como criar o vínculo de intimidade e carinho que parecia imprescindível para um bom resultado? O que, exatamente, ela faria?

Continuei indo aos encontros do Isthar e conheci várias profissionais. Na lista online que eu participava batia papo com muitas delas. Todas se mostravam extremamente disponíveis e prestativas (característica da profissão, né?). A afinidade foi aparecendo devagarzinho, na medida em que eu ouvia as opiniões de cada uma, lia os relatos das antigas clientes, via como elas lidavam com as questões que as grávidas apresentavam. Umas eram mais zen, outras mais técnicas, algumas muito maternais, outras do tipo mais “camarada”. Tive muitas dúvidas – afinal, eu não sabia nem mesmo quem eu seria em trabalho de parto -, mas acabei usando o seguinte critério para me decidir: quem é mais parecida comigo?

Só tinha um problema: desde quando a convidei, a “Doula n. 1” me avisou que teria um compromisso inadiável, uma semana após a minha DPP. Eu tinha que ter uma suplente, caso João demorasse a nascer. Como elas trabalham em equipe e eu tinha me debatido internamente entre duas por muito tempo, não foi nada traumático. João acabou nascendo com 41 semanas e eu tive duas doulas para chamar de minhas.

Durante a gestação, o trabalho destas profissionais foi imprescindível para que eu tivesse acesso à informação de qualidade. As doulas que escolhi, ainda que não tenham formação na área da saúde, eram grandes estudiosas da fisiologia do nascimento. Conheciam as evidências científicas, me ensinaram o caminho das recomendações da OMS, indicaram bibliografias. Foi uma doula que me enviou meu primeiro modelo de plano de parto e várias delas comentaram o meu, dando sugestões e tirando dúvidas. Além disso, elas acabaram se tornando grandes queridas (o tal do vínculo… brotou!). Consolaram, ouviram minhas dúvidas, foram companheironas!

No trabalho de parto, a simples presença da “Doula n. 2” foi muito importante para me dar segurança. Quando ela tocou o interfone, o clima – que era de tensão pura – já mudou. Ela fez massagens, caminhamos juntas, me contou casos tranquilizadores, fez companhia ao Alexandre quando eu não queria papo. Foi puro amor. A doula é leiga como você, ou seja, é uma relação entre iguais. É mulher como você, a empatia é fácil de acontecer. Quando eu, chorando, disse que não aguentaria mais, ela entrou comigo no chuveiro, de roupa e tudo. Nos momentos em que, histérica, distribuía bofetões, ela agia como se eu estivesse pedindo um cafezinho. Uma fofa.

Então, esta é a história até aqui. Cenas dos próximos capítulos, só em fevereiro! Uma coisa é certa: tenho outro parto até de gravidez psicológica, pero, sin doula, jamais!

Polly e Vivi, com puro amor e colo

Polly e Vivi, com puro amor e colo

Fiz um beabá das maiores dúvidas que eu tinha, para ajudar vocês com o basicão:

Como escolher?

Como eu disse, escolhi por afinidade de pensamentos. A pergunta que me fiz foi: qual delas faria escolhas mais parecidas com as minhas se estivesse no meu lugar? Você deve usar o critério que for mais importante para você. Pode ser: quem faz a melhor massagem? Quem sabe mais sobre fisiologia? Quem tem a mesma religião que eu? Na frente de quem eu não me importaria de estar pelada, gritando? Enfim, pense em quem você quer por perto em um momento tão importante.

Quanto custa?

A equipe que me atendeu hoje se chama “Minhas Doulas”. Elas cobram R$600,00 pelo atendimento pré-parto, parto e pós-parto. Todas são ativistas do parto humanizado, ou seja, fazem isto muito mais por amor do que por dinheiro (até porque, na minha sincera opinião, não há dinheiro no mundo que pague o bem que fazem com este tipo de trabalho!!). Tenho certeza absoluta que, se você estiver dura, mas tiver muita vontade de parir com respeito, não é a grana que vai te deixar sem doula. Elas parcelam em suaves prestações ou até atendem voluntariamente (olha eu, oferecendo desconto no trabalho dos outros!!! Intimidade é uma droga mesmo!!! Perdoem aí, meninas!!).

Update: uma fofoquinha básica me disse que, em São Paulo, as doulas cobram, em média, R$1.000,00 e, no Rio, R$800,00!

Como criar o vínculo de intimidade e carinho que parecia imprescindível para um bom resultado?

Conheço gente que acha este vínculo dispensável e conheceu a profissional quando estava em trabalho de parto. Para mim, não funcionaria. Primeiro porque minhas doulas foram imprescindíveis para que eu construísse meu Plano de Parto. Segundo, porque sou cheia de não-me-toques e não toleraria alguém que não conheço e amo me vendo sem roupa, extremamente mal-humorada e frágil. Se você tiver chance, conheça mais de uma e troque o maior número possível de ideias, antes de decidir. Assim, pode escolher com o coração.

O que, exatamente, elas fazem?

Durante a gestação, vão aguentar o seu monopapo de grávida com o maior prazer do mundo, como se ouvissem tudo pela primeira vez. Ajudarão a estudar, contarão experiências de outras mulheres, enviarão relatos. Vão recomendar livros, textos científicos, vídeos. Podem ir contigo visitar maternidades, mandar modelos de planos de parto. Nos últimos dias da gravidez, quando achar que não aguenta mais, vão te consolar. Quando você estiver meio louca e brigar com o marido (ou a vizinha, ou o porteiro) sem saber o porquê, vão te ajudar a se perdoar. Se você começar a achar que seu bebê não vai nascer nnnnuuuuuunnnncaaaaa, vão te contar algum caso pior que o seu. 😉

Durante o trabalho de parto, te lembrarão que funciona assim mesmo, que bebês nascem todos os dias, que você é capaz, foi feita para aquilo. Podem fazer isto com uma boa conversa, ou sem dizer nada. Se você quiser, podem acender incensos. Se for o seu desejo, podem garantir que todos os incensos do mundo desapareçam. Vão colocar música ou garantir o silêncio, se for o que você quiser. Farão massagens, te acompanharão no chuveiro, farão exercícios ridículos sobre a bola suíça junto contigo. Farão companhia para o seu marido. Serão, naqueles momentos, só suas.

Indicações:

Isto, obviamente, não é um publipost. Alguém que recebe R$600,00 por atendimento que dura um milhão de horas não conseguiria pagar para anunciar neste blog, que cobra o dobro da Thassia Naves. kkkkkk

Indico porque só ponho vocês na boa e amo estas meninas, que se dedicam de um jeito espetacular para que tenhamos um mundo melhor.

 

Pollyana do Amaral (minha Doula n. 1):

pollyaf@gmail.com

tel: 31 93127399

Helena Villas-Bôas(minha Doula n. 2):

helenalvb@gmail.com

tel: 31 92804563

Kalu Brum:

kalubrum@gmail.com

tel: 31 87472500

Rebeca Celes:

rebecadoula@gmail.com

tel: 37 84049860

Inessa França:

inessafranca@yahoo.com

tel: 3187717290

Carolina Giovanini:

doulacarolflor@gmail.com

tel: 3183130714

Update: Esqueci que não tenho leitoras só na terrinha, gente!!! Se você não é de BH e quer uma doula, entre em contato com algum Grupo Apoiado pela Parto do Princípio. Esta é um bom lugar para conseguir uma indicação bacana (além da chance de encontrar um grupo de grávidas para chamar de seu!) ! Em São Paulo, procure o GAMA e, no Rio, o Núcleo Carioca de Doulas.

O que sugiro é que mande mil e-mails para elas, vá aos encontros, fofoque no gtalk, troque mil ideias. E ouça o que o coração mandar. Ele sempre acerta.

Bjs, bjs!

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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22 respostas a O ABC da doula

  1. Pingback: A importância da doula e como eu escolhi a minha | Vida Materna

  2. Fabianne Rocha disse:

    Olá!!!

    Estou na reta final, entrando na 34º semana, Gabriel quase chegando. Acho que estou um pouco atrasada, apesar de estar pesquisando tudo sobre o parto natural. Ainda tenho algumas dúvidas e inseguranças, mas acho que é normal. Tenho medo de não conseguir ou de não suportar a “dor”, mas sei que fui criada p/ isso, é um processo natural!! Moro na grande BH, faço meu pré natal pelo plano de saúde, mas sinceramente, estou com mto medo de ir p/ um hospital particular, já decidi que não pagarei minha médica pelo parto, ela é super a favor da cesaria. Então estou querendo ir pro Sophia, apesar de várias pessoas “desinformadas” criticarem a filosofia do Hospital. Mas eu acredito nessa filosofia e no benefício que ela traz. Gostaria de alguns relatos sobre o o Hospital se possível.

    Comecei a procurar por uma doula, mesmo estando um pouco em cima da hora, mas acredito que seja um bom momento. Conversei até então com a Polly (amor de pessoa) no próximo sábado vou ao encontro do Ishtar, espero conversar com ela pessoalmente.

    Bjoooo

  3. Cristina Rochetto disse:

    Q linda a sua experiência Gabi, quanto mais leio sobre elas (doulas), mais anseio em ter uma no meu momento mãe de primeira viagem. Espero encontrar em minha cidade ou ao redor uma doula assim, pra chamar de minha rsrs. Então, se alguém conhecer ou tiver conhecimento de alguma na região de São João da Boa Vista interior de São Paulo, me indiquem, grande abraço.

  4. Bruna Santos disse:

    Ah Helena mais apelidada por mim por doulanjo, que aguentou o meu monopapo de grávida com o maior prazer do mundo, como se ouvisse tudo pela primeira vez. Super indico a todas a terem uma doulanjo pra chamar de sua! Adorei esse post.

  5. Bárbara disse:

    e o post saiu com amor. :)

  6. Elisa disse:

    Gabi, eu estou aqui me desescabelando pra achar uma obstetriz que me atenda no pré-natal e pós-natal domiciliar (no parto tb, mas daí ela tem que estar cadastrada na maternidade). Eu me achando a adiantada, que poderia escolher e as 8 que eu contatei já estao sem capacidade (bebe nascendo em dezembro é complicado)… ai ai torce por mim.
    A única coisa que me consola é que a doula eu já tenho. Tb me surpreendi positivamente com o preco. Estamos comprando apartamento e nao está sobrando, mas preferi economizar no enxoval e garantir a doula. Decidi pela minha quando aquela mulher serena, madura e magra me disse que pariu 3 filhas de quase 5 kg cada e disse que as mulheres conseguem sim parir. Pra mim a profissao é a definicao do amor fratenal feminino.
    Ah, bati o martelo da maternidade quando a minha doula contou que iria atender uma parturiente lá e escreveu pra médica-chefe se apresentando e tal. A médica-chefe respondeu que é uma entusiasta do trabalho das doulas, que gostaria que tivessem mais doulas na regiao, que toda mulher pudesse ter esse apoio e garantiu que toda a equipe iria recebe-la bem. Quem dera todo médico pensasse assim né?!

    • Gabi Sallit disse:

      Uau, Elisa!!! Babei!
      Escreve para maternidade também… Aí vc já chega com referências! #apalpiteira
      Aqui, por curiosidade “profissional”: vc se importa de contar quanto a doula cobra? E a EO?

      Estava com saudades dos seus comentários!!!
      Tenho uma amiga indo para a Alemanha com o baby em dezembro, quem sabe coloco vcs em contato?

      Bjs!

      • Elisa disse:

        Oi Gabi,
        a minha doula cobra de 250 a 350 euros dependendo da duracao do TP e 2 encontros/massagens estao inclusos, fora o primeiro encontro/entrevista. Já vi pela net que em grandes cidades sai mais, coisa de 500 euros.
        Os servicos da obstetriz o plano de saúde obrigatório paga :D. A única coisa que fica por fora é a taxa de chamada para ter a TUA obstetriz no parto (ca. de 300 euros), mas daí ela precisa estar na lista da maternidade para poder atender lá (senao o parto fica na responsabilidade da plantonista, mas ela pode ir como acompanhante – embora daí provavelmente o pagamento é todo por fora). Para parto domiciliar alguns planos cobrem essa taxa tb já que eles economizam horrores em internacao e etc.
        Estou te escrevendo tudo direitinho, assim que tiver tido minha primeira consulta pré-natal com a obstetriz termino de escrever.
        E pensar que existe uma penca de brasileira que vai pro Brasil ter filho por cesariana (e pagando tudo no particular) porque aí eles fazem “ponto de plástica”….
        Bjs e nos conta como anda o segundinho :)

  7. Simone disse:

    Ai,gabi a heleninha tbm foi minha doula de supetao…kkkk eu so tinha escolhido uma nao pensei em plano b sophia resolve nascer bem quando a Kalu estava fora….e bequinha minha superdoula nao podia vir pra bh isso eu ja sabia e nao contava e o mais interessante que a primeira pessoa que conversei na lista quando entrei foi a helena e tudo ela foi meu alivio quando ela chegou na sala onde eu tava ja nao conseguia ficar de pe (medo de nao segurar a dor..)rsrs so que deitada affffffff fica bem pior….eu me lembro que meu esposo saiu pra ela entrar na sala comigo e nao nos conheciamos pq moro em ipatinga e nunca deu pra ir em encontros e ela perguntou pelo meu nome a primeira coisa que eu falei foi nao vou dar conta de segurar sem analgesia ja tava suando frio e eu pensando que tava longeeeeeeeee ainda….kkkk eu mal sabia que ja tava na retinha final ela me abraçou lembro do cheiro dela me abraçou e me falou consegui sim eu dei conta….menina foi um uppppp…rsrs esperou minha contraçao passar pra me levar pro banheiro…debaixo do chuveiro….e no caminho do banheiro vinha a contraçao nos abraçavamos com ela fazendo massagem…genteeeeeee…..é muito amor….amo lembrar disso choro todas as vezes que lembro conto……pra um proximo quero a minha do meu ladinho…..rs bjs

  8. Jedeny disse:

    Amei seu post! super explicado, light e me tirou um monte de dúvidas. Não sou mãe e nem perto de ser (ainda!), por isso é muito bom já obter tantas informações. Vc foi a que me abriu os olhos para o que é nascer dignamente, parir naturalmente. Eu era uma dessas cegas tapadas que acreditava que o médico detinha todo o conhecimento. e como é bom conseguir informação de qualidade, como é bom ver a luz, enxergar a realidade como é!
    Obrigada Gabi!

    • Gabi Sallit disse:

      Ah, Jedeny, que recadinho bacana! Que bom que gosta do blog!!! Morri de orgulho!
      Que bom que está se preparando mesmo antes de ser mãe. Conhecimento de qualidade é empoderamento. Você só cresce!

      Grande beijo!

    • Juliana Matos disse:

      Jedeny, comigo aconteceu a mesma coisa. Como eu sou “futiqueira”, adoro futucar a net atras de informações, talvez teria saido da ignorância após engravidar. Mas essa tal de Gabi Salit facilitou minha vida e já me despertou para esse mundo desconhecido antes mesmo do João Victor fincar âncora aqui dentro.

      Quando contei pra ela que estava grávida ela me escreveu, me intimou a entrar na lista de discussão Parto Ativo, me passou contato da Simone (do comentário aí de cima, que mora aqui em Ipatinga)… enfim, um furação que te bota pra frente nem que seja aos empurrões. kkk… Essa é a Gabi, a palpiteira-mor com quem a gente não perde a paciência.

      Gabi, você bem que podia ser doula. Eu contaria todas as minhas últimas moedinhas pra te contratar. rsrs… Eu usei o seu plano de parto como ponto de partida pra fazer o meu (era domínio público, não?!? Pelamor, não vai me processar por plagio), tamanha é nossa semelhança nas esquisitices, ideias, chatices e frescuras. rsrsrs…

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