Colo que cura e cria vínculo

O Pediatra Carlos González, bastante conhecido entre mães e pais que suscitam a criação com apego e a amamentação em livre demanda, escreveu em seu famoso livro Un Regalo Para Toda La Vida: Guía de la Lactancia Materna palavras preciosas e muito  significativas sobre a importância do colo da mãe:

"A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso... Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios. Há algumas décadas, as farmácias espanholas vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo. O bebê está no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala. Teria se acalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo. Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca... Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica."

Porém, acredito ser importante trazer também uma ótica sobre o colo do pai e de outras pessoas que amam aquela criança. Não se cria vínculo somente com a mãe.

Sabemos que os primeiros meses de um bebê exige a presença física e emocional da mãe, principalmente por causa da amamentação e da segurança que a criança tem por ser a pessoa mais familiar para ela (pense: ela passou 9 meses em contato direto neste binômio, se foi um filho ou filha gerados no ventre). Mas isso não significa impedir que a criança usufrua do colo do pai e de outros cuidadores. Muito pelo contrário: é importante que esse vínculo seja efetuado com calma, tranquilidade e respeito.

Não é justo jogar nas costas da mãe toda a responsabilidade deste vínculo por meio do colo. O período dos primeiros meses de vida de um bebê é justamente a etapa que a mãe costuma mais precisar acionar sua rede de apoio. A mudança é profunda e esse apoio precisa acontecer para a saúde emocional de todos os envolvidos com essa nova vida.

E é importante ressaltar: existe uma grande diferença entre ajudar e dividir as tarefas com o bebê. Quando se estabelece uma rede de apoio dentro de casa, a vida flui com mais tranquilidade. Dê colo ao seu filho, pai. Dê colo ao seu neto, vô e vó. Dê colo a sua sobrinha, tio e tia. Mas respeitem, acima de tudo, a vontade da mãe em relação a isso.

Mães também precisam tomar banho, dormir, almoçar, descansar. Não torne essa situação injusta: divida. Seja a rede de apoio que essa mulher precisa.

Colo de mãe é fundamental. Mas mãe também precisa de colo.

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Sobre a Autora

Bianca Puglia

Brasiliense, casada com um grande companheiro e mãe de um guri sorridente e feliz que nasceu em um belíssimo parto humanizado em 2013. Formada em Comunicação Social pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) no Rio de Janeiro, pós-graduada em Gestão de Negócios pelo Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) em Brasília, sempre fui apaixonada por empreendedorismo. Abri minha própria empresa de consultoria em marketing há alguns anos. Desde que soube que estava grávida, me envolvi profundamente no mundo da humanização do parto e encontrei nele o alento que sempre procurei: ajudar mulheres a buscar e encontrar o respeito necessário a elas e aos bebês que virão ao mundo. Eis que meu filho nasceu e entendi na prática a importância de se ter o apoio emocional e físico de uma doula, além do respeito a mim e ao meu bebê. Encontrei então a oportunidade de me profissionalizar e dividir com tantas outras mulheres a busca por esta atenção, autonomia e protagonismo em um momento tão singular. Me formei doula pelo curso Mulheres Empoderadas - Revelando Doulas em São Paulo - SP e atuo como doula e orientadora perinatal em Brasília - DF.

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1 Comments
  1. Que alívio que eu li que a mae pode e deve ser auxiliada e que bebês podem ter vinculos com outras pessoas. Só achei incorreto colocar o pai no mesmo balaio da vó e da tia, Pai nao é nem deve ser ajudante. Pai tem responsabilidades e deveres com o filho que avós e tios normalmente nao tem. Acho mais saudável um pai querendo cuidar do filho (nem que seja para trocar os pés pelas maos ou até questionando alguma atitude da mae) do que um que só encosta no filho se a mae pedir/permitir. Quase caí dura com uma leitura da Laura Gutmann que ela ressalta que até os dois anos a crianca tem que ficar grudada na mae e que o pai só está lá para auxiliar a mae nas coisas extra bebê (casa, comida, cuidados com filhos mais velhos). Fiquei chocada. Achei injusto com a família inteira e até prejudicial a relacao pai-bebê. Quando o bebê nasce o pai já está em desvantagem em relacao a mae e assim o ficará no mínimo até o desmame, me pareceu absurdo vir uma especialista dizer que até os dois anos nao é mesmo para o pai cuidar efetivamente do filho. Oi?! Depois nao se sabe porque alguns homens nem sabem cuidar dos filhos. Enfim, sempre dividi com o pai os cuidados e as responsabilidades que ter filho trazem inclusive deixando o bebe em casa com o pai para eu ir trabalhar e dona Laura me deu uma rasteira com uma afirmacao que beirou o machismo jogando (mais uma vez) todo o peso de cuidar de um bebê nas costas da mae. Sei lá viu, lá em casa pelo menos observei que marido só comecou a realmente saber das reacoes e coisas do filho quando se viu sozinho com o bebê. Desde entao quando minhas amigas reclamam que o marido troca fralda, mas fica perguntando tudo ou diz com qualquer chorinho que o bebê quer a mae eu só digo que lá em casa era igual e que a solucao é deixar ele com o bebê e sair porta a fora (de preferência com o celular desligado).

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