18/12 dia da Doula 5


Ontem foi comemorado pela primeira vez no Brasil o Dia da Doula. A comemoração é oficialmente estadual, mas vários outros estados também comemoraram.

O Jornal Bom Dia, publicou uma matéria muito bacana da querida Carla Campos sobre as Doulas: É Melhor Chamar a Doula.  Deixo aqui publicamente, em nome de todas as doulas do nosso país, meus agradecimentos à Carla e ao jornal pela execelente matéria 🙂

Em São Paulo, nós Doulas nos reunimos no Parque do Ibirapuera, distribuimos flores e panfletos para quem passeava pelo parque. Foi uma manhã maravilhosa! Depois fizemos um circulo, trocamos energia, palavras. Foi sentir  a união, a harmonia que havia ali entre nós.

 

Eu resolvi ser doula porque depois do parto (vba2c) tudo perdeu sentido pra mim…. tudo que eu acreditava fazer parte da minha vida.
Eu larguei emprego, carreira, salário alto e fui fazer o curso de doula. Foi um chamado. Algo muito mais …forte que eu mesma. Algo que eu ainda não entendo.

A primeira doulangem que eu fiz,  me senti como se eu já tivesse feito aquilo inumeras vezes. Como se eu já soubesse como levar conforto àquela mulher, mesmo sendo a primeira que eu estava assistindo. Parecia que aquilo já estava dentro de mim, e que era apenas um despertar. Era como se eu estivesse repetindo algo, que pelo menos nessa vida, eu nunca tinha feito. Depois do primeiro, foi impossível parar.

Sou muito grata a Deus, ao universo e a tudo e a todas as pessoas, que de certa forma me conduziram para este caminho.

Sou doula porque gosto de levar carinho, conforto e confiança para a mulher no momento mais importante da vida dela… embora a maioria nem saiba disso… 🙂

Eu fui petulante, a ponto de dizer: “só irei doular com médico humanizado ou com parteira. Não quero doular aqui na minha cidade”. Egoísta que fui. Dói ver o quanto eu estava mergulhada em meus próprios desejos, sem olhar para a mulher que ia parir.

Hoje entendo que as mulheres que não terão um parto humanizado, porque não tem equipe, são as que mais precisam da Doula. São as que mais precisam de alguém para ajudar a passar pela violência institucional que um parto aNormal traz. Que uma desneCesarea traz.

Doular partos lindos, com equipe humanizada, partos domiciliares são reenergizantes sim. Como é gostoso!!! Mas esses são presentes, e são regeneradores da minha energia para que eu possa ajudar àquelas mulheres que ainda não puderam ter uma equipe humanizada. Que ainda não passaram todas as barreiras e percorreram todos os caminhos do empoderamento. Essas sim, precisam do apoio de uma Doula.

As horas infindáveis longe dos meus  filhos, o peito que empedra porque fiquei horas sem amamentar a Catharina,  os quilometros intermináveis do caminho de volta para casa após 20, 30 horas de “doulagem”,  as cesáreas, os partos “frank”, nada disso me desanima. Porque hoje, sei que é minha missão 🙂

Dedico esse post a todas as Doulas do nosso país, do nosso planeta. Mulheres, que dedicam sua vida para levar conforto, carinho e confiança à outras Mulheres, no momento mais importante da vida: O Parto!

E você que teve uma Doula. Quer deixar um recadinho pra ela pelo dia de ontem??


sobre Gisele Leal

Sou Bióloga, formada pela Puc Campinas em 1997.
Minha primeira filha, Beatriz, nasceu em 1998, e m 2007 nasceu o Arthur ambos de prováveis cesáreas desnecessárias.
Em 2010 me vi grávida novamente, e inconformada com a notícia de que teria que agendar minha cesárea. Busquei informações, me preparei, me empoderei e assim, nasceu Catharina de um parto natural maravilhoso após 2 cesáreas, após 42 horas de bolsa rota e com parteira e doula num hospital em São Paulo.
A experiência do parto mudou minha vida. Em apenas um mês do nascimento da Catharina escrevi um livro e publiquei o blog Mulheres Empoderadas.
Menos de um ano após, larguei carreira de 14 anos na indústria onde eu atuava como gerente de qualidade, e vivia dividida entre as pontes aéreas e viagens internacionais e minha família. Então me capacitei como Doula pela ANDO – Associação Nacional de Doulas em abril de 2011, embora já acompanhasse eventualmente a gestação e parto de amigas e primas desde Outubro/2010, tamanha era a minha vontade de estar nesse meio.
Ainda em 2011, inconformada com o modelo de assistência obstétrica no nosso país, reuni doulas, parteiras, mães e simpatizantes do movimento de humanização e juntas fundamos o MAHPS – Movimento de Apoio á Humanização do Parto em Sorocaba, elaborei o projeto Doula Social para ser implementado no SUS e comecei a atuar voluntariamente em um hospital público de Sorocaba.
Em apenas 14 meses de MAHPS, idealizei e coordenei a organização de 2 encontros voltados à Humanização do Parto e Nascimento e um Encontro Nacional de Parteria Urbana, além de mais de 22 encontros do grupo de apoio à gestantes.
Em 2012 fiz o curso de Formação em Parto Ativo com a Janet Balaskas, inglesa, precursora do conceito Parto Ativo e ingressei no curso de Obstetrícia da USP.
Em julho de 2013 nasceu a Sophia, em casa nas mãos do pai, cercada pelos irmãos. Diferente da história da Catharina que foi uma história de empoderamento e superação, o parto de Sophia foi uma história de entrega, fé e aceitação.


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5 thoughts on “18/12 dia da Doula

  • Luciane

    Eu tive 5 doulas na minha vida até aqui, apesar de apenas 2 partos!
    A primeira foi uma doula-amiga-anjo (Andréa Faria, de S. José Campos) que me ensinou a trilhar o caminho do parto natural e domiciliar.
    Depois a doula querida do meu primeiro parto (Regina Carvalho), que me deu a segurança necessária para aquele momento.
    No 2o. parto tive a minha doula-amiga (Carla Arruda) que doulou a mim e cuidou do Pedrinho enquanto eu paria.
    Vc, Gi, também me doulou, fazendo minha barriga de gesso, cuidando de mim e me paparicando…
    E não posso deixar de dizer que tive um marido-doulo nos meus 2 partos! Só que este eu não divido! rsrsrs
    Brincadeiras à parte, desejo que estas mulheres empoderadas continuem passando todo o seu empoderamento para as outras mulheres, e assim caminhe a humanidade e diga-se de passagem, num caminho mais humanizado.
    Beijos

  • Kel

    Gi, não consigo pensar num parto sem a presença de uma doula. Ela é a mão que conforta, o olhar que acalenta… é o braço que te segura qdo você mais precisa de amparo.
    Tive a presença de uma doula no meu parto e acho que foi o melhor investimento que eu poderia ter feito. No segundo, a doula tinha virado parteira e, nessa condição, ela acompanhou meu PD.
    O momento do parto é intenso – ter alguém com experiência ao meu lado me trouxe mais confiança e a certeza de que tudo daria certo, independentemente dos caminhos que fossem trilhados.
    Doula, p/ mim, é presença essencial em qualquer parto.
    Parabéns a você e a todas as mulheres que se dedicam a esse lindo ofício.
    Bjs,