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Educação

O jovem no segundo setênio (7-14 anos)

“Quem não tem, nessa idade, a chance de olhar para alguém com um sentimento de ilimitada veneração terá, mais tarde, de pagar por isso.” Rudolf Steiner

Passada a fase dos 0 aos 7 anos, a criança apresenta sinais evidentes de que está pronta para novas vivências: dentre muitas mudanças, ocorre o primeiro estirão, a troca dos dentes e os músculos começam a evidenciar-se. O segundo setênio chegou e junto com ele o nascimento do corpo etérico; neste momento as forças de crescimento são liberadas para as forças do pensar. A criança está apta à segunda etapa da vida: a da escolaridade. Agora podemos começar a pensar em alfabetização. O corpo astral assume certa liderança e passa a ser gestado no período dos 7 aos 14 anos. Sentimentos, emoções e fantasias são intensificados.

Nesta fase o pequeno jovem deve sentir que “o mundo é belo”. Ele buscará uma figura de referência que possa venerar e respeitar, pois será através desta autoridade amada que receberá a imagem do mundo. Uma autoridade excessiva pode gerar introversão, já a falta de autoridade pode levar a uma extroversão exagerada; por isso a importância do equilíbrio na conduta do educador.

Enquanto nos primeiros sete anos a criança estava totalmente aberta ao mundo, agora ela possui uma interioridade maior e carece de uma ligação entre ela e o ambiente externo. Fantasia, arte, música e religião são elementos que compõe o palco onde a criança do segundo setênio dançará. Ela se utilizará da sua criatividade para expressar-se artisticamente a fim de que sua alma seja alimentada com a beleza e a fé que tanto necessita. A criança tem sede de ouvir contos de fadas, fábulas e “histórias da boca” (aquelas inventadas na hora), além disso, buscam brincadeiras onde exista sua participação e permitam sua expressão integral. Ela quer ser autora e não mera espectadora, como no caso da televisão ou de brinquedos com botões de liga e desliga. (vide texto: Porque desenhos animados e jogos eletrônicos aparentemente inocentes podem ser tão prejudiciais às crianças?)

Aos 9 anos a criança vive a metamorfose do sentir, ela passa a ser crítica e sente-se oposta ao mundo exterior. É uma fase transformadora dentro do segundo setênio e conhecida na antroposofia como “rubicão”. (No dia 10 de Janeiro do ano 49 AC, Júlio César atravessava o rio Rubicão, proferindo as famosas palavras “alea jacta est”, isto é, “os dados estão lançados”. Desde aí, a expressão “atravessar o rubicão” adquiriu um significado paradigmático de qualquer situação que chegue a um ponto onde não há volta.) Isso denota que aquela criança mágica e fantasiosa sente que seu sonho acabou. É a transição entre fantasia e realidade. É o querer continuar acreditando no coelhinho da páscoa contra a descoberta que ele de fato não existe. Daí a importância de lembrá-la que as fantasias fazem parte da nossa vida, basta mantermos as portas da nossa imaginação sempre abertas. Nesta fase, a espontaneidade se perde e a vida passa a ser encarada com mais seriedade, há um sentimento de solidão e tudo o que nos resta é acolher ajudando-a a encontrar equilíbrio entre o ensimesmar-se saudável e aquele que pode tornar-se excessivo.

A criança que antes buscava veneração em seres humanos normais carece agora do contato com ações sobrenaturais possíveis de serem acessadas através da mitologia e do Velho Testamento. A relação com a natureza também exerce papel importante, não de um modo científico, mas artístico, promovendo integração ao invés de cisão. Nas Escolas Waldorf elementos como estes são brilhantemente trabalhados, colocando a formação acima da informação. Formar é criar, informar é ensinar o que já foi criado. (Leia mais nos textos: A escola que você escolheu para o seu filho: cria ou atrofia? e Brincar é coisa séria )

Atravessado esse período, chega a pré-puberdade e o momento de considerar menino e menina separadamente. A metamorfose de ambos ocorre com a vontade e o objetivo agora é conquistar o mundo, porém cada um ao seu modo. O menino vivencia o impulso volitivo através do prazer de expressar sua agressividade através das mais diversas brincadeiras, já a menina não revela seus anseios de conquista, ela os vive internamente resultando em sonhos cheios de fantasia, manias e falta de tolerância com os adultos. Da mesma forma como nos primeiros sete anos a constituição física é definida, agora se define o temperamento que envolverá este jovem durante toda sua vida. (vide texto: Mesmos pais, mesmos filhos? – A origem dos temperamentos)

 

ORAÇÃO PARA O SEGUNDO SETÊNIO

Eu contemplo o mundo onde o sol reluz;

onde as estrelas brilham,

onde as pedras dormem,

onde as plantas vivem e vivendo crescem;

onde os bichos sentem e sentindo vivem;

onde já o homem, tendo em si a alma,

abrigou o espírito.

Eu contemplo a alma que reside em mim.

O Divino Espírito age dentro dela,

assim como atua sobre a luz do sol.

Ele paira fora na amplidão do espaço

e nas profundezas da alma também.

A ti eu suplico,

ó Divino Espírito,

que bênçãos e forças para o aprender,

para o trabalhar,

cresçam dentro de mim.

Rudolf Steiner

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A criança no primeiro setênio (0-7 anos)

* O adolescente no terceiro setênio (14-21 anos)

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