feliz x infeliz
Educação, Psicologia

Você curte a sua vida ou só sabe “curtir” no facebook?

No Café Filosófico deste último domingo, Leandro Karnal nos convidou a refletir sobre qual seria o olhar de Hamlet, de Shakespeare, perante a condição humana de hoje em dia. O que ele diria sobre a tecnologia e as redes sociais? E a conclusão foi que ele seria um “anti-facebook” e enxergaria a humanidade como “feliz por obrigação”. Ninguém consegue ser o que é, por viver na eterna busca de aparentar aquilo que gostaria de ser.

Karnal enfatiza que Shakespeare é original porque nunca fez uma faculdade. Se ele tivesse sido formado pela universidade do século XVI, ele seria um intelectual acadêmico. E não produziria nada de útil, de bom ou de significativo para o resto do mundo. Na verdade é não ser universitário que explica a originalidade shakespeariana. Uma pessoa que reconhece seu universo e sabedoria interior, não precisa de títulos que o comprovem como tal. Uma pessoa consciente de seu valor, não carece do reconhecimento alheio para se auto afirmar.

Enquanto eu precisar que 3000 amigos curtam meus posts para me convencer de que o que fiz foi realmente bom, eu não sou feliz. Enquanto eu tiver 3000 amigos virtuais e nenhum com que contar de verdade, eu não sou feliz. Enquanto eu precisar tirar milhares de fotos para compartilhar minha “felicidade” com os outros, eu não sou feliz. Enquanto eu mesmo não for capaz de curtir a minha própria vida, eu não sou feliz. Ou ainda, enquanto eu não puder encarar a infelicidade como um sentimento inerente à condição humana, e como caminho necessário rumo à consciência, eu jamais serei feliz.

Se essa fosse a realidade do universo infantil, diríamos que lhes falta maturidade e que sabem muito pouco da vida ainda. Mas essa é a realidade adulta da nossa sociedade, o que nos mostra a gravidade da situação em que nos encontramos. Qual a condição psíquica dos educadores das crianças? Como esperar jovens preparados para a vida e livres de espírito, se quem os educam são pais despreparados e prisioneiros de suas próprias inseguranças?

É preciso muita coragem para agir contra a correnteza, muita autoestima, muita força e energia. Pois informações novas ou que contradizem o senso comum provocam grandes irritações e desestabilizam a resignação da maioria, que vai fazer de tudo para que o desbravador sinta-se rejeitado. Aquele que percebe antes dos demais, pode até ser rotulado de louco, mas na verdade representa um dos poucos sábios que conseguiu encontrar luz onde reinam as trevas.

“De todos os lados os loucos foram apenas faróis das raças, pessoas que intuíram o que aconteceria. Por que às vezes é preciso ser louco para ver o óbvio. Para ver que todos os problemas que nos são mostrados na televisão, são problemas falsos para que não vejamos os reais. Para ver que todas as festas são um barulho alto para impedir que eu expresse a melancolia densa e profunda da minha existência. E que quanto mais eu fotografar e passar adiante e comunicar e quanto mais eu escrever “kkkk”, é maior sinal que eu estou triste, triste, triste. Porque eu estou precisando que o mundo inteiro curta a vida que eu não estou curtindo. Que o mundo inteiro me diga como é legal a vida que eu próprio estou achando insuportável. E se muitas pessoas me disserem isso eu consigo evitar que o resto seja silêncio, eu consigo evitar a solidão.” Leandro Karnal

Chá de Bebê
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1 Comment

  • Reply Sibele Souza 1 de agosto de 2016 at 1:47

    Querida Maria Inez, como sempre muito bom ler o que pensas!
    Obrigada por partilhar suas visões!
    Toda luz.

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