SOBRE O PAPEL DO PARCEIRO NO MOMENTO DO PARTO

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Eu queria escrever um texto sobre o papel do parceiro no parto, mas ficou tão difícil falar nisso sem falar também em tantas outras coisas, que eu decidi fazer diferente. Afinal, hoje é aniversário do meu marido e, em um blog que parte de experiências tão íntimas e profundas, eu não poderia deixar de dedicar um post a ele, num dia especial como esse. Por isso parei um tempinho para organizar as reflexões que ele (mesmo sem saber) tem me dado de presente, desde que ingressamos juntos nessa jornada rumo à construção da nossa família.

Que o apoio do parceiro é importante, eu sempre soube. Não apenas na gestação, ou no parto, mas na vida. O que eu não sabia era o quão decisivo esse apoio poderia se tornar, para a realização completa dos meus sonhos. Certamente, a dimensão da palavra “parceria” (em minha vida) mudou muito, após a gravidez e (mais especialmente) após o parto. Mais do que isso, a dimensão do meu relacionamento mudou também.

Assim como a história do meu parto começou, há muito tempo, junto com o meu sonho de ser mãe, também o parto da nossa família começou muito antes do nascimento do nosso filho. Talvez a história do nosso parto comece na primeira vez em que nos vimos, talvez até antes. Talvez nos momentos da vida em que paramos para imaginar um ao outro, mesmo sem saber que esses outros éramos nós. A história do nascimento da nossa família começa onde começa o nosso amor e o nosso amor (não tenho dúvida) começou bem antes de nos conhecermos.

Nosso caminho sempre foi cheio de sincronicidades. Uma história que chegou repleta de poesia e seguiu enchendo a nossa estrada de versos, cada dia mais lindos. Nossa relação se fortaleceu, a cada alegria, a cada dificuldade. O tempo passou e trouxe com ele o momento de realizar o meu (a essa altura já nosso) grande sonho. Planejamos o nosso momento, nos preparamos cuidadosamente para ele, até que eu, finalmente, me descobri grávida. Cada dia que vivi, a partir daí, serviu para revelar o quão certos nós estávamos em todas as nossas escolhas.

Mergulhamos juntos na busca por um parto natural e humanizado e, por mais que eu desejasse encontrar no meu companheiro a força necessária para se somar à minha, jamais imaginei que seria possível alguém superar tanto as minhas expectativas. Sim, nossas forças se somaram e, juntos, avançamos passo a passo ao encontro do nosso filhote. Juntos, nós estudamos. Juntos, fomos a todas as consultas de pré-natal. Juntos, fizemos o enxoval. Juntos, fizemos os cursos de Preparação para o Parto e de Cuidados com o Bebê. Juntos, acompanhamos todas as transformações no meu corpo. Juntos, monitoramos as contrações de treino.

Quando chegou o grande dia, também estávamos juntos. Também juntos, contamos as contrações e avisamos a nossa equipe. Depois disso nos tornamos um time, no qual cada um ocupou sua posição e garantiu ao outro o espaço necessário para que tudo desse certo. Eu me entreguei ao trabalho de parto. Nosso filho se entregou à experiência do nascimento. Meu marido se entregou a nós dois. Garantiu, a mim e ao nosso pequeno, que nosso ninho estivesse seguro e em perfeitas condições para que pudéssemos (todos) nascer.

A presença do meu marido me encorajava, sua voz me acalmava e seu toque transmitia toda a força de que eu precisava para seguir em frente. Naquele momento eu não precisava de palavras, pois nunca algo havia feito tanto sentido quanto nós, ali. Ele era a minha âncora, minha maior referência, o ponto de contato entre o mundo paralelo, onde eu me encontrava, e o mundo real. A presença dele me ajudava a não duvidar de nada e cada olhar me transmitia a certeza de que tudo daria certo, de que tudo estava bem. A cada contração eu procurava pela mão dele e cada vez que nossas mãos se encontravam, nós três nos tornávamos um. Estávamos conectados, não apenas pelo toque, mas pela respiração, pelo olhar, pela alma.

Quando nosso pequeno chegou, éramos família. Uma energia única nos unia, naquele momento. O tempo parou. Novamente, não precisávamos das palavras. Estava tudo ali, no nosso abraço. O olhar do meu marido mostrava o tamanho daquela conexão e me dizia que havíamos subido um novo degrau. Havíamos chegado a outro patamar. Nossa relação era agora muito mais intensa, muito mais inteira. O olhar dele tinha tanta admiração e respeito por mim, que eu me sentia um gigante. Eu me sentia grande, me sentia capaz de tudo o que seria necessário, dali pra frente.

Não consigo imaginar como teria sido esse dia sem ele. É por tudo isso que jamais terminarei de agradecer, que preciso agradecer. Obrigada, meu amor, por ter apoiado minhas escolhas, por ter seguido firme ao meu lado, por ter me dado a mão, por ter feito o seu melhor, em todos os momentos dessa caminhada. Sem você, talvez eu não tivesse tido força para fazer as mesmas escolhas. Sem você, talvez eu não tivesse realizado o meu sonho, de uma forma tão completa. Sem o seu melhor, talvez eu não tivesse encontrado o melhor de mim.

Para comemorar o dia de hoje e para refletir sobre tudo o que se pode aprender a respeito de uma relação, no momento do parto, compartilho (no vídeo abaixo) um pedaço importante da nossa história, da construção da nossa família. Afinal, se eu tivesse que resumir o papel do parceiro, no momento do parto, baseada no que aprendi com o meu marido, diria apenas que o companheiro representa, no parto, o que ele representa na nossa vida. Aprendi que ele doa, durante o parto, o que ele doa no dia-a-dia, só que de forma potencializada. O parto é, no fim das contas, uma enorme lente de aumento sobre o casal, pois poucas experiências revelam tanto de uma relação quanto a experiência de ter um filho.

Ana + André – More than words from Guilherme Coelho on Vimeo.

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One thought on “SOBRE O PAPEL DO PARCEIRO NO MOMENTO DO PARTO

  1. Tão lindo, tão profundo, uma das coisas mais emocionantes que já li na vida! Parabéns pela família maravilhosa e por ser tão especial, transmitir tanta luz! Gratidão

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