Essa louca vontade de ser mãe…. de novo (parte 3)!! 21


familia felizE pra quem leu a parte 1 e a parte 2 dessa longa (nem tanto vai) história, é chegada a hora de contar a parte 3.

E eu tive alguns motivos para postar somente agora 😀

…Foi uma maternidade muito, muito mais leve. Longe de ser perfeita, mas muito mais gostosa, sem crise, com pouca culpa…  tanto que quando o Arthur estava com um ano e meio, meu primeiro sobrinho nasceu, e aí brotou uma louca vontade de ser mãe novamente….

(continuação  – Parte 3)

Acho que foi a primeira vez que senti meus ovários “coçar” de verdade. Todo meu corpo e minha  alma pediam por um bebê. Mas eu me lembrava do cursinho de gestantes que eu tinha feito quando estava grávida do Arthur, quando a enfermeira obstetra disse: Após uma cesárea é possível parto normal. Após duas, nem pensar!. Lembrava disso e ficava apavorada. Apavorada porque a 2ª cesárea tinha sido ainda pior que a primeira. Apavorada porque eu sempre quis um parto normal e não tinha conseguido. Apavorada porque eu não tinha condições emocionais e pisicológicas de enfrentar uma nova cesárea e apavorada porque apesar disso tudo eu queria engravidar de novo!

Comecei  a brincar com o Cesar: Amorrrrrrr! Que vontade de ter outro bebezinho! Uma menininha! Ele desconversava, dizia que o Arthur era muito pequeno, que precisávamos primeiro ter uma estabilidade emocional e financeira. Mas eu insistia no assunto…

Em apenas três meses estava grávida! Fiquei muito feliz! Muito feliz!  Foi a melhor gestação que eu tive. Engordei apenas 8 kg, me sentia ótima, disposta, ativa. Nadava, caminhava, nada me deixava pra baixo. Por outro lado, a idéia de ter outra cesárea me tirava o sono. Queria tanto um parto normal! Comecei uma peregrinação inacreditável por vários obstetras do meu plano,  21 no total. Todos foram categóricos em dizer que eu não poderia nem entrar em trabalho de parto, quanto mais ter um parto normal. Foram meses de angústia.

Foi uma longa batalha, dura, árdua, mas que terminou num lindo parto natural, na banqueta de cócoras, com parteira, doula, tudo que eu queria e tinha direito (aqui está o relato do parto). Sentir minha filha saindo de dentro de mim e poder pegá-la imediatamente assim que ela nasceu, sentir seu corpinho quente, cheio de fluidos do parto, cheirando a liquido amniótico foi transformador! Não há sensação melhor no mundo! Uma sensação de poder, de realização, de superação, de reencontro comigo mesma. Uma sensação de completude….

E então chegamos no ponto de porque eu comecei a escrever essa série de posts, sobre essa louca vontade de ser mãe (de novo). Porque esse  foi o único parto que não me limitou, que possibilitou que eu exercesse a maternidade de forma integral, sem dor, sem corte, sem medo de sentar, de levantar desde o primeiro segundo de vida dela fora da barriga. Foi o único parto que me possibilitou estar segura, inteira para curtir minha família, para cuidar da minha cria com absoluto prazer.

Após essa experiência mudei muitas coisas na minha vida, como por exemplo, a amamentação exclusiva até 8 meses e prolongada até o momento.

Esse foi o único parto que me transformou a ponto de assumir o que me fazia infeliz e partir em busca do que me faz feliz hoje: larguei a estabilidade de uma carreira, que apenas alimentava meu status social, me trazia uma segurança material, mas que não me tornava feliz e que, ainda por cima, me dividia entre a família e as pontes aéreas. Sim, eu sempre soube das conseqüências que teríamos que enfrentar quando tomei essa decisão , tanto que estamos passando por várias dificuldades financeiras por causa disso. Mas tenho certeza que são passageiras.

Me encontrei no mundo da humanização do nascimento.  Não tinha como não retribuir toda a ajuda que eu havia recebido das pessoas envolvidas nesse meio. Mães, pais, ativistas, doulas, parteiras e médicos… Não pude mais negar a vontade de ajudar outras mulheres a romperem com o sistema, que nos anula, nos cala, nos anestesia, nos deita, nos amarra, nos corta, nos nega, nos ignora. Então comecei a blogar. Depois me capacitei como Doula. E as mulheres que eu acompanhei o parto, os bebês que eu vi nascer, as novas famílias que eu vi formar, ascenderam em mim um forte desejo de conhecer ainda mais sobre esse mundo. E então ingressei no curso de Obstetrícia da USP.

E, principalmente, esse foi o único parto que ascendeu em mim aquela vontade que eu tinha enquanto menina de ter vários filhos!

É preciso coragem para isso. A mesma coragem (será?) de largar uma estável carreira em multinacional para viver de uma profissão incerta, nova e que muitas vezes não é remunerada.

Uma coragem ainda maior (e uma boa dose de fé no amanhã) para se aumentar uma família, em meio a tanta instabilidade financeira.

Muita coragem para assumir que quando os ovários coçam e o corpo clama por mais um filho, não é possível ignorar esse chamado…

E eis que mais uma vez, uma energia inunda meu ser, prepara meu útero, meu ventre,  minha mente e meu coração para receber  mais um bebê nessa família que tanto me faz feliz. Que tanto me completa. Mais um irmãozinho, ou quem sabe mais uma irmãzinha, para os filhos que tanto me fazem feliz como mãe. Mais um descendente para esse homem que tanto me completa como mulher e que cedeu mais uma vez ao poder dessa energia avassaladora do gerar, do gestar, do parir, do amar. Há algumas semanas, somos 6. Nossa família aumentou!

positivo


sobre Gisele Leal

Sou Bióloga, formada pela Puc Campinas em 1997. Minha primeira filha, Beatriz, nasceu em 1998, e m 2007 nasceu o Arthur ambos de prováveis cesáreas desnecessárias. Em 2010 me vi grávida novamente, e inconformada com a notícia de que teria que agendar minha cesárea. Busquei informações, me preparei, me empoderei e assim, nasceu Catharina de um parto natural maravilhoso após 2 cesáreas, após 42 horas de bolsa rota e com parteira e doula num hospital em São Paulo. A experiência do parto mudou minha vida. Em apenas um mês do nascimento da Catharina escrevi um livro e publiquei o blog Mulheres Empoderadas. Menos de um ano após, larguei carreira de 14 anos na indústria onde eu atuava como gerente de qualidade, e vivia dividida entre as pontes aéreas e viagens internacionais e minha família. Então me capacitei como Doula pela ANDO – Associação Nacional de Doulas em abril de 2011, embora já acompanhasse eventualmente a gestação e parto de amigas e primas desde Outubro/2010, tamanha era a minha vontade de estar nesse meio. Ainda em 2011, inconformada com o modelo de assistência obstétrica no nosso país, reuni doulas, parteiras, mães e simpatizantes do movimento de humanização e juntas fundamos o MAHPS – Movimento de Apoio á Humanização do Parto em Sorocaba, elaborei o projeto Doula Social para ser implementado no SUS e comecei a atuar voluntariamente em um hospital público de Sorocaba. Em apenas 14 meses de MAHPS, idealizei e coordenei a organização de 2 encontros voltados à Humanização do Parto e Nascimento e um Encontro Nacional de Parteria Urbana, além de mais de 22 encontros do grupo de apoio à gestantes. Em 2012 fiz o curso de Formação em Parto Ativo com a Janet Balaskas, inglesa, precursora do conceito Parto Ativo e ingressei no curso de Obstetrícia da USP. Em julho de 2013 nasceu a Sophia, em casa nas mãos do pai, cercada pelos irmãos. Diferente da história da Catharina que foi uma história de empoderamento e superação, o parto de Sophia foi uma história de entrega, fé e aceitação.


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