Nós temos nome!

Já passei por dois momentos na minha vida que trouxeram reflexões profundas sobre como a nossa sociedade infantiliza e diminui a mulher de forma travestida de pseudo-carinho.

A primeira foi quando resolvi organizar uma festa de casamento. A segunda foi quando engravidei.

Na primeira situação, a grande maioria das vezes que busquei fornecedores para a bendita festa, quando em contato com eles, era chamada de "noivinha". Todas as vezes, sem excessão, solicitei que me chamassem, vejam só, pelo meu próprio nome: Bianca.

Na segunda situação, quando fui fazer alguns exames no laboratório, mas principalmente quando fui comprar algumas coisas nessas lojas de bebê, invariavelmente me chamavam de "mãezinha". Solicitava sempre que me chamassem pelo meu nome. Era incrível como achavam meu pedido estranho.

Algumas pessoas ainda enxergam exagero nessa minha conduta. Não me importo. Assim como sei que tem mulheres que adoram ser chamadas de noivinhas ou mãezinhas. O que quero trazer como reflexão é: parem de diminuir as mulheres, mesmo que de forma tão sutil. Elas não são noivinhas. Elas são mulheres que optaram por unir-se matrimonialmente com outra pessoa tão igual a elas (e que tem nome próprio!). Tampouco são mãezinhas. São mulheres plenamente capazes de gerar uma criança dentro delas, bem como, na grande maioria das vezes, de parí-las.

Essa forma sutil de dizer a nós mulheres que somos frágeis, indefesas e até mesmo incapazes, é de uma desvalorização de gênero culturalmente enraizada. Aos poucos, isso tem sido combatido e tem gerado efeitos importantes.

A mim e a tantas mulheres fortes, guerreiras, empoderadas, trabalhadoras, não consigo julgá-las como mãezinhas. Só consigo pensar que são mulheres. No melhor que essa palavra pode trazer.

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Sobre a Autora

Bianca Puglia

Brasiliense, casada com um grande companheiro e mãe de um guri sorridente e feliz que nasceu em um belíssimo parto humanizado em 2013. Formada em Comunicação Social pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) no Rio de Janeiro, pós-graduada em Gestão de Negócios pelo Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) em Brasília, sempre fui apaixonada por empreendedorismo. Abri minha própria empresa de consultoria em marketing há alguns anos. Desde que soube que estava grávida, me envolvi profundamente no mundo da humanização do parto e encontrei nele o alento que sempre procurei: ajudar mulheres a buscar e encontrar o respeito necessário a elas e aos bebês que virão ao mundo. Eis que meu filho nasceu e entendi na prática a importância de se ter o apoio emocional e físico de uma doula, além do respeito a mim e ao meu bebê. Encontrei então a oportunidade de me profissionalizar e dividir com tantas outras mulheres a busca por esta atenção, autonomia e protagonismo em um momento tão singular. Me formei doula pelo curso Mulheres Empoderadas - Revelando Doulas em São Paulo - SP e atuo como doula e orientadora perinatal em Brasília - DF.

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