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Educação, Gestação/ primeira infância

A criança no primeiro setênio (0-7 anos)

“Não é possível reparar mais tarde o que o educador negligenciou fazer durante o primeiro setênio.” Rudolf Steiner

Segundo a Antroposofia, o desenvolvimento psíquico e biológico do ser humano se dá em ciclos de sete anos. Isso porque a cada setênio trocamos todas as substâncias do nosso organismo e tal processo reflete tanto em nosso comportamento quanto em nosso corpo físico.

No primeiro setênio, a infância acontece. E nos três primeiros anos desse setênio a criança adquire o tripé básico que a sustentará durante toda a vida: o andar, o falar e o pensar. Para tal, o ninho é fundamental à criança, ele engloba: os pais, os avós, o calor, o espaço e a religião (espiritualidade). A criança deve sentir que “O mundo é bom” e através dessa sensação desenvolver a confiança no ambiente em que vive e nas pessoas com quem convive. Desta forma, seu espaço físico é gradativamente conquistado e aprimorado, servindo de base para todos os anos vindouros. Parece que foi pensando nisso que o cantor Nando Reis compôs a música O mundo é Bão, Sebastião! para o seu filho Sebastião, que na época tinha 6 anos de idade.

O corpo etérico é gestado durante esses 7 anos e nasce ao final deste período; durante seu amadurecimento ele plasma o corpo físico, forma os órgãos, influencia funções metabólicas e é responsável pelo crescimento. Daí a importância do brincar livre nesta faixa etária, carregado de movimentos e dinamismo, ao invés da superestimulação e da passividade oferecidas pela intelectualização precoce e pelo contato exacerbado com a tecnologia (vide texto: Por que desenhos animados e jogos eletrônicos podem ser tão prejudiciais às crianças?). Estes além de impedirem o processo de encarnação do ser, estimulam áreas do cérebro que ainda não estão suficientemente preparadas para lidar com certos conceitos, resultando anos mais tarde, no aparecimento de doenças escleróticas.

Por volta dos 3 anos manifesta-se pela primeira vez a consciência do “eu”. A criança percebe que de fato existe e por isso passa a negar tudo aquilo que vem de fora. Quando as birras começam, a criança está exercitando sua capacidade em dizer “não” para o mundo, e “sim” para si mesma. Quando ela se der conta de que continua existindo, independente de opor-se ao ambiente externo, essa fase negativa cessa e desabrocha sua vida emocional.

Nessa fase da vida, assim como em todas as outras, existem as crises existenciais. Na infância estas são vivenciadas através das doenças febris; fazem parte de seu desenvolvimento e devem ser encaradas como aliadas, pois são essenciais para a construção da individualidade (vide texto: Bem-vinda febre!).

O ritmo também é premissa básica nesse período. Deve-se respeitar a hora de brincar, de se alimentar e de descansar; os horários são extremamente necessários. Tudo tem o seu tempo e limites devem ser criados para evitar uma rotina caótica capaz de deixar a criança desiquilibrada.

Até os sete anos, as crianças são como esponjas, captam consciente e inconscientemente tudo que está ao seu redor. Isso significa que seu corpo etérico absorve todo tipo de sentimentos e pensamentos das pessoas de seu convívio. Ações e ideias morais ou imorais a permeiam, independente de serem explicadas ou justificadas; aliás, de nada adiantam regras e preceitos verbais, os quais entrarão por um ouvido e sairão pelo outro. O que ela precisa são exemplos e nada mais.

ORAÇÃO PARA O PRIMEIRO SETÊNIO

Da cabeça aos pés
sou a imagem de Deus.
Do coração às mãos
sinto o sopro de Deus.
Quando Deus eu avisto
em todas as partes,
em todas as pessoas queridas,

No papai e na mamãe,
no animal e na flor,
na árvore e na pedra,
não sinto medo de nada:
só amor
a tudo que está ao meu redor.

Rudolf Steiner

Artigos relacionados:

O jovem no segundo setênio (7-14 anos)

* O adolescente no terceiro setênio (14-21 anos)

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6 Comments

  • Reply ALESSANDRA CURY 24 de novembro de 2015 at 19:42

    Olá, muito interessante. Quais outros sinais que podem ser observados na criança que indicam a consciência do “eu”? Obrigada!!

    • Reply Maria Inez A. Leme Guimarães 26 de novembro de 2015 at 0:09

      Olá Alessandra

      A consciência do eu manifesta-se através de diversos pequenos sinais que vão variar de acordo com a individualidade de cada um. Um sinal fácil de ser observado é a substituição de “Joazinho quer a bola” por “Eu quero a bola”. A criança se dá conta de que o que ela quer é diferente daquilo que outra pessoa quer. Uma mãe atenta tbm pode notar uma diferença no que se refere ao olhar da criança. Observe o olhar de um bebê e o olhar de uma criança de 3 anos. O bebê tem um olhar mais aéreo, menos centrado, já a criança de 3 anos tem um olhar focado, mais presente. Com o passar dos anos, a criança vai se distanciando do mundo espiritual de onde veio, esse é o preço da consciência. E o nosso dever é mostrar a ela que é possível viver no mundo terreno, sem se desconectar desse mundo invisível que nos permeia a todo instante.

  • Reply Jefferson Willian Ross 31 de outubro de 2015 at 9:52

    Muito interessante. Me dispertou uma curiosidade que eu bem sabia que existia. Quero ler mais.

    • Reply Maria Inez A. Leme Guimarães 2 de novembro de 2015 at 14:51

      O livro “Os três primeiros anos da criança”, do autor Karl Konig, pode te interessar Jefferson! Demais livros sobre o tema vc encontra no site da Livraria Antroposófica: http://www.antroposofica.com.br/

  • Reply Nádia Lúcia 30 de outubro de 2015 at 11:17

    Adorei o seu Blog Maria Inez!!!!

    • Reply Maria Inez A. Leme Guimarães 30 de outubro de 2015 at 16:09

      Obrigada pela participação Nádia!

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