Quando a gente acha que o filho vai morrer

Francisco prende o fôlego. Simplesmente para de respirar até ficar roxo. É meio apavorante, mas ele sempre volta. Sempre volta?

Dia-destes-não-voltou. N-ã-o-v-o-l-t-o-u.

Ele estava brincando na minha cama, quando Alexandre foi levá-lo para dormir. Ele começou a chorar, o que é praxe quando ele já está cansado mas quer esticar a brincadeira. Alex o pegou no colo e foi para o quarto dele, que já estava prontinho: cama feita, escurinho. Ele ia deitando-o quando… PORQUE ESTE MENINO NÃO ESTÁ RESPIRANDO?

Ele correu para o meu quarto e me entregou um bebê mole, com os lábios roxos e olhos parados. O minuto seguinte durou cinquenta anos:

Eu o peguei e fui tropicando pelas escadas, enquanto o marido tentava interfonar para um vizinho médico. Chamei o elevador e fiquei esmurrando a porta do outro apartamento do meu andar, de calcinha e soutien. Ao mesmo tempo, soprava a boca dele e o esmurrava, imaginando estar fazendo alguma coisa tipo massagem-cardíaca-e-respiração-boca-a-boca, sei lá. Ele foi ficando mais bambo e mais roxo, até que desmaiou. E, aí, voltou a respirar, devagarzinho, até acordar, assustado.

Não durou nem dois minutos, mas eu achei que ia pirar.

Só pensava: “meu deus, meu deus, não deixa meu filho morrer. Por favor, por favor, por favor, não deixa o meu filho morrer. Eu não vou aguentar, eu não vou aguentar.” Meu pensamento ficou gago.

Agora, escrevendo este post, sinto meu coração palpitando outra vez. Eu não sei como conseguiria viver se ele tivesse morrido.

Onde encontram forças as mulheres que perdem seus filhos? Como elas acordam pela manhã, comem, riem, trabalham?

Eu sei que a vida sempre encontra uma solução. Sei que quem tem fé sabe que cada pessoa tem seu tempo aqui na Terra determinado por uma missão e que não podemos mudar isso. Sei que tenho outro filho, um marido e uma mãe, que precisam de mim e que eu não ia esquecê-los. Por mais que eu saiba de tudo isso, nos meus dois minutos de pânico eu preferia morrer se ele morresse.

Agora está tudo bem. Logo depois Francisco já estava rindo, alegre e serelepe. Os médicos me explicaram que isso é uma imaturidade do sistema neurológico, sem quaisquer consequências. Não tem sequelas físicas para ele. Eu é que nunca mais serei a mesma.

Franquico lindo

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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39 respostas a Quando a gente acha que o filho vai morrer

  1. Rosemeire disse:

    Com meu filho Jorge de 4 anos aconteceu hoje. Ele estava a empurrar uma cadeira e derrepente caiu em cima dela e bateu o peito. Perdeu o ar na hora e desmaiou. Peguei ele no colo sacudi r dei uns tapinhas nas costas. Ai ele foi voltando devagarinho. Nunca havia passado por uma situação dessa. Quase morri de preocupação.

  2. Um dia desses aconteceu isso com meu bebe de 2 anos. Ele estava brincando, e de repente caiu, ele chorou um pouco, e derepente perdeu o folego, nossa foi horrível, ficou roxo, mole, e desmaiou em meus braços, foram os piores momentos da minha vida, ele ficou uns 2 minutos desacordados, enquanto eu balançava, gritava, e clamava a Deus pela vida dele. E ai ele voltou a respirar, nunca irei esquecer esse dia horrível, passo a noite olhando e dormir, e agradeço a Deus pela vida do meu bebe.

  3. Luciana disse:

    Sabe Gabi, eu ainda não tenho filhos, mas uma vez vivi uma situação parecida. Meu afilhado de 4 dias estava dormindo, deu um suspiro e a respiração não voltou. Ele ficou todo mole no meu colo quando eu entreguei para mãe dele. Foi desesperador! A pior exeperiência da minha vida, sem dúvidas! Até hoje quando penso em ter filhos essa lembrança me atormenta. Obrigada por compartilhar conosco. Adoro teu blog. Beijo.

  4. Ananda Murthy disse:

    Lendo vocês nas suas dores e dúvidas maternas me sinto acolhida e mais humana. Minha filha há dois meses atrás caiu da cama, deixei ela bem no meio com travesseiros ao redor e virei a costa pra pegar a fralda, nessa virada escuto um barulho que nunca vou esquecer, qdo olho ela no chão com os olhos assustados, eu corri com ela pela casa, ela num choro diferente de dor e susto, eu repetindo in controladamente: por favor Deus, por favor, tá tudo bem filha, por favor…
    Liguei pro pai dela que veio do trabalho correndo, fomos no hospital, tudo bem no exame; mas a culpa, a lembrança do barulho dela caindo, o choro, ficaram martelando na minha cabeça e no meu coração. Muitos desafios no Maternar, somos responsáveis diariamente por uma vida e isso demanda de nós habilidades quase à perfeição. A sociedade quase não nos acolhe e muito nos condena quando erramos. Ficarmos juntas nessa corrente nos torna fortes e mais confiantes.
    Obrigada!

  5. Ludmila disse:

    MENINA que PAVOR e Desespero…até meu coração palpitou quando li…..minha bebe tbm quando chora as vezes perde bem pouquinho sabe e a boquinha fica meio roxinha mas nada demais….mas imagino seu desespero e aflição DEUS abençoe que nao volte acontecer e se acontecer nao te pegue assim despreparada….sem sbaer o que que fazer…DEU DO CÉU…….perder um filho deve ser DESESPERADOR……..fiquem com DEUS

  6. Dayana disse:

    Oi,

    Que aflição eu sinto em ler esse episódio.
    A Sofia com pouco mais de um aninho teve uma convulsão febril e estava em casa com minha mãe e a baba, fui pra casa feito uma louca e quando cheguei o SAMU já estava lá. Poucos minutos que se tornam eternos.
    Minha irmã perdeu a filhinha com pouco mais de dois anos. Presenciei tudo de perto e é algo INDESCRITÍVEL. No princípio pensamos que ela não iria aguentar, mas com a ajuda de Deus ela seguiu em frente.
    Tenho uma amiga que também perdeu uma filha pequena em uma festa de aniversário infantil e estava com outro filho ainda bebê. Ela também seguiu em frente e compartilhou suas emoções em um livro “Entre o céu e a terra”.
    Essas e todas as mães que sofrem essa perda jamais são as mesmas…
    Abs, muita saúde pra seus filhotes.

  7. Meirylan disse:

    Sei bem o que é isso: Crise de perda de fôlego. Quando aconteceu pela primeira vez com o Lucas ele tinha 5 DIAS de vida!!!!! As crises aconteciam a cada 2 meses mais ou menos. Foi ficando cada vez mais longo o período sem respirar e chegou a desmaiar. Achei que ele estava tendo uma convulsão pq ele chegou a virar os olhos e com o rostinho roxo tb. A pediatra disse que não é para dar muita atenção a esses episódios, pois isso é uma forma de reforçar esse choro gerado pela frustração. Depois dessa orientação aconteceu mais 2 vezes e eu digo que a gente não acostuma a ver essa cena horrível. O que é possível fazer é não deixar o bebê ficar muito nervoso durante o choro, mas tb não é para ceder e fazer as vontades dele. Se caso ele tiver outra crise, durante a falta de ar, pressione peito num golpe rápido e com força. Boa sorte!!

  8. Ana Paula disse:

    Oi Gabi,
    Sempre leio seu blog e nunca comento por aqui…no caso deste post não podia deixar passar.
    Tenho 2 filhas, um de 7 anos e outra de 2. A mais velha passou por isso, na mesma fase que Francisco, 1 ano e pouquinho e tb desmaiou, estava sozinha c/ a empregada no dia, perdi o chão qdo ela desmaiou e somente consegui entregar nos braços da empregada e clamar por ajuda. Tb foi mto rápido, ela voltou logo, como se nada tivesse acontecido, somente pálida e suada. Liguei imediatamente ao pediatra que me confortou e esclareceu, mas meu medo foi tão grande que preferi procurar por um neuropediatra nos dias seguintes.
    Caí nas mãos de uma excelente especialista, que somente ao examinar e ver minha filha já esclareceu exatamente isso, nada grave, nada de sequela, nada de pavor, somente algo fisiológico que pode acontecer em algumas crianças normais e tende a desaparecer sem qualquer medicamento ou intervenção ainda na primeira infância. Mas me alertou que isso poderia acontecer novamente em outras situações e me orientou como proceder caso houvesse novos desmaios, o que nunca mais ocorreu. Porém, a perda de fôlego, o roxeamento das estremidades, ficar molinha e demorar a voltar, isso sim aconteceu outras vezes com a família e depois em alguns episódios na escola.
    Sempre que ela ia chorar era tenso pra mim, p/ nós. Eu deixei fixo em casa um papel com todos os telefones de emergência, orientei nossa família e tb a escola e todos próximos em como proceder p/ que ela voltasse logo e não chegasse à desmaiar.
    Realmente desapareceu somente por volta dos 4 anos, nunca mais ela perdeu o folêgo e não apresenta nenhuma sequela física, emocional ou qq outra.
    Fique em paz, mas esteja preparada e oriente os demais cuidadores dele, p/ que saibam o que fazer, pânico não ajuda, mas ficar parado tb não.
    Se qq criança estiver desmaida deite-a no chão, barriga p/ cima, estenda as 2 pernas retas até a cabecinha, simultâneamente. A oxigenação melhora e rapidamente ele retoma os sentidos. Qualquer coisa estou à disposição no e-mail ok. abraço

  9. Bárbara Darc disse:

    Meu coração doi só de recordar o sufogo que passei ontem,minha pequena (8 meses e 29 dias) estava no meu colo bebendo àgua e de repente. engasgou,começo a buscar o ar e nada de conseguir.Nossa,eu a chamava e ela se sacudindo em desespero,consegui raciocinar e coloca-la de bruços e dar tapas nas costas,ai sim ela conseguiu voltar a respirar e chorando com agua saindo pela boca e nariz.Depois eu tremia tanto,tanto que nem sei como consegui continuar com ela no colo.Graças a Deus tudo terminou bem e ela está aqui,pois não gosto nem de imaginar minha vida se o desfecho tivesse sido outro.

  10. Bárbara disse:

    Um abraço por aqui tb, amiga.

    que susto!!!!

    e que as mães que perdem seus filhos encontrem forças sei lá onde, porque só de pensar tenho vontade de chorar.

    beijo enorme

  11. Marcela disse:

    nossa gabi…que sustão.
    Deve ser um terror tremendo essa sensação. Tomara que não volte a acontecer. fiquem com Deus.
    bjos

  12. Dri disse:

    O dia mais triste da minha vida foi ir ao sepultamento de uma criança de 8 anos. (escrevi esta linha e já comecei a chorar.)
    Filho da professora do meu filho, todos os dias a encontro. Todos os dias peço a Deus para ampará-la, porque a dor ainda não saiu de seus olhos.
    (continuo chorando).

  13. ca disse:

    chorei junto! :( que sufoco. MEDO

  14. Elisa disse:

    Gabi, me coracao parou de pulsar. Que horror! Torcendo que isso nunca mais se repita.
    Faz três semanas que o Rafael rolou escada abaixo debaixo dos meus olhos (por um milagre ele parou no primeiro 1/3 do lance de escadas e fora um cortezinho e olho roxo de boxeador nao aconteceu nada). Penso nisso todos os dias desde entao, já revi mil vezes a cena em flashback slowmotion sempre desejando ter o superpoder de ser rápida ou de esticar meus bracos para poder segura-lo a tempo. Nunca me senti tao impotente na vida.

  15. Carol disse:

    CAramba Gabi!!Fiquei sem ar de ler! que terror!
    Eu acompanho umas meninas no instagram e uma delas perdeu o bebe no parto. Confesso que choro toda vez que leio os posts dela!
    Ainda bem que o Francisco esta bem!!
    Bjos e que os meninos fiquem bem!

  16. Helena disse:

    Ei Gabi nossa que aperto! Eu também vivenciei esta sensação há pouco tempo quando Maria engasgou e ficou sem ar eu gritava , virei ela de cabeça para baixo e dizia por favor Deus não leve minha filha . Eu rezo sempre para as mães que perderam seus filhos

  17. Fabrina Dutra disse:

    Nossa senhora, nenhuma mãe no mundo deveria passar por algo assim.

  18. Helena Villas Bôas disse:

    Nossa, querida, um abraço muito apertado em você! Que desespero… Também já passei por situações assim e, realmente, é como se o chão se abrisse e não conseguíssemos pensar em mais nada. Na primeira vez, voltando da primeira viagem sem o filho, achando que não iria encontrá-lo vivo quando chegasse. NA segunda vez, correndo com o menino desacordado no colo, até o pronto atendimento do hospital infantil. Não posso nem imaginar o que é a vida depois da perda de uma parte tão importante da gente… Beijo grande nesses dois filhotinhos lindos que você tem <3

  19. Mariana disse:

    Estou numa loja de roupas no shopping e me deu uma crise de choro. Povo tá tudo preocupado! Imagina a hora que souberem que é por uma mãe que não conheço, rs… Mas mães se entendem! Compartilham dores. Que bom que ele está bem! Bjs

  20. Silvia Castelo Branco disse:

    Sei bem o que é isso. Momentos de pavor que nunca saem da nossa memória. E no meu caso já se fazem 17 anos. Num momento de descuido deixei a Isa cair do trocador. Ela ficou amolecida, e eu só repetia que eu quase tinha matado a minha filha. Fui para o hospital em prantos, até todos os exames serem feitos morria de medo que a queda tivesse deixado alguma sequela. Este sentimento se repetiu quando ela tinha uns três aninhos e caiu na casa da minha mãe. Embora me dissessem ao telefone que caiu da altura de sua própria estatura só pensava na escada perigosa que tinha na casa, deixei dois clientes na mesa de atendimento e fui aos prantos para o hospital . Só fiquei tranquila quando a vi, já com o supercílio costurado na entrada do hospital. Memórias inesquecíveis, infelizmente. Os medos mudam com o decorrer dos anos, na adolescência o sentimento de perda sempre aparece, em doses homeopáticas e suspiros, quando marcam o horário de chegar e não cumprem, por exemplo e aí vivenciamos a maternidade entre momentos plenos de amor e alegria e outros não tão bom assim, mas inesquecíveis. Sempre inesquecíveis.

  21. Roberta Duval disse:

    Nossa…não sabe como eu abri este email desesperada!!!!
    que susto! fiquem bem! graças a Deus não terá sequelas por esta “brincadeira”… e que vcs superem e saibam lhe dar com isso.
    bju enorme Gabi.

  22. Natalia Sá disse:

    Nosssaaaaa mil lagrimas pulando dos olhos, minha filha nasceu prematura e ficou 34 dias em uma UTI, todos os dias eu morria de medo de chegar e ela não estar la. Não tenho como conter as lagrimas escrevendo isso. Não sei se é trauma ou só “medo de mãe” mas nem gosto de pensar, pois é sempre um sofrimento.
    Concordo com a pergunta: Onde encontram forças as mulheres que perdem seus filhos?
    Só Deus mesmo!!!
    Bjos

    • Gabi Sallit disse:

      Não sei, Natália. De verdade, não faço ideia.

    • Carla disse:

      minha filhinha tbm nasceu prematura e, na primeira tentativa de retirada do respirador mecânico ela sofreu uma parada cardiorrespiratória. O atendimento foi rápido, introduziram o respirador novamente, não houve sequelas, exceto em mim e no pai, que nunca mais conseguimos esquecer. Não há como descrever o pânico e a total impotência diante da possibilidade da perda. O medo foi tamanho que doía fisicamente, parecia que o peito iria explodir de tanta dor… Graças a Deus a Laura é uma criança saudável e já está com 4 anos, nos enchendo de amor. Bjs a todas

  23. Constança Pimenta disse:

    Em lágrimas, aqui!!! Sei exatamente o que é isso! Apavorante!!!!Marina prende o ar quando chora, às vezes, e fica com os lábios roxos em milésimos de segundos. A pediatra diz que ela tem controle sobre isso e que vai voltar, mas vai saber… Fico sempre atenta às birras dela e deixo todos em alerta.

  24. Raquel disse:

    Gabi querida. Sinta-se abraçada. Como você bem sabe já passei por algo parecido (quase perder o filho) mais de uma vez. Não tem nada que descreva essa sensação de impotência diante da situação, angústia, desespero, não gosto nem de pensar. Graças a Deus ele está bem! Um abraço!

    • Gabi Sallit disse:

      Raquel, eu achava que sentia empatia. Ouço muitas histórias tristes no escritório e sofro com as mulheres que as contam. Agora eu sei: sofro COM elas, nunca COMO elas. É impossível sofrer como uma mãe.

      • Raquel disse:

        Sim. É indescritível o sentimento. E depois de passar por tudo isso damos muito mais valor a cada segundo ao lado deles, cada sorriso, cada abraço que eles nos dão. Também não sei de onde as mães que não tiveram a mesma sorte que nos tiram força.

  25. Gabi Ramalho disse:

    MEO DEOS DO CÉU!!!

    Perdi o ar lendo! Prendi quando vi a “chamada” no facebook e tb acho que não voltaria se o final fosse outro!!
    Que angústia, Gabi!!! Que terrível!

    Que bom que terminou bem e que não significa nada mais grave pra saúde dele…
    Mas imagino mesmo que uma experiência dessas mude a gente lá no fundo!

    Te mando um abraço forte!!

    Beijão

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