O desafio das mães de meninos: como não criar um babaca

Desde pequena sonho com muitos filhos. FilhOs. Sempre quis ser mãe de meninos, me imaginava brigando para não jogarem bola na sala, fazendo um monte de comida, pequenos bárbaros me mimando. Uma mistura de mãe judia, mama italiana e eu mesma. Sonho é sonho e o meu era assim. Mais clichê, impossível.

Eu cresci e tive uma maravilhosa surpresa. A vida se mostrou melhor que qualquer expectativa. Meu clã é essencialmente masculino, como eu queria: marido, filho e outro menino na barriga. Entretanto, não há nada na minha casa, ou na minha vida, que acuse uma overdose de testosterona. A bola às vezes bate nos vidros das janelas, mas colocamos as bonecas para dormir com beijos. De vez em quando tenho que proteger as plantas da impetuosidade do meu pequeno Conan, que é o mesmo que me ajuda a molhá-las e podá-las. Cozinhamos juntos e alimentamos os bichos de pelúcia, que ora estão deslizando em pistas improvisadas de carrinhos, ora têm suas fraldas imaginárias trocadas. Vamos ensinando assim: somos diferentes, temos aptidões e gostos distintos, mas todos temos que cuidar de quem amamos.

Quando leio sobre um cara compartilha na internet um vídeo íntimo que gravou da namorada, fico sem chão. Que tipo de homem é este? Ele tem mãe, por-deus-do-céu. Pode ter uma irmã, ou uma filha. O que aconteceu? O que o autorizou a pensar, por um segundo que fosse, que poderia punir e constranger aquela moça, por dar e sentir prazer?

Será que alguém lhe disse que meninas de família não têm o direito de achar sexo gostoso? De onde ele tirou esta ideia? Só da TV, ou da internet? Quantas vezes esta não é uma imagem que está nas nossas casas?

Quando vi a notícia do vídeo e do que aconteceu com a vida da moça depois dele, me bateu um peso enorme nos ombros. 1.000.000 de toneladas de responsabilidade. O dever de criar caras legais, decentes, que respeitem o outro. É claro que as mães de meninas também têm que ter compromisso com o caráter das suas filhas, mas, tô aqui pensando no meu umbigo, ora bolas. Pensando que, se um filho meu faz uma coisa destas, eu corto o pinto dele. Em fatias finas.

Pronto. Me matem. Acabei de encontrar o limite da criação com apego.

Salame

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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65 respostas a O desafio das mães de meninos: como não criar um babaca

  1. Giovanna disse:

    Tenho um garoto de 11 para 12 anos….Peguei uma conversa no Face dele…com um amigo, dizendo ser gay….estou bem perdida….nao sei como reagir a este fato…ele tem um jeito quieto, e quase toda a descricao do texto acima…nao fala palavroes e se dedica mais a arte….nem sei o que pensar e esperar….

    • Gabi Sallit disse:

      Giovanna,
      Não acho que uma criança de 11 anos já tenha sua sexualidade definida. Ainda que tenha, e seja gay, acho que nosso papel, enquanto mães, é acolher a diversidade.
      Converse com ele, sem rotulá-lo, explique que ele ainda tem muito tempo para pensar nisso e que nenhuma decisão que tomar vai influir no seu amor por ele. Afinal, queremos filhos decentes e bacanas, não é? A opção sexual não faz diferença…

    • Barbara disse:

      Giovanna,
      Imagino que não deva ser fácil descobrir que o filho tem uma orientação diferente da hegemônica. A sociedade ainda é muito preconceituosa, e esse preconceito está também dentro da gente, não é? Sem contar que sabemos que, por ser “diferente”, em qualquer sentido, o filhote é um potencial alvo de bullying e sofrimento extra.
      E é justamente por ser alvo fácil de preconceito é que ele precisará ainda mais do seu apoio e do seu amor, pra fortalecer sua auto-estima. Ele já deve estar confuso com os próprios sentimentos, e perceber que vc o ama, independentemente de qualquer coisa, com certeza o fará passar pelo processo de autoaceitação mais facilmente.
      No mais, conte com a gente para apoio.
      Abraços solidários

  2. Gabi, acabo de conhecer seu blog. Amei! Muita coisa ainda por ler, mas esse texto… Genial! Sou mãe de um machinho também. Rezo dia e noite para que eu e meu marido (que é homem raríssimo, de caráter exemplar) saibamos criá-lo para ser digno de merecer o amor, respeito e admiração de quem ele escolha. Isso, nos dias atuais, é mega desafio, pois, por mais que a gente dê o exemplo, está cheio de babacas por aí (não só homens, mas mulheres também) e, infelizmente, não há como evitar que nossos tesourinhos esbarrem nesse tipo de gente ao longo da vida.

  3. Camila Veridiana disse:

    Em fatias bem finas!
    Tenho um pequeno, bravo e forte como um tourinho. E sempre a noite, nas minhas orações peço que Deus me ajude a educar Pedro para que ele seja um cara bacanérrimo! Que seja um menino bem-vindo! Que tenha ética, respeito, zelo e honre a salsicha que carrega!
    Adoro seus texto! Parabéns!

  4. Maíra Góes disse:

    Excelente texto, como todos que você escreve! A gente cresce e aprende com EXEMPLO, então é falar e fazer porque se um for diferente do outro, já era. Pai e mãe juntos nesta viagem. Se a mãe educa pra ser bacana e o pai “escorrega” no exemplo…foi. E vice-versa.

  5. Ama disse:

    Amei o texto. Sou mãe de dois pequenos, e não poderia estar mais identificada com ele do que estou neste momento. Excelente!

  6. Danielle Sena disse:

    Oi, adorei o seu texto! Sou mãe de dois meninos e acho fundamental essa consciência que devemos ter de criar rapazes q respeitem as mulheres.

  7. Eduardo disse:

    Confesso que fico impressionado com a insensibilidade a ideia de mutilar o próprio filho! Jamais ouvi uma expressão como lhe cortaria um seio fora ou costuraria a parte intimas dela. Se ela se portasse de um forma ou de outra para as meninas.

    Fico muito triste ao ver o quanto as mulheres não percebem que os homens também não devem viver sob constantes ameaças. Elas que se dizem as mais ameaçadas não deveriam perpetuar o mesmo comportamento e não aceito dizer que é brincadeira sinto muito.

    Espero ter conseguido passar o meu ponto!
    Obrigado

  8. Malisa disse:

    Oiiiiiiiiiiiiii!!!!! Como amo você, seus “homens” e mais ainda: nossos “homens”. Tento fazer o mesmo… adivinha o que o Pedro mais gosta de fazer? Fazer “aulas” de culinária comigo, ama experimentar tudo e preparar tudo com maior capricho mas não se engane que só faço isso, quem é a melhor pessoa que joga futebol com ele? “Mamãe, né? Eu ainda não joguei com Neymar!” E o Titi? Quem ajuda a mamãe a colocar a mesa e ver se está linda a posição das flores espalhadas pela casa? Tudo feito a 8 mãos: arrumar uma cama, o quarto de brinquedos, jogar bola, brincar de imagnext, que nada mais é que uma casa da Barbie(rs), ir a exposições, ler bons livros, levar a missa, enfim, criar meninos felizes e sensíveis é o que tentamos tomara que toda sementinha plantada gere uma bela colheita! Bjs para todos os Pedros, Tiagos e até mesmo Juninhos(papais que surpreendem a cada dia com uma sensibilidade extrema diante deste mundo tão louco!) e um enorme pra você que escreve este blog tão inspirador e como lhe disse de utilidade pública.

  9. Maria José Klein disse:

    Mais verdadeiro, impossível.
    Também sou mãe de menino, mas ele teria sérios problemas com meu lado durão se fizesse uma coisa desse tipo. Baixaria em mim o famoso sargento, que ele gosta tanto de falar que sou, mas seria um muito ruim, muito mau…
    Que medo… Eu também cortaria o pinto dele!

  10. Tatiane disse:

    Ótimo post, é exatamente assim que penso.

    Tenho duas meninas e estou grávida pela terceira vez, ainda não sabemos o sexo, mas independente do que for, a criação será a mesma.

    Ensino minhas meninas a arrumarem a sua bagunça e quando forem maiores vão aprender que tem que colaborar em casa.

    E converso muito com meu marido sobre quando forem maiores e ambos concordamos que poderão até mesmo trazer namorados em casa, contanto que tenham maturidade para isso.

    • Gabi Sallit disse:

      Este é um ponto interessante, Tati. Quem vai avaliar se elas têm maturidade? Por que a sua ingerência não é se elas vão ou não namorar (todas sabemos que, desde muito novinhas, ninguém pede autorização dos pais para isto), mas sim se elas vão fazê-lo na sua casa, sob as suas vistas ou não.
      Não estou ansiosa para chegar a minha vez! :)

  11. katia disse:

    Estamos no caminho certo. Mãe de menino e menina, fico tranquila em saber que estou, além de cercando-os de amor e respeito em casa, também no Jardim de infância, nos passeios que fazemos (por ex.: ABOLI definitivamente o zoológico de nossos programas… fui uma vez na onda e NÃO mais)… ADORO que a Carol saiba arrumar a cama dela, trocar as bonecas e também limpar e desmontar algumas peças da bicicleta do pai… Será a mesma coisa com o José Antonio! Cuidará e amará as suas coisas, por que são assim os que o cercam…. e tendo amigos com o mesmo pensamento, isso tudo terá muito mais sentido pra eles. Me achava um E.T., mas agora tenho tantos outros ao meu lado que já me sinto em casa! Amo vocês e sou muito feliz por estar tão bem acompanhada nesta jornada difícil de viver!

  12. Dani Brito disse:

    Ai, Gabi.

    Foram tantos os questionamentos depois que vi a canalhice desse cara. Que direito ele tem? Por que a mulher que transa com ele merece ser tratada como lixo?

    Como será para minha filha namorar com esse medo de cair na “rede”? E filho meu também não fará uma coisa dessa…ai dele…

    Beijo, querida.

  13. disse:

    Mães como vocês fazem um mundo melhor. Infelizmente não me surpreenderia se a mãe desse escroto for lá no juiz falar que “o filho ta certo pois menina direita não faz o que essa aí fez”
    Nojo!!!!

  14. Gabi, valeu demais pelo texto! Vou compartilhar com minha amada mãe, que me criou assim igual a você faz com os seus. Por esta criação, eu sempre fui o “viadinho” da família e da turma, independente de estar noivo e de até já ter sido “ajuntado” com uma moça. Foi exatamente, também, o que me fez ser hoje em dia extremamente pró à causa dos homossexuais, pois sofri e sofro o preconceito que eles sofrem na pele. Meu novo sogro esses dias disse que eu deveria sair da cozinha e deixar as mulheres lá, pois homem tem é que beber e conversar, voltei pra cozinha, além do papo, lá me senti mais homem e mais útil lavando louças, cozinhando e fatiado as coisas.

    • Henrique Araújo disse:

      Ótimo comentário, Rodrigo. Eu também tive essa criação e levei os mesmos rótulos. As pessoas não aceitam que um garoto tenha uma educação diferente da que a maioria tem. Sociedade e seus rótulos… Enfim, parabéns por fazer a diferença!

    • Dani Brito disse:

      Rodrigo, adorei teu comentário. Sabe, esses dias tivemos uma conversa com nossa filha, meu marido e eu, sobre namoros, paqueras e respeito aos limites dos outros e meu marido disse que sempre foi tido como o “viadinho” simplesmente por respeitar mulheres. Por não incomodá-las no meio da rua, por não compartilhar o que fazia na intimidade com o grupo de amigos, primos e irmãos. Veja que situação! Por que isso é tido como aceitável? Por que isso é amplamente incentivado?

      Graças a pessoas como a Gabi e tantas outras, cultivo a esperança de que possamos extirpar o machismo no espaço de uma geração (como disse Isabel Allende).

      Sigamos juntos.

      • Gabi Sallit disse:

        Juntos, de mãos dadas, porque esta corrente é forte, Dani!
        A Elisa, que é leitora aqui do blog, adorou o Balzaca, vc viu?

      • Bárbara disse:

        E ainda tem a homofobia enraizada na sociedade, né? Qual seria o problema se ele fosse realmente gay?
        É muito preconceito pra gente combater! À luta, moças!

      • Pois é Dani, há muito o que lutar, pois o que disse a Barbara aí embaixo devia ser exatamente o questionamento do seu marido, eu pensava: mas, gente, e seu eu quiser ser gay, qual é o problema? E perguntei diversas vezes a amigos mais próximos o que eles fariam e eles ficavam indignados dizendo que iam me bater, que nunca mais conversariam comigo, coisas assim. Era indignante.
        E tinha ainda uma outra coisa, as mulheres tinham o mesmo preconceito sobre a criação. Quantas vezes uma moça que eu estava saindo não me perguntava: “você é gay?”. Eu questionava o por quê e elas soltavam pérolas como: “você sabe de moda, se veste bem”, “você é muito cavalheiro…”, “você é sensível…” e por aí ia o show de horrores.
        O machismo está incrustado em nós às vezes muito mais do que conseguimos mensurar.
        É luta diária, detalhada, suada!
        À luta!

    • Erika disse:

      Rodrigo, muito pertinente seu comentário. Tenho me preocupado com a possibilidade do meu filho sofrer preconceito. E a cobrança aumenta na medida em que eles crescem. Meu filho sempre me chamou de “mamy” e o pai de “papy” e ninguém falava nada. Agora que ele vai fazer 8 anos (e também por causa do Félix) as pessoas resolveram pegar no pé dele por isso.

      Não quero sofrimento pra ele e não quero criar um ogro. É difícil tomar as decisões que possibilitem um meio termo.

  15. Elisa disse:

    Gabi, só pra dizer que você obviamente faz o que quiser no blog, mas tem meu apoio pra deletar comentários machistas. Seu lindo blog nao merece ser mural para pensamento torto.
    Bjs!

  16. Elisa disse:

    Cada um que aparece… eu hein. E ainda vem querer responsabilizar uma menina de 15 anos (e a criacao que ela recebeu, e o corpo de mulher da menina) por uma, digamos, semi-pedofilia de um homem de 30. É por esses e outros pensamentos que colocam sempre mulheres – e, pasmem, meninas – como bruxas enfeiticadoras e homem como pobres vítimas enganadas que ainda estamos BEM longe do razoável.
    Qual é a inocência num sujeito que exibe foto íntimas de outra pessoa? Qual é a inocência num homem feito que namora menores de idade?
    Beijinhos solidários a todas daqui que, tendo meninos e/ou meninas, se esforcam para criar pessoas honradas que irao melhorar esse planeta.

  17. Isadora disse:

    Sou mãe de menina e sei que jamais vou fazer terrorismo sexual com minha filha, enchendo a cabeça dela de proibições sem sentido. Quero que ela entenda que é livre para ser feliz, e por isso pode fazer tudo desde que tenha consciência e maturidade. Amor próprio, auto-confiança, conhecimento de seu corpo.

    Mas um alerta vou dar sempre: ame você mesma, decida o que quer, e faça o que quiser, mas, lembre-se, o mundo é machista!

  18. Patricia disse:

    Oi Gabi! Como você, tenho um menino e estou grávida de outro. E também me preocupo com tudo isso. Detesto aquelas brincadeiras de familiares: “E aí, menino? Já pegando muitas menininhas na escola?” Isso pq meu filho tem 2 anos e meio. Aff… Dou bronca mesmo, digo que não gosto – e que não quero – esse tipo de brincadeira machista. Aí dizem que estou exagerando, que é só uma brincadeira… Nem me abalo. Prefiro cortar o mal pela raiz. Beijos!

  19. Bárbara disse:

    Nossa, Gabi. Sabe que é uma preocupação minha tb? até publiquei um textinho no FemMaterna sobre isso. Morro de medo de ter um machistinha, racista e homofóbico.

  20. Cariny Cielo disse:

    Eu cuido disto constantemente, sendo mãe de 3 meninos! E boto o marido no compromisso pois eu sei que se miram no pai…

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