Para minha parteira, com amor

Um dia, em março de 2013, acordei sangrando. Já tinha visto este filme triste, quando perdi minha primeira gravidez, dois anos antes do meu filho nascer. Só pensava que não aguentaria passar por aquilo de novo. Ia quebrar, desabar, morrer. Tinha certeza.
Alguém disse para eu me consultar com a Míriam Rêgo. O bebê estava perdido, eu já tinha a confirmação do aborto. Para que procurar uma parteira? Insistiram. Eu aceitaria qualquer receita para fazer aquela dor passar. Naquela hora, não sabia que o remédio sugerido era tão bom.
Fui me encontrar com a Míriam na casa dela, no meio do mato. Enquanto eu chorava o luto, consolada por evidências científicas, meu marido e meu filho brincavam com seus três cachorros. Um deles, o Apolo, dividia um pacote de biscoitos com João: “um pala mim, um pala você.” Achei estranho como todos nos sentíamos em casa, naquele lugar no qual nunca tínhamos ido.
Mais tarde eu descobri que minha primeira impressão estava errada. Não era a mata, o cheiro de terra, os labradores, nem as orquídeas que nos davam a sensação de pertencimento. Era a parteira. A Míriam é estar em casa.
Dois meses depois eu estava grávida de novo, desta vez de um bebê que queria nascer. A cada consulta pré-natal, no meu sofá, ouvia o coração do Francisco e tentava me concentrar para definir o super poder da parteira: mimetismo? Telepatia? Materialização? Que mágica faz com que alguém seja tão leve e, ao mesmo tempo, passe tanta segurança? Nos três dias que passou comigo, enquanto esperávamos o tempo do meu bebê, ela sempre estava lá, mas nunca o suficiente para me incomodar. Não era uma presença sólida, impositiva: era uma espécie de manta translúcida, que me cobria, me protegia, e se movia conforme os meus movimentos.
Aquele bebê que foi embora me trouxe uma grande amiga, que recomendo, como enfermeira obstetra, a todas as grávidas que confiam em mim. Com aquelas que preferem um médico, me acham “muito radical”, ou “não querem gastar com isso”, eu insisto: “vai lá, só uma vez, para conhecer”. Eu conheço as barrigudas, sei que uma vez é suficiente: basta estar em casa, para sempre querer a casa…
ChegadadoAntônio_Prints-83

Crie o site do seu Neném

Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

VENHA, e CONECTE-SE COM A VILA!

Receba as novidades em primeira mão!

Esta entrada foi publicada em Sem Categoria. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

2 respostas a Para minha parteira, com amor

  1. Livia disse:

    Que bom ter vc de volta ao blog!

  2. Simone disse:

    Gabi,que lindo tbm sou doida pra ir atrás dá miriam e olha que a sigo só no perfil não a conheço mais ela me passa uma segurança imensa,infelizmente meu bb3 não virá ,tive um aborto retido a 15 dias onde não sei dá onde saiu forças aguardei o processo caminhar sozinho e tô passando meu luto mãe de 3 sem 3.Tive a super ajuda dá beca que não é parteira mais é uma pessoa maravilhosa que foi meu suporte enquanto o sangramento era apenas contudo ,hospital e profissionais que lidam com tanta frieza no mesmo ambiente eu com perca gestacional,mães aguardando indução por estarem em 40 semanas tudo num mesmo lugar agora é aguardar se terei ainda um outro presente no futuro na qual eu nunca na vida me imaginei passando por isso mas sei que Deus nos capacita,abraços e ficou linda a homenagem pra alguém que esteve tão presente em momentos dá sua vida bja

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>