Dormiu sem mamar…

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(Texto escrito em 06/01/2016 e publicado, originalmente, em meu Instagram.)

Dormiu, sem mamar, pela primeira vez. Se há alguma certeza na maternidade, eu diria que é a passagem do tempo. Nunca, antes de um filho, a passagem do tempo se mostra tão concreta.

Sentimos uma sementinha dentro da gente, vemos ela ganhar o mundo, acompanhamos cada conquista, cada passo, cada sorriso e, a cada dia, o desabrochar de outro ser humano. Único, especial, cheio de personalidade.

Junto com essa certeza, vem a urgência e, também, a calma. Urgência para não desperdiçar o tempo com o que não importa e calma para desfrutá-lo com qualidade e sabedoria. Para aproveitar cada minuto, cada olhar. Só que o tempo continua a passar e, com ele, vem um misto de felicidade e nostalgia, porque sabemos que as alegrias do dia anterior não mais voltarão. Amanhã serão outras e novas alegrias, mas nunca as mesmas de hoje.

Daí a urgência da mãe, daí (surpreendentemente) a calma e a serenidade da mãe, para fazer escolhas, para sentir o momento, daí nossos instintos aflorados e nossa intuição aguçada. De saber que o tempo é curto demais para tudo o que queremos viver com quem amamos e que, por isso, temos de fazer o que sentimos e também o que é preciso fazer. Assim se passam os dias na vida da mãe, cheios de emoção, angústias, incertezas, cheios de alegrias únicas, indescritíveis e incomparáveis.

Assim foi essa noite… Senti algo diferente. Coloquei-o na cama e percebi que, hoje, não precisava deitar ao lado dele. Vi em seus olhos. Percebi que não precisava oferecer o peito, que meu menino iniciava mais um passo e estava me mostrando isso. Restava respeitar e apoiá-lo, como deve ser sempre que um filho se vê diante de uma nova ponte a atravessar. Ao lado da cama, contei uma história, cantei 3 músicas especiais. Ele sentou e me abraçou forte, duas vezes, sem dizer nada, sem pedir nada. Não precisávamos de palavras. Nossa comunicação vem de outro lugar.

Ligados pelo coração, seguimos com nosso mais novo ritual e, enquanto cantava, acariciei sua testa. Os olhinhos foram fechando, ele dormiu e eu pude admirar o meu menino, que desabrocha diante de mim, que cresce a cada minuto e que a cada novo passo me ensina um novo jeito, maior e ainda mais forte, de amar.

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