Violência Obstétrica na Agência Pública

Quando conversei com a Andrea Dip para a reportagem que ela estava escrevendo sobre Violência Obstétrica para a Agência Pública, vi que ela estava estudando, que era sensível ao tema, que seus ouvidos estavam atentos. Sabia que sairia coisa boa. Imaginei que a matéria fosse ser esclarecedora. Só não passou pela minha cabeça que seria emocionante.

O texto ficou sensacional não apenas porque conta com o depoimento de grandes nomes do parto humanizado do Brasil: Jorge Kuhn, Ana Cris Duarte, Ana Carolina Frazon. É comovente, pois conta também a história da Andrea, que, como tantas mulheres (1/4 de nós, vejam só!!), se percebeu violentada, anos depois do seu parto. Meus olhos se molham quando ela diz “descobri que o que vivi não foi uma fatalidade”. É, minha amiga. Tomar consciência faz doer tudo de novo.

Uma das piores facetas da Violência Obstétrica é que ela está revestida de normalidade.  Como todo mundo que você conhece teve seu bebê amarrada no bloco cirúrgico, foi chamada de mãezinha, teve a vagina ou a barriga cortada, é difícil entender que isso é agressão. Para a maioria absoluta de nós, é, simplesmente, como tem que ser. Parto é doloroso, constrangedor, mero caminho para ter seu filho nos braços. E, assim, perdemos o direito de viver nosso nascimento como mães de maneira prazerosa, enriquecedora, saudável.

Reportagens como a da Andréa são maravilhosas para acabar com este fatalismo. O parto pode ser da mulher. Se o meu foi, o seu for, e o da colega de escritório também, vai ficar uma pulga atrás da orelha da sua cunhada…

Então, meninas, conto com vocês. Compartilhem, compartilhem, compartilhem!

A reportagem é copyleft, ou seja, pode ser reproduzida até gastar!!!

http://www.apublica.org/2013/03/na-hora-de-fazer-nao-gritou/

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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17 respostas a Violência Obstétrica na Agência Pública

  1. Yorrana Félix dee Oliveira disse:

    Olá Gabi, tenho 21 anos, mãe da Ana Cecília de 2 (dois) aninhos, estudante de direito da Faculdade UNIRON de Porto Velho-RO. Estou no 7° período começando meu projeto de TCC, a algum tempo me interesso por esse assunto, ficou meio revoltada quando alguém diz que sofreu para ter seu filho(a), um acontecimento que era para ser melhor de sua vida acaba sendo um dos piores, seja por dor ou constrangimento. O meu tema será este “Violência Obstétrica” gostaria muito da sua ajuda para me indicar, a melhor forma de está abordando este assunto, e tentarmos fazer campanhas de Conscientização. Quando fui falar meu tema acharam um pouco estranho e me pediram para mudar, disse que Não. A vontade de fazer a diferença e maior do que a rejeição. Não sei se pude expor um pouco do meu pensamento aqui p vc entender. Se puder me adc no face face Yorrana felix para podermos tentar fazer alguma coisa *-*.. adorei seu post

  2. Sabrina Ferraz Batista disse:

    Olá Gabi

    Estou descobrindo agora o fantástico universo do parto natural humanizado e respeitoso e muito interessada na questão da violência obstétrica.
    Fiquei estasiada com o seu blog e com a causa que você defende!! Um marco para as mulheres.
    Poderíamos trocar mais informações?

  3. Aline disse:

    Gabi,
    Ainda não havia me cadastrado em lista de discussão, mas agora já fiz isso! Também li seu relato de parto e achei muito bacana… Quanto amor!!
    E eu também não conheço mais ninguém que tenha uma episio na cabeça, acho que sou meio alien!!!
    Bjs

  4. Aline disse:

    Gabi,
    Acho que meu comentário vai ser um livro, rs! Vamos lá…
    Nasci de parto normal, minha mãe não recebeu nenhum tipo de analgesia e sempre me disse que era isso que ela tinha desejado, que tinha sido uma experiência fantástica!! Mas tenho uma cicatriz (de uns 4 cm.!) na cabeça até hoje, devido ao médico que a atendeu ter feito episiotomia sem consultá-la, quando eu já estava nascendo. Ela diz que essa foi a única dor do parto… Acho que ouvir essa história a vida toda plantou a sementinha de desejo pelo parto natural em mim, que pesquiso sobre esse assunto há tempos.
    Agora, casada há quase quatro anos, estou há oito meses sem anticoncepcional, esperando o bebê vir quando quiser!!! Porém, ainda não conseguia visualizar onde seria meu parto natural. Esse seu post me fez conhecer a Casa Angela e fiquei encantada com tudo que li no site. Quem sabe meu parto não será lá? :)
    Obrigada por tudo que divide conosco, você arrasa!

    • Gabi Sallit disse:

      Ô, Aline, que delícia de comentário! Adoro este vai-e-vem!
      Que bom que a sementinha do parto natural está plantada no seu coração. É o que quis para mim, por isso, é o que desejo para os outros 😉
      Como ainda é tentante, tem muito tempo para aprender e se dedicar. Já se cadastrou em alguma lista de discussão? Há a partonosso, partoativobh, istharbrasil… Todas podem te dar grande ajuda para conseguir uma experiência prazerosa!
      Já leu o relato do parto do João? http://www.dadada.com.br/2013/01/08/relato-de-parto-do-joao-a-aventura-de-nos-dois/
      Vc é a única pessoa que eu conheço que tem uma episio na cabeça! rsrsrsr

      Bjs,

      Gabi

  5. Andrea Dip disse:

    Obrigada Gabi, a gente tem que gritar mesmo! Parabéns pela batalha com a Ana Paula. Precisamos de mais iniciativas assim. Beijo

    • Gabi Sallit disse:

      Querida, eu que tenho que agradecer o olhar sensível que deu à questão e o sacrifício pessoal que escrever a reportagem foi. Não sabia que você tinha uma história tão forte. Fica o consolo de estar fazendo a sua parte, né!
      Fiquei muito feliz com a repercussão: Yahoo, Carta Capital… Vc está de parabéns!
      Grande beijo!
      Gabi

  6. Raquel Drummond de Andrade disse:

    Ai que medo! E não é um medo daqueles que a gente sente quando lê uma notícia sobre violência. É um medo que dá vontade de gritar, espantar todo mundo e depois sair correndo e se esconder no meio do mato. Atualmente estou muito convencida a ter meu bebê em casa. Onde ninguém vai entrar sem ser convidado. Ninguém vai tocar em mim além do necessário. Ninguém vai me amarrar ou fazer referências ao momento de concepção do bebê. Parto não é ato sexual. Nem perto disso. Estou tão em choque que já assustei o Rafa e já fui categórica: lugar de ganhar meu bebê é em casa. To querendo sugerir ao MP para entrar de Amicus no seu processo. Isso é dano moral coletivo.

    • gabisallit disse:

      Nem está grávida é já é índia das que vai parir na caverna-cortar-o-cordão-com-o-dente-e-comer-a-placenta-com-angu! Está é a minha amiga!!! rsrrsrs
      Deixando a brincadeira de lado, querida, há muita gente bacana, inteligente e responsável tendo seu bebê em casa, com o maior segurança e embasado em evidências científicas!!! Vou te mandar uns textos!
      Vou adorar o MP na minha ação! Manda ver!!! 😉

  7. Fantástico, Gabi. Isso tem que ser compartilhado até cansar mesmo! E eu não conhecia a história da Ana Paula. Não consigo imaginar a dor dela. Que bom que ainda encontra forças para lutar. Eu não me canso de agradecer a vocês.
    Beijos e força!

  8. O parto do meu filho foi disparado o momento mais feliz da minha vida. Fico muito triste por não ser o que acontece com a grande maioria das mulheres no Brasil.
    x

  9. gláucia disse:

    Gabi,
    parabéns, parabéns e parabéns pela iniciativa do blog.
    É um alívio ler textos tão esclarecedores e empolgantes como os que vi aqui. ‘Devorei’ todos em uma sentada só…
    Mesmo sem ter filhos ainda, me encantei e me assustei com tudo o que você escreveu, especialmente em relação ao assunto Violência Obstétrica. A verdade é que, por tudo o que a gente vem vendo e ouvindo dizer por aí sobre a hora do parto, já havia uma certa desconfiança no ar, algo que não estava cheirando bem…
    Pois bem, fica aqui o meu apoio à causa e a minha torcida por mudanças !

    • gabisallit disse:

      Obrigada pela visita, Gláucia! Sei exatamente do que está falando, porque também “devorei” meus blogs preferidos antes de engravidar. Acho que é uma borboletinha de fertilidade que começa a nos sobrevoar, sei lá! Se não quer ter bebê agora, se liga no anticoncepcional! 😉
      Bjs e volte sempre!

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