Educação, Gestação/ primeira infância

Rezar na infância afasta as drogas na juventude

“Somente as mãos que na infância aprenderam a juntar-se para rezar, saberão na maturidade, abrir-se para abençoar.” Rudolf Steiner

Em nenhuma outra época da vida, as experiências são tão marcantes e profundas como na infância. Nesta fase, a criança está totalmente aberta ao mundo e por isso incorpora as intenções e emoções de seu meio de uma maneira toda especial. Se ela não vivencia, desde tenra idade, sentimentos de confiança, devoção e veneração a algo maior, sente-se desamparada, pois vem ao mundo na expectativa do reencontro com aquele ambiente que recentemente deixou. Isso a preenche e deposita em seu ser a plena segurança de que não está a sós.

É claro que não se trata de encher a cabeça da criança de regras e preceitos morais. Muitas vezes a religião racionaliza demais o que é para simplesmente ser vivenciado e sentido. Por isso, o ideal é criar momentos permeados de calma, paz e veneração, a fim de permitir a criação de um espaço interior de entrega e confiança. Desta forma, a possibilidade futura de desesperar-se frente a situações difíceis diminui drasticamente.

Estamos falando de momentos singelos, livres de grandes expressões. Uma pequena oração antes de dormir ou antes das refeições já mobiliza sentimentos de gratidão a algo superior e isso basta para que uma pequena semente de fé seja plantada no coração da criança. A comemoração das festas anuais (Natal, Páscoa, São João, São Micael…) também ajuda a nutrir esse sentimento devocional, desde que o significado primordial de cada uma delas seja sempre preservado.

A pediatra alemã e ex-aluna Waldorf, Michaela Glockler, afirma que se as crianças não tiverem uma educação religiosa, posteriormente, na vida, elas terão muito mais dificuldades de partir em busca de valores espirituais, porque não conseguirão recorrer a experiências anteriores e , por isso, em realidade não saberão exatamente o que procurar.

Pesquisas europeias apontam para o fato de que o aumento constante de vícios e dependência química, está intimamente relacionado à ausência de espiritualidade. Ao questionar os dependentes de drogas sobre os motivos que os levaram a optar por essa vida, encontram-se em suas respostas a busca por valores que correspondem às experiências religiosas, como por exemplo: calma, proteção, vivência de relações humanas onde haja confiança, vivências de luz e calor, vivências sensórias intensas e vigorosa experiência de si mesmos. Segundo eles, foram as dúvidas insuportáveis quanto ao sentido da vida que os lançaram ao vício.

E não é preciso esperar a criança compreender racionalmente para começar a permear seu mundo com vivências religiosas. Ela não precisa elaborar as palavras da oração, mas sim sentir-se envolvida pelo ambiente de segurança e acolhimento que provém de tais experiências. Desde bebê já podemos exercitar essa prática para que tais momentos sejam incorporados pela sua alma com alegria a naturalidade.

Oração (cantada) nos Jardins de Infância Waldorf antes das refeições

Terra que esses frutos deu

Sol que os amadureceu

Nobre Terra

Nobre Sol

Jamais os esqueceremos

Chá de Bebê
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1 Comment

  • Reply Ricardo 10 de Fevereiro de 2016 at 20:24

    A reverência é assunto muito relevante nesse momento que a profissionalização aparenta se sobrepor à humanização. Esquecer do humano, aquele estado de não saber que nos coloca em contato com o mistério, e só buscar o profissional é caminho para virar estátua de sal, nome de rua ou vida seca. Que as escolas despertem para esse “detalhe” fundamental. Que venha portanto o convívio, não só na horizontalidade de nossas relações humanas, senão principalmente na atitude reverente ao mistério da vida. Rezemos e reverenciemos o mistério, na infância, na adolescência, na adultescência, na senescência e na sobrevivência! Obrigado pela reflexão!

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