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Educação

Eu permito que meu filho seja quem realmente é?

A criança nasce sendo essencialmente quem realmente é. A educação que julgamos ser tão fundamental aniquila sua essência e coloca em seu lugar, uma personalidade cheia de crenças, manias, regras, apegos e vaidades. Na maturidade e nos melhores casos, a essência, que é a verdadeira dona da festa, começa a se incomodar, sente-se presa e escondida; enquanto a personalidade finge que a festa é sua, embora não passe de uma penetra.

A essência da criança é frequentemente ignorada ou mal compreendida. Nós queremos filhos educados custe o que custar. Mas o preço dessa exigência resulta no fato de que uma vida de verdade está em falta no mercado da humanidade. Gurdjieff já dizia: “O homem consiste em duas partes: a essência e a personalidade. A essência é o que ele possui. A personalidade é o que não pertence a ele. Uma criança pequena ainda não tem personalidade, ela é aquilo que realmente é. Ela é a essência. Seus desejos, preferências, gostos e aversões expressam o seu ser tal como é.” Conclui-se a partir disso, que nascemos com a essência e vamos nos perdendo dela no decorrer da vida. O adulto está identificado tão fortemente à sua personalidade ou ao seu ego, que deixa de perceber seus reais desejos em nome de vontades aprendidas.

Por mais que os pais amem seu filho, dificilmente conseguirão encorajá-lo a agir de acordo com sua verdade (sua essência), pois só quem vive a verdade pode alimentar a verdade alheia. E na realidade, a personalidade é o centro da vida da esmagadora maioria e, portanto, é ela que se mantém nutrida de geração em geração. A sociedade espera indivíduos que ajam dentro dos termos da lei e a lei é uma só: todo mundo tem que obedecer, todo mundo tem que agir dentro do “normal”, todo mundo tem que ser padronizado, pois assim tudo fica sob controle. Isso aprisiona as pessoas, mas as conforta ao mesmo tempo. Fazendo igual e sendo normal, eu sei por onde ir, sei que caminho escolher, tenho pegadas a seguir. Mas a partir do momento que eu ajo de acordo com minha essência, eu sou o caminho e portanto sou o responsável pelo primeiro passo. Esse passo rumo à liberdade é um ato de coragem, que infelizmente, poucos possuem.

Krishnamurti, Osho, Gurdjieff e os diversos grandes filósofos há tempos afirmam que 99,9% da humanidade está dormindo, apenas uma ínfima minoria vive de verdade. Esse número é assustador! A maioria está completamente perdida, amedrontada, não sabe mais qual o significado da vida, do ser, da existência. Acha que a vida é trabalhar, comer, engolir as informações que a mídia seleciona  e dormir. Se as crianças crescem recebendo esse exemplo, como podemos esperar um futuro diferente?

Uma antiga história conta que os donos de uma casa saíram, deixando os empregados a sós. Muito tempo se passou sem que eles voltassem, o que fez com que os empregados passassem não só a agir como donos, mas também a acreditar na mentira que viviam. É o que acontece ao impormos nossos próprios desejos aos nossos filhos. Eles pegam nossas crenças emprestadas e passam a acreditar mais nelas, do que no único e incomparável tesouro que trazem dentro de si: sua essência. Só uma alma livre é capaz de fazer diferença em um mundo permeado pelas confortáveis e traiçoeiras gaiolas em que vive o ser humano.

“São cegos guiando cegos. Se um cego conduzir outro cego, ambos cairão no buraco.” Mateus 15:14

Chá de Bebê
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2 Comments

  • Reply Nel Dias 12 de julho de 2016 at 1:11

    Olá Maria Inez,
    Me interesei muito por esse assunto.
    Tenho buscado muito encontrar minha essência novamente.
    Tenho uma filha de 1 ano e 3 meses e busco a cada dia não apagar a luz interior dela. Estou estudando muito sobre educação infantil, pedagogia Waldorf.
    E, gostaria de uma indicação de livro ou algo relacionado para me ajudar nesse processo.
    Gosto muito da clareza de seus escritos e agradeço desde já sua gentileza.
    Um grande abraço
    Nel

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