bebe_executivo
Sem Categoria

O seu trabalho te enche ou te preenche?

Estamos habituados a encher incansavelmente nossas agendas (e a dos nossos filhos) porque vivemos sob a crença de que não podemos perder tempo. Mas o que é “perder tempo”, afinal? “Aprendemos a ganhar a vida, mas nunca a vivemos. A capacidade de ganhar a vida toma a maior parte de nossa vida; dificilmente temos tempo para outras coisas. Encontramos tempo para falar de futilidades, para nos divertir, para jogar, mas isso não é viver. Existe um campo – que é o viver real – totalmente negligenciado.” Krishnamurti.

Geralmente ganhamos a vida cuidando de nossos negócios profissionais como diretores de empresa, professores, atendentes, médicos e por aí vai. “Ganhar a vida” está totalmente relacionado aos negócios. A etimologia da palavra “negócio” indica a negação do ócio. E ócio significa um tempo livre, um tempo vago para não fazer absolutamente nada, apenas relaxar. Mas veja, relaxar também é fazer alguma coisa! Quando eu relaxo eu estou me permitindo um momento de lazer, de encontro comigo mesmo, eu estou abrindo um espaço para que o novo possa surgir. Mas a partir do momento que surge a crença de que para ganhar a vida, eu preciso negociar, negar o ócio, fica subentendido que para perdê-la, basta ficar ocioso. E é esse o grande engano.

Quando me ocupo de meus negócios, em geral há tensão, exaustão, esforço e pressão. E quando me desocupo, aí sim respiro e busco um momento de lazer. Por isso, a vida é sempre 8 ou 80. Ou eu me esforço ou eu relaxo. Esqueceram de nos avisar que é possível encontrar esse ritmo de movimento e pausa durante o dia, de maneira que eu não precise chegar ao meu limite para então extravazar. A natureza é feita de ritmos (dia e noite, marés, estações…) e portanto nós somos seres ritmados (inspiração e expiração, sístole e diástole…). Porque não podemos vivenciar o que somos no dia a dia?

A resposta é uma só: o ser humano se afastou da sua vocação e no lugar dela, abriu um espaço imenso para o seu dever. Ao dedicarmos nossa vida exclusivamente aos deveres, deixamos de olhar para o único alimento capaz de nutrir nossa alma: o dom. A partir do momento que eu incentivo meu filho a escolher uma profissão pautando-me no fato de que ele precisa “ganhar a vida”. Eu acabei de orientá-lo a fazer exatamente o contrário disso. Somente quando sua mente está livre e desocupada, ela consegue ser ela mesma. Se você está constantemente com a cabeça cheia, você é tudo aquilo que a encheu, menos você mesmo. A vida torna-se mecânica, padronizada e distante daquilo que realmente seria se pudéssemos exercitar o silenciar interno. Hoje em dia não conseguimos desfrutar nem mesmo das nossas férias! Nosso organismo precisa de, pelo menos, três semanas seguidas de descanso para que possa se recuperar das atividades profissionais. Você tem feito isso? Ou tem “vendido” suas férias para juntar mais dinheiro e viajar quando não tiver mais vontade e nem saúde?

Isso tudo não supõe que devemos pendurar as chuteiras e viver de brisa. Isso significa não estar incessantemente ocupado com alguma coisa. Significa ter consciência de que você não é seu trabalho, seus compromissos, sua obrigação, suas provas, seus títulos, ou seja lá o que você tenha que fazer; você É independente disso tudo. Primeiro nós somos, depois nós temos.  O Ser precede o Ter. A vocação só pode ser vivenciada a partir do momento que eu me conecto com aquilo que me preenche internamente, e que pode estar ou não relacionado à minha subsistência. Se no momento da minha escolha profissional, eu pude optar por um trabalho que me proporciona ganhos em diversos aspectos, é bem possível que eu exerça minhas atividades de uma maneira integral, pois existirá um equilíbrio entre ganhos materiais e ganhos anímicos. Mas se ao invés disso eu optei por uma carreira baseando-me apenas em seus frutos materiais, talvez seja preciso reorganizar minha vida para que eu possa me livrar daquele constante sentimento de vazio e falta de sentido que persegue minha alma. E quem sabe assim, eu possa responder à pergunta do título com um enorme sorriso no rosto: O meu trabalho me preenche!

 

 

Chá de Bebê
Previous Post Next Post

No Comments

Leave a Reply