O que é o parto humanizado? 1


Cada vez mais, aparece o termo “Parto Humanizado” nos grupos de discussão de parto nas redes sociais, nos sites dos profissionais que prestam atendimento obstétrico e na mídia.

Mas a verdade, é que pouquíssima gente sabe realmente o que  significa humanizar a assistência ao parto.

Escrevi, anteriormente, sobre profissionais que se auto-intitulam humanizados. Vale a pena ler estas dicas para ver se o profissional que está te atendendo é realmente humanizado ou não.

Mas afinal o que é o “parto humanizado”?

O parto humanizado não é uma técnica de parto. Não é o mesmo que parto domiciliar, e também não é o mesmo que parto natural.

Independente do local ou das intervenções, o parto pode ser humanizado.

Assim como pode haver parto em casa ou parto natural que não é humanizado.

Complicado?

O parto humanizado é um conceito, onde a mulher é ouvida, seus tempo, o tempo do bebê e os desejos da mulher são ouvidos e respeitados. E no caso de algum desejo da mulher não poder ser atendido, os profissionais que estão assistindo-a irão explicar o porque, qual intervenção é necessária e ela dará seu consentimento. Portanto, incentivar que a gestante/casal elaborem um plano de parto e compartilhem com as pessoas e/ou instituições que irão prestar assistência ao parto e nascimento desse casal deveria ser indiscutível e imprenscidível para instituições/profissionais que dizem prestar assistência humanizada.

O parto humanizado pode acontecer em um hospital, casa de parto ou na casa da parturiente, com equipe que assista a mulher com base em evidências científicas, sem terrorismos desnecessários.

O parto humanizado pode ser natural ou pode precisar de intervenções, a pedido da mulher (como a analgesia por exemplo) ou por indicação do profissional que está assistindo ao parto.

Parto humanizado hospitalar com obsetra, parteira, doula e avó. Foto Kelly Stein. Arquivo pessoal de Érica Azevedo.

Sendo assim, podemos dizer que : A humanização do parto e nascimento tem como base 3 pilares:

1) respeito à autonomia e protagonismo da mulher durante o processo da gestação, parto e pós-parto, com foco na fisiologia destes processos individualizando o olhar para cada binômio.

2) respaldo das condutas obstétricas e neonatais em evidências científicas recentes e de qualidade.

3) assistência multiprofissional e integral à gestante, parturiente, puérpera e bebê. Não há como humanizar realmente uma assistência quando o cuidado é prestado por apenas um profissional. Portanto a inserção de profissionais com olhares diferentes no cenário da assistência obstétrica e neonatal é imprenscidível quando se deseja prestar um modelo humanista de atendimento.

E você? tem uma definição diferente para parto humanizado? Mande para nós!


sobre Gisele Leal

Sou Bióloga, formada pela Puc Campinas em 1997. Minha primeira filha, Beatriz, nasceu em 1998, e m 2007 nasceu o Arthur ambos de prováveis cesáreas desnecessárias. Em 2010 me vi grávida novamente, e inconformada com a notícia de que teria que agendar minha cesárea. Busquei informações, me preparei, me empoderei e assim, nasceu Catharina de um parto natural maravilhoso após 2 cesáreas, após 42 horas de bolsa rota e com parteira e doula num hospital em São Paulo. A experiência do parto mudou minha vida. Em apenas um mês do nascimento da Catharina escrevi um livro e publiquei o blog Mulheres Empoderadas. Menos de um ano após, larguei carreira de 14 anos na indústria onde eu atuava como gerente de qualidade, e vivia dividida entre as pontes aéreas e viagens internacionais e minha família. Então me capacitei como Doula pela ANDO – Associação Nacional de Doulas em abril de 2011, embora já acompanhasse eventualmente a gestação e parto de amigas e primas desde Outubro/2010, tamanha era a minha vontade de estar nesse meio. Ainda em 2011, inconformada com o modelo de assistência obstétrica no nosso país, reuni doulas, parteiras, mães e simpatizantes do movimento de humanização e juntas fundamos o MAHPS – Movimento de Apoio á Humanização do Parto em Sorocaba, elaborei o projeto Doula Social para ser implementado no SUS e comecei a atuar voluntariamente em um hospital público de Sorocaba. Em apenas 14 meses de MAHPS, idealizei e coordenei a organização de 2 encontros voltados à Humanização do Parto e Nascimento e um Encontro Nacional de Parteria Urbana, além de mais de 22 encontros do grupo de apoio à gestantes. Em 2012 fiz o curso de Formação em Parto Ativo com a Janet Balaskas, inglesa, precursora do conceito Parto Ativo e ingressei no curso de Obstetrícia da USP. Em julho de 2013 nasceu a Sophia, em casa nas mãos do pai, cercada pelos irmãos. Diferente da história da Catharina que foi uma história de empoderamento e superação, o parto de Sophia foi uma história de entrega, fé e aceitação.


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One thought on “O que é o parto humanizado?

  • Elisa

    Gisele, moro na Alemanha e vivi um parto humanizado. Tive doula que, no meu parto rapidíssimo, foi dispensável e fiz um plano de parto que ninguém leu. Ou seja, acho que dois dos forte pilares da campanha pró humanizacao do parto no Brasil, doula e plano de parto, se tornaram dispensáveis na maternidade onde tive meu filho.
    Lá nessa maternidade a equipe é incrivelmente afinada. As obstetrizes têm voz forte na administracao e a médica-chefe tem alma de parteira. A equipe considera obrigacao deles (obstetrizes e médicos) fazerem com que a mulher goste deles e sao treinados para se conectarem de algum modo com a parturiente para que tudo flua bem. Ou seja, a equipe sabe que o parto nao é deles, que o papel deles é ajudar e nao atrapalhar e eu acho que aí é o X da questao da humanizacao junto com a questao de medicina baseada em evidências.
    Plano de parto lá virou dispensável porque tudo que normalmente se escreve é procedimento padrao deles e o bonding (contato pele a pele, amamentacao, etc.) é questao de honra. As outras coisas (o que fazer com a placenta, se quer sentir com a mao coroando, quem corta o cordao, etc.) eles perguntam na hora com toda a delicadeza, Todas as salas tem aparelho de música, bola, banqueta, cama larga, sacos, rebozo e – bem escondidos – equipamentos até pra fazer uma cesariana de mega emergência.
    A questao de doula aqui na Alemanha é ainda bem tímida, só mês passado uma segunda doula aqui na cidade se formou. Por outro lado as obstetrizes sao muito presentes e elas fazem de tudo para ajudar, entao elas acabam fazendo massagens e outras coisas que substituem em partes o atendimento da doula. De qualquer modo os bons hospitais adoram doulas e os outros nao podem se opor. Minha doula foi dispensável no parto em si, pois cheguei no hospital no expulsivo, mas de forma alguma me arrependo de ter contratado ela porque amei nosso encontros pré-parto e ela foi fundamental na minha espera de quase 42 semanas.
    Meu hospital ainda oferece palestras, acupuntura, ioga, curso de parto, consulta com obstetra e obstetriz para perguntar o que quiser e conhecer as instalacoes. Se precisar de – ou quiser – cesariana, lá é sempre humanizada e eles usam uma malha-tubo para fazer um bebe-canguru enquanto a mae é costurada.
    Esse hospital tá com taxa de 25% de cesariana enquanto a média alema é de 33%, acho que o caminho que eles estao a alguns anos trilhando está dando bons resultados em termos numéricos e em termos de satisfacao só ouco elogios a esse hospital.