Seu médico é o ÚNICO do plano que faz partos normais. Ou ele está mentindo.

Você vai ter seu bebê pelo plano de saúde? Seu médico diz que “faz” parto normal?

Faz o seguinte, então. Vai para uma pracinha no próximo domingo. Senta lá. Espera outra grávida vir falar com você. É tiro e queda, vai acontecer.

Quando o papo tiver engrenado, descobre se o plano de saúde dela é igual ao seu. Se for, pergunta se o médico dela “faz” parto normal. Provavelmente ela vai dizer que sim.

Depois, entra nesta listinha aqui (clica no link), que foi divulgada pela ANS. Ela informa o percentual de cesáreas e partos feitos por cada plano.

Seu plano, provavelmente, tem por volta de 90% de cesáreas (como todos os outros).

Aí você conclui: ou você é a mais sortuda da história e encontrou não só 1 médico que assiste parto normal no seu convênio, mas 2, ou estes caras estão mentindo para você e para a amiga da pracinha.

Fica esperta, gata.

Mentiroso

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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25 respostas a Seu médico é o ÚNICO do plano que faz partos normais. Ou ele está mentindo.

  1. Silvio Reis disse:

    Em um documento do GoogleDocs divulgada no facebook com o link para o seu blog, a medica que fez o parto normal do meu filho aparece pelo convenio Bradesco, que eu usei com ela, com 100% de taxa de cesárea, mas meu filho nasceu de parto normal! Ele nasceu as 6h30 de um sábado. A minha mulher passou a noite de 6a para sábado em trabalho de parto, ou seja, um programão para um fim de semana para a equipe medica: obstetra, anestesista e pediatra. O erro é uma enorme injustiça pois ela é conhecida por fazer parto normal e não insistir em fazer cesárea. Ela nos foi indicada por uma amiga bailarina queria parto normal para ser recuperar mais rápido para voltar a dançar e o obstetra inicial dela simplesmente viajou para um congresso quando ela estava com quase 40 semanas (ele e quase todos os obstetras do RJ) e foi a nossa médica que a aceitou de emergência e fez o parto normal do 1o filho dela. Ela ficou pois previu que isso iria acontecer e tinha pacientes nas ultimas semanas. E fez tambem o parto normal da 2o filho da minha amiga. O meu segundo filho será com ela e também será parto normal. Tenho certeza que a lista está errada. Não sei de onde vem o erro, mas suspeito que estejam usando os dados da “prévia de reembolso” e não o real. Pode ser também por causa da forma do reembolso. Lembro que o Bradesco não cobre o 2o obtestra em caso de parto normal e os médicos por precaução sempre pedem a previa para cesárea e montam a equipe com 2 obstetras na sala, mesmo em parto normal o 2o obstetra pode ajudar, mas o paciente não recebe o reembolso. Em caso de atendimento fora do horário normal o Bradesco paga 30% a mais e o valor que o medico recebe para parto ou cesarea é o mesmo, então para um médico ganancioso faz mais sentido deixar nascer por parto normal fora do horário padrão e receber os 30% adicionais. Bom, a lista está errada. Não vou divulgar o nome da médica, mas sei de outro parto normal feito por ela pelo Bradesco e ela não fez uma quantidade enorme de partos para que 2 casos fossem exceção não reduzindo a taxa de 100%.

  2. Lilian disse:

    Eu tenho que discordar em partes. Fiz meu parto normal pelo plano de saúde e numa maternidade de São Paulo considerada cesarista. Não paguei nada a parte, foi tudo coberto pelo plano. Passei por 3 médicos antes de achar o meu. Eu bati o pé e e fui atrás do normal, mudei de médico com 39 semanas! E deu tudo certo. E querem saber mais? Quando engravidei, muitas amigas engravidaram também e apenas duas optaram pelo normal, o resto ESCOLHEU cesariana assim que engravidou! Quando eu sugeria normal, elas se recusavam e diziam que não queriam sofrer. Ou seja, TODAS que fizeram cesária foi por OPÇÃO. Acho que no SUS o número de parro normal é maior, pois é obrigatório, se não fosse, as próprias grávidas optariam por cesária. Ainda tenho mais umas 5 amigas grávidas e 4 delas já optaram por normal assim que fizeram o teste de gravidez. Assim, se as mulheres optarem e lutarem pelo parto normal, vai conseguir, seja pelo plano ou não.

    • Gabi Sallit disse:

      Lilian, segundo o estudo Nascer no Brasil, da Fiocruz, 70% das mulheres querem parto normal na primeira gestação.
      Ao que parece, suas amigas não são uma amostragem representativa.

      • Carolina disse:

        Gabi, então minhas amigas tb não são uma “amostragem representativa”. Engraçado, mas como a Lilian, tenho amigas instruídas que NÃO fizeram ou NÃO querem ter parto normal. É uma opção da mulher, deveríamos ser livres para optar pelo que se acredita ser o melhor para a mãe/bebê.

  3. Elisa disse:

    Gabi, quem tem 90% de cesária tb “faz” parto normal…. o problema é saber se voce vai ser aquela que chega no hospital com o bebe já saindo para se enquadrar nos outros 10%.
    Um cartaz numa passeata pelas obstetrizes (aqui na Alemanha o governo tava querendo aumentar o seguro que elas precisam pagar para trabalhar e o povo foi para a rua protestar) dizia mais ou menos assim: Concebido com amor. Gestado com amor. Por que nascer numa linha de producao?
    Bj!

    • Gabi Sallit disse:

      Lindo!!! Tem foto? (não que a gente vai entender em alemão, né?).

      • Elisa disse:

        Foi em maio do ano passado. Eu nao fiz foto nenhuma, mas achei o cartaz pela net no site de uma estacao de rádio: https://rdl.de/beitrag/verbrechen-geburtshilfe-naht-das-ende-f-r-den-beruf-der-hebamme
        Microdicionário: Liebe é amor. Hebamme é obstetriz.
        A demonstracao foi linda, uma festa, as famílias tomaram conta do centro. Tinha até a “ala” das adolescentes pedindo pelo futuro. Dá um Google em “hebamme demonstration Freiburg” que vem um monte de fotos.
        O seguro aumentaria um pouco para as obstetrizes que atendem pré e pós natal domiciliar (que sao pagos pelos planos de saúde), mas o aumento absurdo seria para as que atendem parto fora de hospital. Apesar de parto domiciliar e casas de parto nao serem populares por aqui e a grande maioria das obstetrizes nem atenderem parto fora do hospital as obstetrizes entenderam como uma ameaca à toda categoria profissional e assim o problema foi tratado inclusive pela ampla cobertura da mídia.
        Duas amigas que afirmam que jamais na vida teriam parto em casa e elas estavam lá. Nao tinha nem lugar para preferências pessoais, a questao era garantir o direito de todas de ter auxílio profissional adequado dentro da escolha individual de como e onde dar a luz.

  4. Carolina disse:

    Tá, mas o que isso muda? Que se eu quiser ter um parto normal terei que pagar do bolso ou ter via SUS? O sistema TODO está errado. Os médicos recebem uma miséria por realizar um parto normal ou cesárea, a mulherada de hoje em dia não está mto afim em obter informações (exceto algumas doidas como eu, q ainda nem engravidaram e já se preocupam com isso) e por ai vai. Infelizmente vivemos num país que é mais interessante “construir” estádios para Copa e arrecadar $$ para campanhas, do que cuidar decentemente da sua população. Tenho várias amigas, inclusive que são da área médica, que se recusaram a ter parto normal pq não queriam sentir dor. Eu mesma era uma dessas, mas ainda bem que com o tempo e a busca por infos, descobri que tenho que enfrentar essa “dor” pq será melhor para o meu bebê e eu…

    • Lilian disse:

      Foi oque comentei anteriormente. Muitas mulheres, inclusive da área médica, mulheres cultas, sim, escolhem cesária por opção, não querem sofrer. Não dá para colocar a culpa apenas nos médicos e nos convênios. Eu consegui fazer meu parto normal pelo convênio e mudei de médico diversas vezes. Até muitas podem cogitar ter normal, mas já desistem ao primeiro empecilho. Eu mudei de médico com 39 sem e mudaria novamente até achar um. Uma amiga do nordeste também achou medico pro parto normal, mas ela mesma acabou desistindo no meio da gestação e foi fazer cesária, e o motivo? Medo da dor.

      • Isadora disse:

        Lilian, você já parou para pensar porque tantas mulheres “têm medo da dor”? Você já parou para pensar que nos ultimos 40 anos, a “cultura da cesária” vem se solidificando, ganhando força, e se embrenhando em todos os aspectos da vida cotidiana? São os médicos, os hospitais, os planos de saúde, as vizinhas, as mães, as tias, os amigos… Esse “medo da dor” é um reflexo claro disso. Mulheres que ouviram a vida inteira que é a pior dor do mundo, que é muito mais “facil” fazer cesárea, que a praticidade é impar, que o parto vaginal é “medieval”… Claro que elas tem medo! E sim, são mulheres cultas, inteligentes, porem infelizmente foram totalmente corrompidas pelo sistema, elas nunca tiveram uma chance de não serem! Elas não são “burras” por isso, nem um pouco mesmo, mas não tiveram escolha, foram levadas pela corrente, sem ter os argumentos para fazer uma escolha baseada em evidências, em conhecimento sobre o tema. Também sou completamente a favor da escolha, mas que todas que escolhem saibam exatamente o que estão escolhendo, e quais os riscos envolvidos.

  5. Luciane disse:

    Acompanho seu blog faz tempo, mas vou comentar pela primeira vez. Você tem uma ótima ferramenta de luta, mas poderia usa-la de maneira melhor. Algumas postagens suas, como essa, por exemplo, só geram revolta contra os médicos, pioram a relação médico paciente e não ajudam em nada a resolver o problema!

    Deixa eu me apresentar, sou médica, neurologista pediatra. Faço ambulatório de seguimento das crianças de risco numa maternidade pública. Ou seja, só acompanho aqueles 1% que complicaram. Não na sala de parto em si, mas após a internação deles em uti e no acompanhamento após a alta. Ainda não tive filhos, mas sonho em te-los de parto normal. Em um hospital, com médicos. Entendo que sou uma pessoa privilegiada, que posso escolher e bancar a equipe de médicos que eu quiser e que isso é invíavel para a maior parte da população. Mas não indicaria parto domiciliar para ninguém que pedisse a minha opinião. Mas esse não é o motivo do comentário e nem quero entrar nessa discussão agora.

    Voltando ao post. Segundo o dado que você deu, 90% dos partos de plano são cesárea. Isso pode ter dois motivos:

    1- Todos os obstetras que atendem plano são porcos capitalistas, que só pensam em dinheiro e não se preocupam com as mães.
    2- O sistema não permite que os obstetras façam parto normal.

    Caso alguém ainda acredite na primeira opção, explico, ninguém escolhe fazer obstetrícia por dinheiro. Essa especialidade é uma das mais mal pagas da medicina. Durante o último ano de medicina chegamos a brincar que quem faz pediatria e obstetrícia é porque quer ser pobre. Existem diversas outras áreas mais rentaveis e mais tranquilas na profissão. Quem escolhe é porque não consegue se ver fazendo outra coisa. Logo alguma coisa acontece nesse caminho entre a formação e a prática médica em si.

    Diversos são os fatores que inteferem no meio do caminho, mas na minha opinião, o principal deles, e o mais fácil de ser mudado no curto prazo é a cultura de que o médico que faz o pré-natal deve ser o mesmo que faz o parto. Não sei quando isso começou e acredito que médicos e pacientes contribuam igualmente para que isso aconteça. Mas a questão é que é inviável para um médico que atenda plano de saúde estar sempre a disposição para fazer um parto normal. Imagina cancelar uma agenda cheia de pré-natal cada vez que uma gestante entrar em trabalho de parto. Não poder nunca passar um final de semana fora da cidade, ou não poder nunca beber uma bebida alcoolica que seja?

    Parto normal deve ser feito pelo médico plantonista. É assim na maior parte dos países desenvolvidos. É a única maneira que funciona. É a única maneira de diminuir a incidência de cesáreas no Brasil. E não vejo ninguém militando por isso.

    Como já disse, sou muito a favor do parto normal. Fico triste cada vez que vejo uma pessoa próxima que desejou o parto normal agendar uma cesárea. Aliás, tenho horror a cesáreas agendadas. Mas colocar toda a culpa nos médicos não está certo. E o principal, não resolve o problema.

    • Samantha disse:

      Comentário mais lúcido que já li sobre o tema!!!

      • Carolina disse:

        Também concordo com o que a Samantha disse. O comentário da Luciana foi o MELHOR….temos que lutar para termos um tratamento + humanizado, os médicos devem ser nossos aliados, e não vistos como “carrascos” ou vilões. Na última sexta-feira estive em consulta com o meu médico do plano de saúde. Quando o questionei sobre parto humanizado, ele virou uma “arara”, e sabem pq? Simplesmente pq a maioria dos blogs querem que as mulheres só tenham parto com determinado médico, que somente o médico X OU Y são os entendidos do assunto e por ai vai, que qualquer obstetra que tenha um ultrassom no consultório é um cesarista e por aí vai… Na hora fiquei chocada com a reação do médico, mas chegando em casa e analisando a situação que vivenciei, entendi o pq da reação dele. Temos sim que ter informação, mas informação de boa qualidade, para nós mulheres podermos interagir com o médico, para termos uma conversa franca e aberta, sem mimimis. Detalhe: Antes que me digam que estou “errada” ou “cega” com relação a esse médico, que por sinal é referencia num grande hospital em SP, já realizou e realiza partos normais, de cócoras, na água e inclusive cesáreas…

    • Iara disse:

      Excelente comentário!

    • larissa disse:

      Exatamente, as mulheres precisam se desapegar dos seus médicos do pré natal. Tive minha bebê aqui nos EUA e fiz o pré natal com 5 midwives e o parto de 22 horas passou por 2 turnos então começou com uma midwife e terminou com a outra. Nunca nem vi a cara do médico plantonista que ficava do lado de fora da sala de parto para casos de emergência!

      • Elisa disse:

        Luciane, ótimo comentário, voce só esqueceu de uma pecinha fundamental, as obstetrizes. Qualquer modelo bom de atendimento a gestante é centrado nelas e nao no médico.
        Aqui na Alemanha onde eu moro, o único profissional legalmente habilitado a atender parto normal sao as obstetrizes. Ou seja, pode-se processar qualquer hospital que nao colocar uma obstetriz atendendo uma gestante, mesmo se tiver 10 obstetras na sala. Nao sei se é regra, mas na minha maternidade elas sao as responsáveis pelos recém-nascidos inclusive em cesarianas (minha maternidade nem tem pediatra de plantao). As melhores taxas hospitalares de saúde materno infantil aqui da Alemanha sao das maternidades que tem obstetrizes na direcao-geral (nao é o caso da minha, mas a obstetra-chefe de lá é definitivamente uma médica-parteira).
        Minha humilde sugestao é o sistema desapegar dos médicos, valorizar as obstetrizes. As maternidades criarem e seguirem realmente um protocolo claro de atendimento ao parto (de preferência humanizado, que tem mil vezes mais a ver com respeito à mulher e ao bebê que ter banheira, banqueta e bola) e terem todos seus profissionais realmente alinhados a isso.
        Eu só acho que como os obstetras sao os grandes interessados em terem seu tempo livre (acho justíssimo) eles deviam, além de participar ativamente dessa mudanca, aprender a desapegar da paciente já que persuadir a gestante a marcar logo a cesariana é, no mínino, uma afronta a própria medicina. Quem sabe daí as mulheres, com a bencao e orientacao de seu médico particular, que é ou deveria ser a principal fonte de informacao na gravidez, desapegam de ter o médico particular na hora do parto e passam a escolher um modelo de atendimento e a partir daí escolhem o hospital lugar que siga esse modelo.
        Sei lá, se os pais devem criar os filhos para o mundo os médicos deviam “criar” (dar instrucao, autonomia, etc.) as gestantes para o parto.

        • Luciane disse:

          Oi Elisa, esse ponto é valido. Poderia inclusive ser aliado ao que eu propus, de descentralizar o parto do médico que faz o pré-natal. Mas de todo modo, deve haver sempre um médico obstetra a disposição, que deve ser o plantinista.

          Humanizar o parto é importante, o meu parto dos sonhos é humanizado, mas mais importante ainda é garantir um parto saudável e seguro para a mãe e para o bebê. E a realidade do Brasil (diferente da Alemanha), é que ainda falta muita coisa básica. Até hoje existem casos de recém nascidos que nascem com sífilis congenita, uma doença que se trata com o antibiótico mais barato e mais antigo do mundo. As maternidade estão sempre lotadas, falta leitos, falta funcionários, falta remédios… É complicado culpar um médico por não ser humanizado quando ele está neste sistema caótico, quando muitas vezes não consegue prover nem o básico.

          Como eu já disse, tanto o médico quanto o paciente colaboram com idéia de que o parto deve ser com o médico do pré-natal. Ele deve educar sim, mas é difícil quando todo o sistema funciona diferente. É uma mentalidade que tem que ser mudada aos poucos, e acho fundamental ser levada em consideração por todo mundo que milita sobre o parto normal.

          O perigoso para mim é essa generalização de que o obstetra é sempre vilão e as parteiras e obstetrícias sempre mocinhas. É pegar um dado estatístico e levar ele pro lado individual, afirmando que todo médico que diz fazer parto normal mente. E esses 10% onde ficam? Profissionais ruins, que pensam exclusivamente em dinheiro existem em qualquer profissão. Tem equipe de parto humanizado que cobra uma baba por cada parto, assim fica fácil ter um número mínimo de pacientes e estar sempre a disposição. Tem obstetriz mal qualificada para conduzir um parto. Tem bebês que ficam com sequelas por um parto humanizado que não deu certo.

          • Luciane disse:

            Em tempo, no último parágrafo era pra sair obstetrizes e não o obstetrícias… Rs

          • Elisa disse:

            Claro que maternidade tem que ter obstetras em número suficiente no plantao! Até porque sempre vai ter uma cesariana de emergência para ser feita, bebês que precisam ser tirados no vácuo, ultra som, etc.
            Nao tem a ver com vilao nem mocinha, tem a ver com enxergar quem tem a melhor competência para cada coisa e parto normal infelizmente hoje é mal ensinado no curso de medicina.
            Meu parto foi a jato e a médica ficou apenas monitorando as contracoes e coracao do bebê. A obstetriz que fez absolutamente tudo lá em baixo e só ela encostou no bebê (amparou, depois de um tempo me ajudou a tentar amamentar e depois de 1h pesou, mediu com fita e colocou fralda – nem limpo ele foi). A médica depois voltou para me costurar (tive laceracao – parto rápido tem suas desvantagens… hihi). A obstetriz sabe costurar, mas no caso a médica sabe melhor e logo ela quem faz. Assim como a GO sabe conduzir um parto normal e ensinar a amamentar (na minha maternidade todos os GOs, obstetrizes e enfermeiras tem curso de aleitamento), mas como a obstetriz sabe melhor ela quem faz.
            Só nao entendo aonde que um parto humanizado é menos saudável ou menos seguro. Quanto a seguranca acho até que pode ser independente, mas para mim é obvio que um parto humanizado é muito mais saudável tanto na parte física como a psiquica. Quem coisa mais saudável que nascer num parto cuja mae e bebe foram respeitados? Onde o bebê recebeu o sangue de volta do cordao, onde se pode estabelecer vínculo e amamentacao desde o inicinho, onde a mae se viu capaz de nao só parir, mas se decidir por si, escutar o instinto (e isso, fora diminuir o risco de depressao pós-parto, é tao poderoso, dá tanta ferramenta para se exercer a maternidade).
            Quanto a questao plantonista tanto GO quanto obstetrizes para mim pessoalmente é sempre o melhor (imaginando um lugar com uma equipe afinada). Ficaria bem receosa de ter alguém me atendendo a sabe-se lá quantas horas sem dormir, sem saber quando vai poder ir embora. Eu hein, prefiro alguém bem descansado. A obstetriz do meu curso de gestante disse que quando é troca de turno a pessoa nova traz uma energia para o parto, que costuma ser muito bom para a evolucao do parto.

    • Carla disse:

      Olha, nunca tinha pensado por esse ponto de vista, mas faz sentido. É algo a ser pensado e desenvolvido.

    • Adriana disse:

      Gente, dane-se os médicos!

      • Elisa disse:

        Adriana, nao sei qual a entonacao que voc^e usou nem o que te levou a mandar os m´edicos se danarem, mas eu acho que definitivamente nao ´e por a´i. A questao ´e somente atribuir cada funcao a quem tem melhor compet^encia para isso.
        ´E a mesma coisa que colocar endocrinologista para fazer card´apio de dieta, nem sei se eles realmente aprendem isso na especializacao, mas um nutricionista ´e um profissional mais adequado para isso.
        Vou dar outro exemplo. Aqui na Alemanha os planos de sa´ude nao pagam consulta odontol´ogica de rotina para crianca de at´e 2 anos. A obrigacao de zelar pelos dentinhos´e dos pediatras. Enfim, os pediatras estao chiando para mudar isso, pois, apesar deles saberem fazer a consulta dent´aria, eles sabem que dentista tem mais compet^encia para isso.

        • Marina disse:

          Luciane, achei ótima a sua reflexão e as contribuições que Elisa trouxe também. Bacana discutir assim!
          Vou falar do meu ponto de vista de pessoa privilegiada, pois pude bancar uma equipe humanizada e, mesmo tendo terminado numa cesárea intraparto, fui – assim como meu bebê – cercada de respeito e acolhimento. O sistema é um problema, a falta de informação de qualidade é um problema. Mas eu não aumentaria um pouco a carga de responsabilidade dos médicos, porque, no meu caso e de muitas amigas, houve manipulação de informações, jogo escondido.
          Explico: até a 30a semana, acreditei na minha médica, que disse que fazia parto normal – se eu engordasse pouco, se não passasse das 40 semanas, se o parto evoluísse em até 12 horas do rompimento da bolsa, e com certeza com episiotomia, porque “o meu canal era estreito”. Mas, com 30 semanas, ao perceber que minha DPP era logo depois do réveillon, ela me sugeriu agendar para o dia 23 de dezembro, “pra eu ficar mais tranquila”. Quando me dei conta, pude fugir para as montanhas, mudar a minha história. Mas não é assim para a maioria das pessoas.
          Ok, o sistema engole, financeiramente não é viável atender pelo plano um parto normal e nem esperar o trabalho de parto? Joga limpo! Diz isso pra gestante! Não inventa motivo para tensão onde não existe, não finge estar salvando a vida porque tinha uma circular no pescoço, porque não tinha passagem, porque a placenta ficou velha… Cada um faz o seu trabalho da maneira que achar melhor, cada um escolhe a forma de trazer o seu filho ao mundo. Mas sem informação de qualidade, sem transparência, essa sensação de escolha é falsa. É terrorismo, e isso não ajuda a mudar nada.

  6. Ciça disse:

    A-PA-VO-RA-DA
    Como um “tentante” e pessoa exagerada que sou, corri para olhar a listinha antes mesmo de engravidar e descobri a taxa de 97% de cesáreas em meu plano…
    Estão de brincadeira conosco!
    Compartilhar já essa lista mulherada.

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