Projeto Licença Maternidade – Com Mariana Sá, viciada em colo sem consumismo!

Conheci a Mariana Sá por causa deste post aqui, do Infância Livre de Consumismo. Para mim, deveria ser um termo de adesão, quando você resolve ser mãe e blogueira.

O Infância Livre de Consumismo está no kit essencial das mães bacanas. Quando uma amiga resolve engravidar, digo para ela que, antes do palitinho de xixi, tem que ler Soluções para Noites sem Choro, colocar o Infância Livre  de Consumismo nos favoritos, arrumar uma caixinha de Chá da Mamãe da Weleda, e esconder pacote de chumbinhos da Kopenhagem na gaveta de calcinhas. Não dá para viver sem.

Neste post bacana, que escreveu para o Dadadá, ela fala de coerência: não dá para se jogar contra o sistema para conseguir parir e enfiar o filho de seis meses na frente da galinha pintadinha. Não dá, amiga. É coisa de louco.

Deliciem-se com o texto e aproveitem e passem no Viciados em Colo. É viciante.

Educar-se – Mariana Sá*

 http://bit.ly/1fqLnvS

http://bit.ly/1fqLnvS

Sempre soube que precisamos nos reeducar para educar uma criança. Digo mais: precisamos questionar cada verdade que aprendemos e refletir muito sobre a forma como fomos criados e como as pessoas criam os filhos. Para cada família, existe uma maneira única de educação e criação.

Se que precisamos nos educar para parir uma criança, precisamos reaprender tudo para fazê-la se desenvolver bem. Se para dar à luz aos nossos filhos precisamos saber muito sobre fisiologia do parto. Em seguida, entender de amamentação e nutrição para sustentar cada uma das nossas decisões. Depois, para criá-los, precisamos entender de educação, pedagogia, psicologia e o diabo a quatro. Mais recentemente, percebi que precisamos também nos aprofundar sobre o consumo de mídias: gastamos neurônios sobre o que nos nutre pela boca e quase nada sobre o que nos nutre pelos olhos e ouvidos.

Há quem tenha os filhos em casa, ao som de mantras, e os coloque para assistir a desenhos musicados com seis meses?

A humanização do parto, a amamentação exclusiva e prolongada e a alimentação saudável tem tudo a ver com subversão, tem tudo a ver com ir contra o hegemônico, tem tudo a ver com questionar cada orientação e a cada “verdade” que aprendemos antes da maternidade. Entre estas de que podemos deixar nossos filhos consumir mídias assim como nós consumimos e que existem produções que “ajudam no desenvolvimento dos bebês”. Não ajudam!

Não há benefício para bebês com menos de dois anos deixá-los diante de uma tela. Ponto! Não há nada que acrescente ao seu desenvolvimento nas produções audiovisuais para bebês. Nada! Simples assim! E não sou eu quem está dizendo, são pesquisas científicas da Academia Americana de Pediatria. Aqui: http://bit.ly/1b1iRhy

Existe alguma atividade que seu filho se mantenha parado pelo mesmo tempo em que fica quietinho diante da tela? Quando você está cozinhando, por quanto tempo ele fica entretido com os potes plásticos? Quando você está estendendo roupa, por quanto tempo ele remexendo os pregadores? Arrisco dizer que não existe atividade que absorva mais a atenção de uma pessoa do que estar diante de uma tela, seja de televisão, de jogos ou do celular mais moderno.

Por isso tudo, as telas ganharam status e passaram a ser recursos importantes para as mães que precisam dar conta de algumas atividades em que não podem estar com os bebês, afinal precisamos ir ao banheiro, colocar o frango no forno ou responder aos e-mails e às notificações das redes sociais.

Assim sendo, precisamos ter consciência que o recurso “tela para bebês” só deve ser usado em benefício da mãe. E, em sendo um benefício para a mãe, não deve prejudicar o bebê. Por isso, os conteúdos precisam ser escolhidos a dedo como escolhemos a cenoura na feira: com muito cuidado e reflexão para não contaminar o bebê. Devemos oferecer as “telas” como oferecemos guloseimas: em quantidade mínima e em ocasiões esporádicas. Devemos racionar sobre a oferta a introdução da tevê, dos DVDs portáteis ou dos celulares como oferecemos fórmulas artificais: nunca deve ser a primeira opção de entretenimento para bebês com menos de dois anos.

(*) Mariana é publicitária e mestra em políticas públicas. É mãe de dois, escreve no blog viciados em colo e é Co-fundadora do Movimento Infância Livre de Consumismo.

 

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar “meu Gabriela é com 2 Ls” antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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7 respostas a Projeto Licença Maternidade – Com Mariana Sá, viciada em colo sem consumismo!

  1. Pingback: Meu filho só gosta da tevê e de mim ‹ Milc

  2. Leonardo Dutra disse:

    Sou pai de um menino de 1 ano e três meses e um adulto de 24 anos. Sou professor e pesquisador de audiovisual, especificamente focado em animação (25 anos de vida profisisonal, 15 de acadêmica).
    Meu filho nunca viu Galinha Pintadinha, que considero um produto de baixa qualidade, oportunista e pausterizado.
    Mas vê e adora o Batatinhas, o Pingu e outros produtos que passam na Rede Minas (certamente a melhor emissora pública do país – avalio todas por satélite) e outros que seleciono para ele.
    Conheço pessoalmente a política da emissora para o público infantil (07 a 12 anos) e tenho trabalhos de alunos meus no ar por essa emissora desde 2012.
    Animação é a mídia ideal para desenvolver estímulos pré-intelectuais, ou seja, para lidar com o anterior à linguagem à denominação normativa das formas e das cores – limitações sociais que os bebês não tem, como explica Stan Brakhage.
    O fato de uma criança de menos de dois anos “não estar entendendo” uma animação só pode ser prejudicial em uma perspectiva que privilegia a intelecção e pouco a sensação – a cara da nossa sociedade ocidental fabricante de operários que precisam desde cedo aprender “coisas úteis” como tal.
    O problema que vejo é a criança desenvolver uma relação de afeto com um produto por estímulos sensoriais cuja mensagem que ela mais tarde irá entender é pobre, como por exemplo os que pretendem ter conteúdo de educação ambiental mas colocam predadores e presas na condição de algozes e vítimas, deturpando o conceito de cadeia alimentar entre outros diversos equívocos.
    A questão é bem mais complexa que “sim ou não”. Demanda que os pais saiam da sua ignorância sobre o que não é “funcional” ou “educativo” e tenham mais cultura e conhecimento sobre arte e menos marcas de carro, de cosméticos e nomes de jogador de futebol na cabeça.
    O que não falta é animação de extrema qualidade no mundo inteiro, para todas as idades, que com certeza não é a primeira coisa que se acha no You Tube.

  3. Silvia Azevedo disse:

    Bom senso e equilíbrio sempre.

  4. Rosana Alves Ramos disse:

    Enquanto ninava minha pequena Elisa, de 3 meses, esse artigo estava aberto aguardando minha leitura… E nesses 15 minutos passei a pensar no quanto me identifico com as blogueiras que aqui colaboram…
    Foi inevitável pensar que, talvez, em algum momento, eu teria dedos apontados em minha face por ter feito uma cesariana… Apesar de todo o planejamento do parto normal, minha pequena permaneceu pélvica e, decidi não arriscar nenhuma manobra…
    Apesar da resistência do obstetra, consegui deixar a cesárea para o mais tarde possível, porque desejava, e muito, entrar em trabalho de parto. E foi o que aconteceu… Em trabalho de parto, foi realizada a cesariana… E minha BB foi reanimada, pois nasceu em apnéia, umas das complicações comuns em BBS pélvicos. Em resumo, pra uma defensora do parto normal, tomar a decisão consciente de uma cesariana foi tao difícil quanto enfrentar o pré conceito de ambos os lados (defensores de um ou outro tipos de parto).
    Mas o que me tocou a comentar esse post foi exatamente a reflexão que eu vinha fazendo antes de ler esse artigo, enquanto ninava a pequena Elisa.
    Vejo grávidas desesperadas pelo “melhor parto do mundo”, e apesar de acreditar que o melhor é o mais natural, a grande verdade é que o melhor é aquele q não coloca mãe e bebê em riscos desnecessários (e reais).
    Mas depois que seus BBS nascem, vejo essas mesmas mães colocando seus filhos em frente a TV como bem falou a Gabi…
    E vejo mães carregando seus filhos em cangurus que farão algum mal ao desenvolvimento motor desse BB, ou aplicando métodos para sono que mais parecem saídos de quartéis generais, ou colocando seus BBS em andadores (atitude abominável, já que todos os riscos e malefícios são amplamente divulgados). Enfim… Sinto que, muitas vezes, a escolha pelo “melhor parto” acaba assim… E só nessa atitude… E, desculpem, mas me parece ser somente algo a acrescentar em seus egos inflados, quando a seguir vc tem um bebê em seus braços, e pra ele o parto foi maravilhoso e fundamental… Mas foi só o inicio de uma vida que necessita de muito mais doacao, amor e paciência do que se pode imaginar.

    Gabi, obrigada por gerar reflexão… E por me ajudar a saber que não estou só nesse mundo! Beijos

  5. Debora Colley disse:

    Nunca usei a TV como babá eletrônica, mas agora que meu filho tem 2 anos ele está começando a pedir para assistir alguns programas, seja pela TV ou pelo tablet. Não proíbo (sou da opinião que tudo que é proibido torna-se mais interessante), mas nunca sugiro e quando ele assiste qualquer distração é uma brecha para mudar de atividade.
    Mas o que mais me incomoda é ter que lutar contra tudo para sermos boas mães! Eu tive parto normal por “sorte”. Eu achava que o parto normal era o natural e, a não ser que tivesse algum problema, era assim que meu filho iria nascer. Mas sofri violência obstétrica pois não sabia que precisava lutar contra o sistema até num momento tão sublime. Optei por educar sem palmadas e parece que tenho que provar a todo instante que essa educação dá certo, quando deveria ser o contrário. Para alimentar bem meu filho tenho que gastar o triplo do tempo no supermercado lendo todas as letrinhas miúdas, pois as informações realmente importantes são as que estão mais escondidas. E para criar meu filho sem que ele seja viciado em TV preciso me virar sozinha pois quando falo que é essa minha opção o mais comum é ouvir que sou uma iludida, idealista ou radical, ser criticada ao invés de ajudada.
    E seguimos questionando cada verdade! A minha esperança é que não demore muito para que as verdades da maioria sejam realmente a verdade e não tenhamos mais que nadar contra a maré.

  6. geisa ribeiro disse:

    Uauuu…..que texto excelente! Sempre refleti sobre isso, mas meio que instintivamente. .sou totalmente favorável a esta idéia!

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