É melhor remarmos juntas

Percebo cada vez mais um mundo de possibilidades e boa informação chegando às mulheres no que tange a gravidez, o parto e a maternidade. Isso é um ótimo sinal inclusive para grandes mudanças no cenário obstétrico, pediátrico e social. Mas junto de toda essa transformação, percebo um aliado nada bem vindo: o julgamento materno.

Uma mulher que se informa e acessa informações necessárias para tomar uma decisão consciente sobre, por exemplo, a via de nascimento de seu filho ou filha, saberá as reais vantagens e desvantagens de cada possibilidade e tomará uma decisão idônea. Ela não estará a mercê somente do que o médico ou médica falará para ela. Essa mulher acessará livros, estudos, relatos e tantas outras informações contundentes para ter firmeza em seu propósito de escolha, seja ele qual for.

Isso também valerá para as preferências na amamentação, criação, relações, volta (ou não) ao trabalho e formas de lidar com a maternidade como um todo.

Porém, o que percebo é uma guerra praticamente declarada entre mães. Algumas se sentem menosprezadas porque tomaram decisões diferentes do que outras acham correto, quando, na verdade, estamos todas no mesmo barco.

Existe um sistema muito maior que menospreza as escolhas das mães e é contra esse sistema que eu particularmente luto. É contra um sistema opressor que utiliza da violência obstétrica pra fundamentar suas atitudes, ou que dá leite artificial porque é protocolo do hospital sem ao menos perguntar pra mãe se ela deseja amamentar (gerando, em muitos casos, alergias graves na criança). Eu luto contra um sistema que culpa a mãe que amamenta de forma prolongada ou que dá mamadeira por razões que desconhecemos. Ou que julga uma mãe que precisa voltar a trabalhar quando o filho tem apenas 4 meses porque é a única pessoa que coloca comida na mesa, mas que também tem todos os dedos levantados para aquela que opta por abdicar de sua carreira profissional para ficar com seus filhos e filhas.

A partir do momento que uma mulher busca informação e faz uma escolha consciente sobre seu corpo, seu filho ou filha e sua forma de maternar, eu não quero que ela tenha o julgamento de outras mulheres. Eu quero que ela tenha respeito.

E é aí que o empoderamento materno traz o seu grande valor. Quando compreendemos que somos responsáveis pelas escolhas que fazemos, criamos uma consciência das nossas limitações e dos diversos instrumentos para fortalecer nossos pontos positivos e buscar melhoria para os pontos negativos.

Uma maternagem genuinamente libertadora acontece quando estabelecemos o protagonismo de nossas vidas e quando nos apossamos de nossas escolhas e suas consequências.

Vale lembrar que não existe uma única forma de maternar. Não existe regra, cartilha ou norma. O que existe é uma busca incessante pelo bem estar de nossos filhos e filhas, de forma consciente e digna.

A maternidade se torna uma grande potência quando acontece de forma conjunta, mesmo que as suas escolhas maternas não sejam iguais as da sua amiga, vizinha ou irmã.

Somos mulheres, não somos inimigas. Já basta ter um sistema que deseja nossa inimizade para que as coisas não se modifiquem. Então sabe aquela mulher que te julga o tempo todo? Você é tão oprimida quanto ela. Estamos todas no mesmo barco. É melhor remarmos juntas.

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Sobre a Autora

Bianca Puglia

Brasiliense, casada com um grande companheiro e mãe de um guri sorridente e feliz que nasceu em um belíssimo parto humanizado em 2013. Formada em Comunicação Social pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) no Rio de Janeiro, pós-graduada em Gestão de Negócios pelo Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) em Brasília, sempre fui apaixonada por empreendedorismo. Abri minha própria empresa de consultoria em marketing há alguns anos. Desde que soube que estava grávida, me envolvi profundamente no mundo da humanização do parto e encontrei nele o alento que sempre procurei: ajudar mulheres a buscar e encontrar o respeito necessário a elas e aos bebês que virão ao mundo. Eis que meu filho nasceu e entendi na prática a importância de se ter o apoio emocional e físico de uma doula, além do respeito a mim e ao meu bebê. Encontrei então a oportunidade de me profissionalizar e dividir com tantas outras mulheres a busca por esta atenção, autonomia e protagonismo em um momento tão singular. Me formei doula pelo curso Mulheres Empoderadas - Revelando Doulas em São Paulo - SP e atuo como doula e orientadora perinatal em Brasília - DF.

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