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Educação

A tal festa de antigamente…

Toda criança espera ansiosamente pelo dia de seu aniversário. Às vezes a família toda fica eufórica, pois está atenta aos inúmeros preparativos para comemorar esse evento tão importante. Mas antes de mais nada, precisamos lembrar que as crianças são simples, a gente é que complica tudo.

Para elas, não é necessário uma festa de arromba! Uma criança não está interessada em receber milhares de convidados que ela nunca viu na vida ou que se viu, não faria a mínima questão de ver de novo… Também não precisa ser em um local que ela nunca frequentou, repleto de luzes, sons e efeitos especiais. Especiais são as pessoas do seu convívio, são os locais que ela já tem familiaridade, como sua própria casa, um parque que costuma frequentar ou algum lugar onde ela se sinta acolhida ao invés de inibida. É claro que todos os pais pensam nos detalhes da festa com as melhores das intenções, mas às vezes é importante refletirmos: “Para quem mesmo é a festa, para o meu filho ou para os meus amigos e parentes?”

Muitas vezes a criança chega em um espaço onde está tudo pronto, todo enfeitado e cheio de brinquedos. Isso realmente a entusiasma. Mas frequentemente são tantas informações que ela não tem condições de assimilar tamanha quantidade de estímulos e o que era para ser prazeroso, acaba sendo exaustivo. Além disso, ela não participou de nenhum processo para vivenciar aquele momento e isso implica em certo distanciamento e passividade, elementos tão frequentes hoje em dia, e que alimentam a crença de que basta apertar um botão para tudo acontecer. Muito diferente, é ela acompanhar todo o processo de preparo da festa. Ajudar a quebrar os ovos para fazer o bolo, misturar os ingredientes, embrulhar as lembrancinhas, encher as bexigas (ou ao menos tentar), empurrar aquela mesa mais para a direita ou tirar aquele banquinho do caminho… Enfim, seja como for, ela esteve ali, presente em cada momento daquela vivência e isso a deixa orgulhosa e realmente preenchida. Ela sente-se parte e não à parte. É a tal festa de antigamente…

Sobre os amiguinhos a serem convidados, existe uma teoria que diz que devem ser convidados o número de amigos correspondentes ao número de anos que a criança está fazendo. Por exemplo: seis anos, seis amigos. Exagero? Talvez. Mas podemos apenas observar essa informação e usá-la para que possamos equilibrar a festa que queremos oferecer ao nosso filho da melhor maneira possível, sem mais nem menos.

Esses dias atendi um menininho no consultório que fez 5 anos. Perguntei como havia sido o dia do seu aniversário e ele respondeu: “Barulhento!”

Tudo isso para dizer que a simplicidade pode superar a sofisticação, principalmente quando o assunto são crianças. Afinal de contas, “o essencial é invisível aos olhos”.

Para finalizar, fica a dica de contar ao seu filho uma história sobre o nascimento, quando seu aniversário estiver chegando. Basta adaptar os nomes e as características específicas de cada um. As crianças ficam encantadas! E a gente chora…, porque é linda demais!

A história do nascimento

Dois anos atrás – na verdade um pouco mais – Francisco não estava de modo algum, aqui na Terra. Estava lá em cima nos céus, junto com o seu Anjo da Guarda, e era muito feliz. Pulava, dançava e rodopiava. Primeiro pulava numa perna só, depois na outra, e não caia nenhuma vez.

Um dia, seu Anjo da Guarda chegou junto dele trazendo uma bola de ouro. A bola, bem redonda, era feita do ouro mais puro. O Anjo da Guarda deu a bola para que o menino brincasse. Francisco lançou-a bem alto e pegou-a de volta. Depois jogou-a de uma mão para outra, e não deixou cair nenhuma vez. 

Certo dia, o menino estava com o ânimo realmente brincalhão; pegou a bola, segurou-a para trás do ombro e lançou-a longe, longe, lá para dentro do mundo. Atirou-a o mais longe que conseguiu, e tão longe ela foi parar, que desapareceu completamente. O garotinho procurou aqui, procurou acolá, procurou por todo lado, mas não conseguiu encontrar a bola em lugar algum. Justamente naquele momento, viu algo cintilando entre as nuvens. Saiu correndo por cima destas e… Veja!… Lá estava ela!

Quando se abaixava para pegar a bola, seus olhos captaram uma vista da Terra, e lá embaixo ele viu algo realmente maravilhoso, um lugar lindo, com pedras, árvores, flores e muitos animais e pessoas.

“Ei!”, disse o menino para seu Anjo da Guarda, “posso ir lá embaixo? É o que eu quero, mais do que qualquer outra coisa em todo amplo universo”.

“Sim”, respondeu o Anjo da Guarda. “Mas primeiro você precisa escolher um papai e uma mamãe para te acompanhar nesta jornada”.

Então o menino procurou lá de cima por muitos dias, até encontrar um casal, uma mulher de cabelos lisos, linda, com olhos brilhantes e sorriso de luz que se chamava Alice. E, junto dela estava um homem, o Jonas, moreno, muito alto e que queria mais do que tudo ter um menininho.

Então ele disse para o seu anjo “encontrei! É com eles que quero viver lá na Terra!”, e o Anjo, nesse momento falou para o pequeno: “você pode descer; mas primeiro teremos de viajar durante muito tempo, passando pelo Sol, pela Lua, pelas Estrelas do céu, e através dos portais celestiais até alcançar o portal do Arco-íris. Ali você terá de deixar para trás suas vestes celestiais, e eu as guardarei para você até o seu retorno.

Naquele exato momento a criança caiu num sono muito profundo. A Mãe veio e guardou a criança embaixo do seu coração. O Pai chegou e abraçou a família; e um dia, no meio do mês de Maio, um menininho nasceu, com os olhinhos cintilando como estrelas, e, o melhor nome que seus pais puderam pensar para ele foi Francisco. E assim, Francisco foi crescendo, aprendeu a rolar, depois engatinhar, depois começou a andar e falar. E hoje, ele completa dois anos de vida aqui na Terra.

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3 Comments

  • Reply Ana 28 de março de 2016 at 19:06

    Parabéns pelo texto! Penso que, a “mentira” na vida da criança já começa quando, na sua festa de aniversário o bolo é de mentira, a mesa é cenográfica e todos os enfeites ali servem apenas para uma boa foto postada em redes sociais. Criança é criança!!!

  • Reply Roberto 2 de outubro de 2015 at 9:39

    Dra. Maria Inez, parabéns pelo texto.

    De fato, parece que perdemos a capacidade de sentir, por nós mesmos, o que de fato interessa na vida. Na maioria vezes, não se trata de egoismo ou falta de preocupação dos pais, mas total bloqueio de sensibilidade para perceber o que verdadeiramente importa para a criança.
    O ser humano atual necessita ser reprogramado, pois parece que perdeu a conexão com a essência da vida…

    Um grande abraço.

    • Reply Maria Inez A. Leme Guimarães 2 de outubro de 2015 at 11:45

      Vc tem toda razão Roberto… O que falta é consciência!
      Grata pela partilha!

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