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Gestação/ primeira infância

Educação, Gestação/ primeira infância

Rezar na infância afasta as drogas na juventude

“Somente as mãos que na infância aprenderam a juntar-se para rezar, saberão na maturidade, abrir-se para abençoar.” Rudolf Steiner

Em nenhuma outra época da vida, as experiências são tão marcantes e profundas como na infância. Nesta fase, a criança está totalmente aberta ao mundo e por isso incorpora as intenções e emoções de seu meio de uma maneira toda especial. Se ela não vivencia, desde tenra idade, sentimentos de confiança, devoção e veneração a algo maior, sente-se desamparada, pois vem ao mundo na expectativa do reencontro com aquele ambiente que recentemente deixou. Isso a preenche e deposita em seu ser a plena segurança de que não está a sós. Continue Reading

Educação, Gestação/ primeira infância

A criança no primeiro setênio (0-7 anos)

“Não é possível reparar mais tarde o que o educador negligenciou fazer durante o primeiro setênio.” Rudolf Steiner

Segundo a Antroposofia, o desenvolvimento psíquico e biológico do ser humano se dá em ciclos de sete anos. Isso porque a cada setênio trocamos todas as substâncias do nosso organismo e tal processo reflete tanto em nosso comportamento quanto em nosso corpo físico. Continue Reading

Gestação/ primeira infância

Parto Normal x Cesárea: opostos que não se atraem

A natureza é sábia. E como os animais estão mais próximos a ela do que nós, humanos, podemos considerá-los em muitos aspectos, mais sábios do que a humanidade em geral. Grande parte dos mamíferos fêmea, quando está prestes a dar à luz, procura um lugar seguro e isolado, preferencialmente escuro e onde reine a mais sublime tranquilidade. Qualquer sinal de perigo (seja a aproximação de algum animal ou a simples queda de uma folha), inibe a respiração da mãe até que ela se sinta novamente segura.

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Gestação/ primeira infância

Da gestação aos três primeiros anos de vida: um marco decisivo na história de cada um

Para que seja possível compreender quão fundamental é o período gestacional, bem como os primeiros anos após o nascimento, faz-se necessário conhecer um pouco sobre o desenvolvimento do nosso cérebro quádruplo. São eles: Cérebro Reptiliano ou Sistema Sensório-Motor, Cérebro Emocional ou Sistema Límbico, Cérebro Racional ou Neocórtex e o nosso cérebro “mais recente”: Córtex Pré-Frontal.
A natureza constrói cada novo cérebro na tentativa de corrigir possíveis erros dos antigos sistemas ou a fim de ampliar a capacidade dos mesmos. Segundo Chilton Pearce, autor americano de diversos livros sobre Educação, a impressionante diferença que existe entre as estruturas neurais do nosso cérebro, faz com que essa herança seja ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição.
Quando integrados, esses sistemas nos oferecem um potencial ilimitado, uma habilidade de ascensão e capacidade para irmos além de todas as restrições ou limites. Ação, sentimento e pensamento integrados. Mas quando essa integração falha, a nossa mente é como uma casa dividida em partes que se colocam contra elas mesmas, o nosso comportamento, uma guerra civil paradoxal e nos tornamos nosso pior inimigo.
Na ordem de desenvolvimento, temos: o Cérebro Reptiliano, que promove apenas reflexos simples e se encarrega da sobrevivência e da aprendizagem física de algumas habilidades. O Cérebro Emocional, que exerce o controle dos nossos comportamentos. E é onde se encontra a base para todas as nossas formas de relacionamento. A terceira estrutura diz respeito ao Cérebro Racional, o qual processa a linguagem e o pensamento, e nos traz possibilidades completamente diferenciadas dos demais animais. E por fim, nossa última e mais recente conquista: o Cérebro Pré-Frontal. O neurocientista Paul MacLean considerava os pré-frontais o quarto sistema evolucionário, e os chamava de “lobos angélicos”, atribuindo a eles nossas grandes virtudes humanas de amor, compaixão, empatia e compreensão, assim como as nossas avançadas habilidades intelectuais.
É interessante observar que cada um dos nossos cérebros começa a se desenvolver no útero na mesma ordem hierárquica de seu aparecimento na natureza. No primeiro trimestre da gestação surge o cérebro reptiliano, no segundo trimestre o cérebro emocional e no terceiro e último trimestre, o cérebro racional passa a se desenvolver. A mais nova adição da natureza, o cérebro pré-frontal, dá seus primeiros sinais somente após o nascimento, mais precisamente, durante o primeiro ano de vida.
Um ser bem gestado e bem cuidado, principalmente até seus três primeiros anos de vida, tem privilégios extremamente significativos em relação àqueles que não receberam tais benefícios. Isso acontece pelo simples fato de que nossas futuras atitudes vão depender muito das experiências vivenciadas nesse período. Estes anos são um marco no nosso tempo de vida, pois é quando o nosso sistema emocional desenvolve as raízes para acolher nosso intelecto superior ainda por vir. Ainda por vir!  É importante frisar essa informação, pois poucos sabem que nossas emoções nos governam muito antes de aprendermos a nomeá-las. O cérebro emocional nasce antes do racional, o que significa que primeiro sentimos, para somente depois compreendermos (ou não) esse sentimento e associá-lo a uma situação. Primeiro amamos ou nos sentimos rejeitados, para só posteriormente procurarmos entender o motivo. É por isso que, principalmente no caso da rejeição, é tão difícil dar-se conta de que houve uma indiferença por parte do cuidador. Geralmente o indivíduo em questão busca racionalizar ao máximo os porquês do seu sentimento de inferioridade ou inadequação. Ele nega a falta de amor que já foi sentida, sob os inúmeros véus do intelecto. Nascer e ser cuidado por uma mãe carinhosa é o maior mérito que alguém pode receber. Não se aprende a amar… O amor é que ensina.
“A intencionalidade precede a capacidade de fazer” Jerome Bruner
É curioso notar que o cérebro mais elaborado necessita do perfeito andamento daquele que o antecede, para que ele possa expressar todo o seu potencial. Ou seja, o cérebro racional só pode se desenvolver plenamente após o funcionamento total do cérebro emocional, o qual, por conseguinte, só apresentará harmoniosamente suas habilidades, depois que o cérebro reptiliano estiver em adequada atividade. Qualquer falha prematura no desenvolvimento do nosso cérebro emocional, por exemplo, prejudicará tenazmente o funcionamento do cérebro racional.
O papel da mãe
 
Pode-se afirmar, portanto, que o cérebro emocional da criança não está pronto para atuar até que seu cérebro reptiliano esteja em total andamento. Por isso, a mãe é precisamente programada para agir como o cérebro emocional de seu filho. Ela (ou seu substituto), servirá de modelo para que um relacionamento adequado seja estabelecido, suprindo as necessidades básicas que o bebê apresenta em seu primeiro ano de vida, tais como alimentação, proteção entre outras. Quando as funções do cérebro reptiliano estiverem em plena ordem, a criança buscará na mãe o modelo do qual necessita para agir emocionalmente. E da mesma forma, quando o cérebro emocional do bebê estiver em plena operação, a mãe fará o papel do cérebro racional substituto e servirá de modelo para o desenvolvimento de seu intelecto. Maria Montessori já dizia que uma humanidade abandonada no seu primeiro estágio de formação, torna-se a sua própria grande ameaça para sobreviver.
Um dado digno de nota diz respeito aos autistas. Sessenta a setenta por cento dos autistas apresentam deficiência do
lado esquerdo do cérebro (cérebro racional). O que ocorre, bem provavelmente, devido a um vínculo empobrecido entre o bebê e sua mãe durante a fase de desenvolvimento do cérebro emocional, tanto no útero, quanto fora dele. Estudos recentes mostram que filhos indesejados têm maior chance de nascer esquizofrênicos ou autistas.
O olhar da mãe cura
Entretanto, partindo do princípio que o modelo foi satisfatório e bem sucedido, a criança torna-se capaz de agir com um grau de independência cada vez maior. Se a mãe proporciona todos esses atributos em um estado emocional positivo, o desenvolvimento é tranquilo e livre de traumas. É a conduta da mãe que vai determinar o estado emocional da criança bem como todo o seu processo evolutivo de uma maneira geral. Se aprendermos matemática sob a ameaça de uma bronca ou qualquer humilhação, o medo e a vergonha tornam-se parte desse aprendizado tanto quanto os números em si. Chilton Pearce assinala que ao exercitarmos o que foi aprendido, mesmo anos mais tarde, os mesmos hormônios emocionais irão desempenhar os seus papéis porque eles também são elementos do padrão neural, assim como o objeto da aprendizagem- e o nosso corpo, cérebro e coração reagirão de acordo.
Vale relembrar que nosso último cérebro a se desenvolver, é o Pré-Frontal. Ele não só é o último, como também o único que inicia sua formação apenas fora do útero. E é justamente este o responsável pela expressão das nossas características mais nobres, como amor e compaixão. Parece que a natureza quis dar uma segunda chance ao conceder a gloriosa missão de transmitir valores desse nível, novamente à mãe ou a um possível substituto. Muitos dizem que não é a gravidez que transforma uma mulher, mas sim dar à luz.O que sugere que uma mãe “ausente” na gravidez (acreditem, esse paradoxo existe!), pode vir a ser uma mãe mais presente após o parto. Ou ainda, pode ceder seu lugar a alguém que não prejudique ainda mais o cuidado que ela não foi capaz de ter. É então somente a partir do nascimento, e através das experiências que desfrutará junto a este modelo, que a criança irá construir suas habilidades no que diz respeito às mais elevadas virtudes. Contudo, se o ambiente desse ser em formação não oferecer as condições suficientes  para ativar os neurônios pré-frontais, os mesmos não se desenvolverão conforme designado.Durante o período de um a três anos de vida, áreas específicas do cérebro delineiam seu repertório de experiências negativas e por volta da idade de três anos esses depósitos se mielinizam e seu funcionamento se torna permanente. Por toda a vida os acontecimentos vividos  serão, inconscientemente, comparados com aqueles que foram armazenados. Daí a importância de preencher esses anos com experiências gratificantes. Caso contrário seu parâmetro será na maioria das vezes ruim, o que faz com que esse indivíduo acabe se identificando frequentemente com o lado negativo das situações.
Tudo o que o uma criança precisa é ser acolhida e amada. Porém, apesar de ser o mínimo, é cada vez mais escasso nos dias de hoje. A preocupação com o sexo da criança, para citar apenas um entre os vários exemplos, torna-se muitas vezes maior do que com outros aspectos muito mais relevantes para o bem estar da mãe e do bebê. Exames extremamente precoces, são além de invasivos, prejudiciais ao feto. Entretanto são “vendidos” para matar a curiosidade da mãe e para que esta possa ter tempo de percorrer longas distâncias a fim de comprar o enxoval do bebê. Mães que vão tão longe, mas se esquecem de que nunca mais estarão tão perto de oferecer o único bem que seus filhos realmente precisam: amor. Há algum tempo se fala da importância de conversar com seu filho desde que se tome conhecimento da sua existência. Mas ainda existem gestantes que passam nove meses ignorando o fato de que carregam um ser dotado de sentimentos e percepções. O maestro canadense Boris Brott aprendia trechos de algumas obras com extrema facilidade e se questionava a respeito. Ao comentar isso com sua mãe, que era violoncelista, ela lhe contou que aqueles eram justamente os trechos que ela tocava durante a
gravidez e que deixou de executar após esse período.
Além das diversas condutas citadas ao longo do texto serem simples, são acessíveis ao mundo inteiro. Não depende de credo, raça, nível social nem intelectual. Basta conscientizar-se de que poucos anos de carinho e atenção podem ser suficientes para preservar uma nova vida de inúmeros prejuízos.
“Os homens são o que as mães fazem deles.” Ralph Emerson (1803-1882)

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