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Educação

Escola Waldorf – o que é isso?

“A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas.” Rudolf Steiner

A Pedagogia Waldorf abrange uma rede de ensino em todo o mundo. Sua base é a Antroposofia, do grego “conhecimento do ser humano”, introduzida por Rudolf Steiner na Alemanha no início do século XX. A Antroposofia amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional pois reconhece o ser humano em suas dimensões física, psíquica e espiritual.

As Escolas Waldorf diferem de uma escola tradicional porque veem a criança integralmente e, portanto alguém que precisa de muito mais além de informações técnicas para seu aprendizado, ela necessita de bases emocionais e espirituais para que se desenvolva de maneira completa e não unilateral. Se alimentamos excessivamente o cérebro e precariamente o coração e a alma das nossas crianças, teremos adultos alfabetizados intelectualmente, porém analfabetos emocionalmente. Em contrapartida, se além de alimentar a esfera racional, nutrirmos as almas das crianças através de vivências que contribuam para seu desenvolvimento psíquico, estaremos formando adultos inteiros e, portanto alfabetizados intelectual e emocionalmente. A maior parte da educação de hoje em dia se preocupa em formar “saberes humanos” ou “teres humanos”. As Escolas Waldorf buscam formar Seres Humanos, no verdadeiro sentido da palavra.

Na pedagogia Waldorf, a vivência precede a teoria. O currículo Waldorf contempla todos os aspectos legalmente previstos para a educação no país, é um currículo ampliado e não reduzido. Envolve as matérias obrigatórias e acrescenta as essenciais. A lei exige Português, Física, Geografia e Química entre outras disciplinas. Isso é importante e qualquer escola apresenta. Somado a isso, a pedagogia Waldorf oferece aos seus alunos a arte de realizar trabalhos manuais, a magia de tocar flauta e cantar, o orgulho de construir sua própria mochila escolar, o entusiasmo de preparar seu próprio alimento, o prazer de dar asas à imaginação nas aulas de marcenaria, a alegria de confeccionar seu próprio boneco de pano, a maestria do tear manual, a liberdade da dança através da euritmia e diversas outras oportunidades que unem mente e coração de uma maneira toda especial.

A vida moderna, permeada de seus inúmeros aparatos tecnológicos, não dá o devido valor ao incrível trabalho de profissionais como: padeiro, marceneiro, cozinheiro, costureiro… Há sempre quem pergunte: “Pra que aprender trabalhos manuais, hoje em dia a gente tem tudo pronto, vai perder tempo com isso?” É lastimável ouvir tal afirmação. Infelizmente talvez seja difícil para algumas pessoas reconhecer que justamente por ter tudo em mãos, o que o jovem acaba perdendo, na realidade, é o contato com o fazer, e aprende que esperar passivamente pelo produto acabado é a sua maior ou única ação.

Se desejamos ver jovens com iniciativa e criatividade, devemos oferecer a eles desde tenra idade, além de bons exemplos, a oportunidade de agir nas pequenas coisas. Se toda vez que meu filho quer um suco de laranja lhe entrego um suco de caixinha, ou se até para ir à padaria aciono o waze, não poderei me espantar e nem me queixar se mais tarde na vida ele ficar deitado no sofá olhando para o celular, esperando um milagre para assumir responsabilidades.

Um aluno Waldorf é perfeito? Não, ninguém é perfeito. E talvez a chave da questão esteja justamente no fato de que não devemos esperar formar alunos perfeitos. Devemos sim aprender a lidar com as limitações e imperfeições inerentes ao ser humano. Sem julgar, sem comparar, sem apressar. Devemos estar ali, juntos, contemplando cada situação como um presente dos céus, porque é isso que trazemos em essência, joias a serem lapidadas. Tudo depende de como os adultos ao redor daquela criança vão nomear suas limitações. Se suas falhas são vistas e trabalhadas com amor, podem transformar-se em um lindo diamante. Mas se ao invés disso são criticadas, ignoradas ou reforçadas, tornam-se verdadeiras pedras em seu caminho. É preciso respeitar e acolher.

Algumas escolas adotam a divisão das salas por desempenho dos alunos, esse é o maior trauma que se pode impor a uma criança. Aquela que está na classe inferior sofre porque é julgada como “mais fraca”, sendo que sua força pode estar em outros quesitos até então ignorados pelo critério selecionado. E sofre também aquela que está na classe superior porque recebe a dura missão de que “a partir de agora você não pode mais errar”.

Todo ensino em massa e todo regime que nos olha através de uma mesma lente, sem atentar para as singularidades de cada um, é fadado ao fracasso. Somos diferentes e por isso cada um tem seu tempo de decolar rumo ao céu do aprendizado escolar.

“Sim, eu estudei numa escola Waldorf dos 4 aos 15 anos. Sim, eu apoio a pedagogia. Não, eu não sou artista! Sou engenheira química e trabalho num centro de pesquisa de uma grande empresa francesa em Lyon, na França. Aprendi o porquê de estudar uma matéria ou outra, com base em exemplos, não apenas pela informação ou para passar na prova. O trabalho feito pela pedagogia Waldorf constrói uma base sólida em cima da qual a criança pode adicionar conhecimento sem dificuldade nem sofrimento.” Ana Maria Cenacchi Pereira.

No link a seguir você encontra perguntas frequentes sobre a pedagogia Waldorf, tais como: “As escolas Waldorf são religiosas? Por que as escolas Waldorf ensinam a ler mais tarde? Como é o currículo das escolas Waldorf”

Perguntas frequentes sobre a pedagogia Waldorf

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2 Comments

  • Reply Ricardo 5 de março de 2016 at 3:12

    Consigo ver o sorriso de Steiner enquanto saboreio esse texto. Acho bonito como alguns humanos passam por aqui e cuidam do jardim Terra. Que esses modelos cheios de amor floresçam e sejam cada vez mais presentes entre nós. Obrigado pela lembrança Maria e obrigado pelo presente Rudolf Steiner.

    • Reply Maria Inez A. Leme Guimarães 6 de março de 2016 at 22:20

      Obrigada vc, pelo belo depoimento!

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