Psicologia

Bem-vinda febre!

Muitas mães tem optado por abolir da vida de seus filhos utensílios que outras fariam de tudo para possuir. O termômetro é um deles! Há quem considere tal atitude extremista. Mas acredito que o dilema se deva ao fato de que quando o objeto está ao nosso dispor, a dependência é mais difícil de ser quebrada do que quando o mesmo sai de cena. “O que os olhos não veem o coração não sente.” Assim como o ego é um ótimo servidor, mas um péssimo senhor, certos comodismos da vida moderna assim também o são.

O termômetro é o grande vilão responsável por assustar mães ansiosas que por desconhecerem o benefício da febre, tentam acabar com ela imediatamente. Esse medo da elevação de temperatura, segundo o médico antroposófico Samir Rahme, instalou-se nos últimos 50 anos devido a uma grande estratégia de marketing da indústria farmacêutica. Ele afirma que a febre, em princípio, é sempre boa. Ela tem um papel fundamental na dinâmica do nosso sistema imunológico, ativando a liberação de anticorpos e de outras substâncias de defesa que vão permitir ao organismo lidar com possíveis “invasores”. Hoje se sabe que é esse mesmo calor que inibe o crescimento de bactérias e aniquila os vírus, ou seja, o calor põe tudo no lugar, renova o organismo. Isso já foi amplamente reconhecido pela comunidade científica tradicional.

Entretanto, cada vez mais a cultura de lutar contra a febre se estende de maneira assombrosa. Por outro lado, é interessante notar que contrariamente à grande massa, em regiões desenvolvidas como a Europa, existem mães que ainda procuram a imunização natural de seus filhos levando-os para visitar crianças com doenças como catapora ou sarampo, por exemplo.

Ao que parece, da mesma forma que surgiu a crença de que a cesárea é o meio mais seguro para dar à luz, reduzindo drasticamente o número de partos normais, a invenção dos antitérmicos também trouxe a ilusão de que interferir na temperatura febril é uma proteção eficaz à saúde da criança.  No entanto, a febre é um remédio natural, gratuito e muito mais rápido do que medicamentos convencionais. Uma doença que duraria apenas alguns dias, respeitando-se a resposta inata do organismo, passa a durar até semanas; pois ao inibir a febre, prolonga-se o efeito viral no mesmo. Sabe-se que o vírus se reproduz muito bem a 35°C, já a 38°C se reproduz pouco e aos 40°C não se reproduz.

Durante a vida, passamos por crises biográficas, presentes de setênio em setênio. Por volta dos 14 anos nos deparamos com nossos desejos e paixões, aos 21 caminhamos em busca de nossa real identidade e aos 28 contamos com a possibilidade de efetivar nossas conquistas e talentos. Na infância, essas crises são vivenciadas através das doenças febris. Evitá-las nos sugere um pseudo-controle, pois embora acreditemos estar eliminando um problema, estamos apenas postergando sua ocorrência.

O calor é o portador do eu, e o único meio do nosso eu ligar-se ao corpo físico, é através do desenvolvimento. Os estados febris são, portanto, extremamente necessários para que a criança possa eliminar as substâncias adquiridas pela hereditariedade e que naturalmente, não estão de acordo com a sua individualidade. As febres infantis são uma tentativa do eu para penetrar mais intensamente no organismo. Ao inibirmos esse processo espontâneo, interrompemos o fluxo de encontro do ser com sua própria essência, pois na medida em que ele se desfaz da carga genética que não lhes corresponde, aumenta sua própria bagagem e isso lhes confere cada vez mais autenticidade. Isso mostra que embora acreditemos estar amenizando um problema, ao oferecer alívio físico, estamos na verdade, adiando o natural desabrochar desta alma, que desde tenra idade tenta seguir adiante munida de sua sabedoria espiritual. E nós, pautados na ilusória conquista da medicina materialista, o conduzimos onde paramos, ao invés de avançarmos rumo ao seu conhecimento intrínseco.

É claro que não devemos deixar a criança entregue à febre, como se nada estivesse acontecendo. Devemos sim cuidar da febre, olhar para a criança e acolhê-la da melhor maneira possível. Pediatras antroposóficos estão aptos para orientar consistentemente sobre como proceder em episódios febris, convém recorrer a eles para maiores informações a esse respeito. Há também uma série de alternativas pra que tal estado seja conduzido sem interferências sintéticas e de maneira respeitosa frente ao organismo infantil.

Confiram algumas delas (fonte: SAB – Sociedade Antroposófica no Brasil):

Compressa com rodelas de limão

Corta-se um limão em rodelas. Depois, elas são colocadas entre as dobras de um pano e batidas para se extrair o suco. Em seguida, a compressa com as rodelas de limão batidas é aplicada morna na panturrilha e firmemente enrolada com um xale de lã.

Compressa com suco de limão

A compressa de limão pode ser aplicada morna na panturrilha. Um limão é colocado numa vasilha com água suficiente para cobri-lo. É depois cortado e espremido debaixo d’água, fazendo-se diversos cortes na casca para se obter bastante óleo etérico (sumo). Dobra-se um pano de algodão ou linho (pode ser um lenço) de modo que cubra a panturrilha. Molha-se o pano na água com limão, espremendo-o depois com força. Ele é aplicado, sem pregas, ao redor da perna, preso com um pano maior e, em seguida, com um pano de lã firmemente enrolado.

Chá de Bebê
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