Teste: você escolheu cesárea? Escolheu mesmo???

Defendo com unhas e dentes o direito de toda mulher sobre o seu corpo. Para mim, isso é uma premissa indiscutível; ninguém pode questionar esta autonomia. Sim, você entendeu certo: ainda que eu seja uma militante pelo parto natural, eu não tenho nenhum constrangimento em resguardar o direito de quem optou por cesariana.

Entretanto, muitas vezes, quando alguém me diz que preferiu cesárea e eu prolongo a conversa um pouquinho, acabo percebendo que o verbo escolher não é o mais adequado. Para escolher é imprescindível conhecer as opções. Sabe aquela coisa de criança pequena que sempre elege a batata, mas nunca provou os brócolis? É tipo isso: se você vai fazer uma cesariana, mas não conhece os verdadeiros riscos, você não está escolhendo de verdade.

É por isso que resolvi fazer esta checagem. Dá para mandar para toda amiga-prima-vizinha que está grávida. Ela faz um apanhado dos conhecimentos básicos (bem básicos mesmo, viu, gente) que uma gestante tem que ter antes de escolher a via de parto. A lista é, inclusive, colaborativa: se você lembrou de algo muito importante que não está nela, deixa para mim nos comentários e eu edito.

Bora lá? Antes de escolher a cesárea, você sabia que…

  1. Tinha 3 vezes mais chance de morrer?
  2. Que seu bebê tinha 120 mais chances de ter desconforto respiratório?
  3. Seu obstetra te deu a opção de um parto normal com anestesia?
  4. Você sabia que poderia ter um parto normal, mesmo após cesárea?
  5. Te disseram que circular de cordão não é indicação de cesariana?
  6. Você conhece os estudos que associam o nascimento por cesárea à asma?
  7. Te contaram que é impossível saber se “o bebê é grande demais para passar” antes do trabalho de parto?
  8. Sabia que é mais raro que bebês que nascem de cesariana mamem no peito na primeira hora de vida, e que este contato é determinante para o sucesso na amamentação?
  9. Você sabia que cada cesariana aumenta o risco de implantação anormal da placenta?
  10. Seu obstetra te informou que nem todos as mulheres entram em trabalho de parto até quarenta semanas e que é absolutamente normal que uma gestação dure até 42, se for bem monitorada?
  11. Te contaram que gêmeos podem nascer de parto normal?
  12. Você sabia que mesmo quem tem indicação de interrupção da gravidez por pressão alta deve considerar a indução do parto como uma possibilidade?
  13. Sabia que há mais casos de depressão pós-parto entre as mulheres que tiveram cesariana?
  14. Você avaliou que, com a cesárea, corria mais riscos de ter infecções, hemorragia e trombose dos membros inferiores?
  15. Tinha conhecimento que pessoas que nascem por cesárea têm mais chances de serem obesas?
  16. Você sabia que mecônio não é sinônimo de sofrimento fetal?
  17. Te disseram que mesmo que você não opte por um parto natural, um parto normal pode ser apoiado por uma doula?
  18. Te contaram que recém operada você terá muito mais dificuldade de cuidar do seu bebê do que quem teve um parto normal?
  19. Você sabia que diabetes gestacional não é indicação de cesárea?
  20. Sabia que se o seu bebê está pélvico, você pode tentar uma versão cefálica externa?

 

Se você respondeu SIM a todas as perguntas anteriores, vamos te deixar em paz. Nada de conversinha sobre parto natural com você, que é adulta, madura e está bem informada. Usufrua do seu poder sobre o seu corpo e faça as melhores escolhas para você e sua família. Sempre.

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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6 respostas a Teste: você escolheu cesárea? Escolheu mesmo???

  1. Elis Feldman disse:

    Gabi, sei que o assunto é polêmico, mas fico incomodada com essa discussão sobre “a escolha é da mulher”. Isso é uma coisa bem brasileira quando falamos sobre via de parto. Vai dizer no pré-natal na Inglaterra ou na Dinamarca por exemplo (believe me, tenho um amiga que tentou) que sua escolha de parto é a cesariana. O médico vai rir na sua cara. Vai dizer que essa é uma decisão médica pautada exclusivamente na necessidade, que uma cirurgia não é algo que o paciente “escolhe”, que ele não vai realizar um procedimento cirúrgico se não houver indicação precisa pra isso. Temos que por a mão nesse vespeiro e questionar essa máxima, pois estamos falando de riscos reais a mães e bebês que escolhem uma cirurgia sem necessidade. Se uma pessoa quer fazer uma cirurgia bariátrica por exemplo, ela precisa de laudos e mais laudos, de médico, de psicólogo – é necessário entender se essa pessoa está apta de fato a fazer uma cirurgia desse tamanho, que não é “imprescindível à vida” muitas vezes. Por que com a cesariana não é assim também?

    • Gabi Sallit disse:

      Elis, para mim, temos autonomia sobre os nossos corpos. Se penso que uma mulher pode escolher abortar, por exemplo, tenho que aceitar o direito dela de eleger uma via de parto mais arriscada para o bebê. Aqui, na Inglaterra ou no Nepal.

      • Elis Feldman disse:

        Gabi, entendo seu ponto de vista, sou a favor do aborto também, claro. Mas creio que estamos num campo difuso aqui, que vai além de uma questão puramente feminista. Creio que entramos no campo da Bioética. Pensemos pelo lado do médico, ele fez um juramento, que consiste em não fazer o mal. Como ele pode proceder em respeito ao desejo da mulher, tendo em vista que nesse caso ele pode estar traindo esse juramento? Quem assistiu ao documentário Microbirth pôde ver a assustadora correlação entre número de nascimentos via cesárea e o aumento exponencial de doenças como obesidade, hipertensão e diabetes tipo 2, verdadeiras epidemias da modernidade. Se existe mesmo essa correlação estamos falando de um problema gravíssimo de saúde pública pras próximas gerações, um rombo inclusive na economia mundial, como o documentário mostra. Não estou dizendo qual a resposta pra essa difícil questão, que a Europa está certa, nós estamos errados, não é isso. Mas acho que a discussão precisa se aprofundar pra além do “a mulher escolhe” e ponto final. Eu colocaria muitos pontos de interrogação.

  2. Flavia disse:

    Gabi, concordo com você. Sempre disse isso: defendo o direito à escolha, desde que seja realmente uma escolha. E isso só é possível com base em informações corretas. Contudo, depois de viver meu tão sonhado parto natural, acrescentaria uma pergunta à sua lista: você conhece os riscos do parto normal? Eu não conhecia. E na minha ignorância achei que o parto natural era uma escolha totalmente consciente. Não era. Me enquadro na pequena parcela de mulheres para as quais o parto normal trouxe consequências negativas irreversíveis. E desde então passei a ver com olhos mais críticos a romantização do parto que eu mesma sempre preguei. Veja bem, não estou defendendo a cesariana. Ainda acho que o parto normal tende a ser a melhor opção para mãe e bebê. Comprei para mim a luta pela diminuição dos índices de cesarianas no Brasil. Mas agora sei que não é justo que o crescimento do parto normal se dê às custas de informação seletiva, como foi feito historicamente com a cesariana. Informações claras e completas para ambos os lados, para que todas as escolhas sejam feitas de forma consciente. Só assim estaremos verdadeiramente empoderadas para lidar com as consequências de nossas decisões. A minha luta agora é essa. Abs

    • Gabi Sallit disse:

      É isso mesmo, Flávia. Para escolher, temos que ter informações de qualidade sobre todas as opções.
      Beijo grande!

    • Vivian Martins disse:

      Flavia,

      Não sei se você se sente a vontade com isso, mas gostaria de saber se você fez algum relato do teu parto, e/ou do que te aconteceu depois. Todos os relatos negativos que vi até hoje se referem a VO, nunca são de partos naturais de fato, e nunca falam de eventuais problemas e consequências negativas que um parto, ainda que natural e bem assistido, pode vir a trazer. Também sou ativista da causa, acredito no parto normal como melhor opção, mas me incomoda que de modo geral só seja exposto o lado positivo da coisa (embora eu saiba que, em casos de boa assistência, esse lado seja o da imensa maioria).

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