MENOS BAGAGEM, MAIS FELICIDADE

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Durante muito tempo eu acreditei que existia um jeito certo de se fazer as coisas, um jeito certo de se viver a vida. Não sei (ou talvez simplesmente não venha mais ao caso), exatamente, em que momento absorvi essa mensagem, mas o fato é que absorvi (assim como eu, quantas mais?). O jeito certo era inalcançável. Sempre será. Ele, simplesmente, não existe.

Naquele tempo, era sempre inverno. Culpas desnecessárias, pesos que não me pertenciam, sensação de constante inadequação. Paralisia, diante da possibilidade do “erro”, mas também lágrimas vivas, que fizeram preparar o solo para a chegada de uma linda primavera. Um longo caminho de autoconhecimento para, finalmente, aceitar que o que, por tanto tempo, apreendi do mundo não, necessariamente, correspondia à realidade.

Há alguns bons anos, entendi que não há esse jeito certo para nada. Mas foi a maternidade que me fez colocar esse aprendizado na vida. Veio coroar o processo e me contar que, no fundo, ninguém sabe o que está fazendo. A gente faz o que sente que precisa fazer e, muitas vezes, o que o mundo nos faz acreditar que deveríamos estar fazendo.

Por muitas e muitas gerações, fomos treinados pra viver nadando num mar de inseguranças, sem nunca avistar a terra firme. A grama do vizinho parecia sempre mais verde e crescia em silêncio, tantas vezes solitário, o sentimento invasivo, dilacerante, de que talvez sejamos incapazes de cuidar do nosso próprio jardim. Somos incapazes de algo? Responsabilidades assustadoras, em um mundo hostil, cheio de ilusões, podem se transformar no caminho mais curto para os lugares mais escuros que possamos visitar. Não precisa ser assim.

Ah, que chance preciosa nós temos de permitir que nossos filhos cresçam sabendo que são capazes! Poder curar nossas feridas, ressignificar a nossa infância e cuidar também da nossa criança interna, enquanto oferecemos a outras crianças a permissão para que se apropriem do presente que é a autonomia. Estar disposto, ou não, a esse mergulho é a nossa escolha. O convite é diário. Convite ao aprimoramento da alma, ao caminho da evolução, em todos os níveis. Não há o que temer. Apenas ser.

Encontrar com nossas necessidades mais profundas. Assumir tudo o que realmente é. Deixar de lado as expectativas (nossas e dos outros). Presentear o mundo com a nossa essência e ver a magia acontecer. Deixar crescer a potência do que é só nosso. Não mais caminhar com passos pré-concebidos, mas ao invés disso construir o nosso próprio caminho. Quebrar padrões antigos, para experimentar a liberdade de ser o que se é.

É assim que a jornada vai se enchendo de sentido: na coerência entre sentimento e ação. Fazer, então, aquilo o que se sente que, simplesmente, não se consegue, não se pode, deixar de fazer. Conectar com o nosso propósito. Fazer fluir as nossas escolhas, nossa autenticidade. Abandonar as bagagens que não são nossas, para andar melhor e ser capaz de aproveitar as belezas do caminho. Brilhar. Bailar. Voar. Leve. Assim (e só assim) seguimos. Porque se tem uma lição que aprendi, mesmo, nesse caminho é a de que felicidade e leveza serão sempre, para sempre, amigas inseparáveis.

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