PARTO DOMICILIAR – ENTREVISTA COM CRISTINA BALZANO GUIMARÃES

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 0 Flares ×

O parto domiciliar planejado é uma opção que vem sendo cada vez mais procurada por gestantes de baixo risco. Apesar disso, as mulheres que optam por dar à luz em suas residências ainda são minoria e (justamente por ser esta uma opção menos comum, nos dias de hoje), muitas vezes, são julgadas e incompreendidas. Para ajudar a desmistificar alguns aspectos do parto domiciliar, bem como esclarecer dúvidas frequentes sobre esse assunto, convidei Cristina Balzano Guimarães para responder algumas perguntas.

Obstetriz, formada pela USP, Cristina Balzano Guimarães é mãe de três filhos: Mônica, Miguel e João Pedro (nascidos de parto natural). Tem 48 anos. Fisioterapeuta (CREFITO 8043F), Master em Yoga Científico e formação em Yoga com crianças. Durante catorze anos trabalhou como Doula, certificada pela DONA (Doulas of North America). Especialista em Gestantes e Shantala. Cromoterapeuta. Curso de extensão em Técnica Vocal. Aura-soma. Relaxamento e Psicomotricidade, pela PUC-RS. Experiência em monitoria e vivência em grupos de estudo e desenvolvimento sobre Energia Sensorial. Atualmente atende partos domiciliares como obstetriz (parteira urbana).

1. Como funciona o Parto Domiciliar?

“Trata-se de um parto planejado, fruto da livre escolha do casal, acompanhado das pessoas que a parturiente deseja. É, acima de tudo, um direito da mulher. Em suma, é um parto que acontece no local onde a futura mãe costuma se sentir mais segura. É fundamental que o parto domiciliar reúna as condições prévias para que ele ocorra em casa.

A equipe deve ser composta no mínimo por duas obstetrizes com experiência em atendimento ao parto, equipadas de sonar (para auscultar o bebê), aparelho de pressão, almofada térmica, cilindro de oxigênio e ambu (caso haja necessidade de reanimação do bebê), medicamentos, banqueta de parto, banheira inflável, entre outros. A equipe permanece na residência após o nascimento e saída da placenta, até que mãe e bebê encontrem-se estáveis.

Há a opção de haver também um pediatra neonatal para dar a primeira assist6encia ao recém-nascido. Além dessa equipe, é recomendável ter o acompanhamento de uma doula, que dará o suporte físico e emocional durante o parto. Cada membro da equipe vai ao domicílio no momento adequado.

A gestante tem liberdade em escolher a posição mais confortável, assim como pode utilizar uma banheira para relaxar onde,  em muitas vezes, acaba dando à luz. Durante o trabalho de parto não há utilização de nenhum tipo de medicação. Caso seja necessário medicar decide-se transferir a parturiente para um hospital.

Por fim, após o nascimento do bebê, a equipe permanece na casa por mais duas ou três horas acompanhando a mãe e o bebê.”

2. Qualquer mulher pode optar por esse tipo de parto? O que uma gestante precisa para poder parir em casa?

“É necessário que seja uma gravidez de baixo risco. Sabemos que o parto domiciliar planejado apresenta os mesmos riscos que o hospitalar, mas proporcionando muito mais satisfação à mulher. Com tudo isso, é importante sempre realçar que esse tipo de parto é recomendado para a gravidez de baixo risco, o que significa não ter nenhuma complicação durante a gestação, como diabetes, pressão alta, pré-eclâmpsia, Bebê pélvico, gemelar, entre outras. A gestação também deve estar a termo, ou seja, de 37 a 42 semanas.

Como o trabalho de parto é uma pura entrega, para fazer essa escolha é essencial que a gestante sinta que sua casa é um local seguro para parir. Além disso, é natural que ela deva contar com o apoio incondicional do companheiro.”

3. Quais são os riscos e os benefícios do parto domiciliar?

“Dentre os inúmeros benefícios do parto domiciliar, podemos destacar que ele é tão seguro quanto o parto hospitalar, proporcionando, todavia, muito mais satisfação à mulher, pois ela se sente mais relaxada e acolhida. Além disso, não há separação entre mãe e bebê, o risco de infecção é bem menor, a mulher é a dona da casa, ou seja, as regras daquele espaço são somente dela, só participam do parto as pessoas escolhidas por ela, não há a tensão da ida e da locomoção até o hospital (trânsito, vias esburacadas, violência etc.), há a opção de parir na água, ela pode se alimentar, entre outros.

Entre os riscos existentes, podemos citar a hemorragia materna, retenção placentária e sofrimento fetal. Na maioria das vezes, a equipe é capaz de controla-los no local. A transferência de emergência para o hospital tem uma incidência baixa, em torno de 2%. Por isso, é sempre necessário haver um hospital de referência que não esteja a mais de meia hora da casa da gestante.

Há ainda os casos de transferência (que não são de emergência), que ocorrem a pedido da mulher, por analgesia, entre outros. Nesses casos, a incidência chega a 15%.”

4. Qual é a função da obstetriz durante a gestação e no momento do parto?

“A obstetriz está apta a realizar o pré-natal de baixo risco e avaliar as condições psicofísicas e emocionais da mãe e do bebê. Ela também verifica se a gravidez é de risco habitual para que possa ter o parto em casa. É uma profissional com formação superior, especializada em dar assistência à gestante e ao recém-nascido, colaborando para a redução da mortalidade materna e dos índices de partos operatórios. Atende o pré-natal, o parto natural e o pós-parto.”

5. Como você vê o cenário brasileiro atual no que se refere aos diversos modos de nascer? Você acha que obtivemos algum avanço nos últimos anos? Estamos caminhando em uma boa direção?

“Ainda que o Brasil seja campeão do índice de cesarianas, em grande parte desnecessárias, sobretudo na rede privada, é animador constatar o movimento das mulheres em busca de informações sobre o parto natural e o parto domiciliar. E é justamente a informação imparcial a palavra-chave.”

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 0 Flares ×

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *