Parto humanizado, é radical?


Basta dar uma lida em determinados grupos/páginas do Facebook para ver que a maioria das pessoas ainda não entendeu o que é o parto humanizado.

Pensando nas pessoas que desejam se informar antes de formar e emitir sua opinião, abaixo alguns tópicos que costumam gerar bastante dúvida e controvérsia sobre o parto humanizado.

O PARTO HUMANIZADO:

1) é um conceito onde a mulher é ouvida e respeitada em seus desejos para seu parto e para o nascimento do seu bebê, sendo incentivada inclusive a apresentar um plano de parto e nascimento para a equipe ou instituição que irá atendê-la.

2) pode acontecer em um hospital, em um centro de parto normal, em uma casa de parto, no domicílio da mulher, ou seja – onde a mulher se sente mais segura para dar a luz ao seu bebê, considerando-se fatores de risco associados ou não à gestação –  conforme preconiza a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde.

Parto humanizado hospitalar em Campinas. Parturiente Erica Azevedo. Equipe: obstetra Mariana Simões e obstetriz Giovana Fragosto abaixo da parturiente e doula Gisele Leal apoiando as costas. Foto: Kelly Stein. Arquivo pessoal. Proibida reprodução.

3) é assistido por equipe multiprofissional que presta assistência com base nas melhores e mais atuais evidências científicas, equipe essa, escolhida pela mulher. Gestantes de risco habitual podem ser assistidas por enfermeiras obstétricas, obstetrizes, médicos da família ou obstetra e neonatologista para o bebê como equipe técnica. Lembrando que enfermeiras obstétricas, obstetrizes, médicos da família podem se capacitar em reanimação neonatal e prestar assistência ao bebê em caso de intercorrência. A mulher pode também optar pela presença da doula – que não realiza procedimentos técnicos (como ausculta/exame de toque/aferição da pressão arterial) – ou quem mais ela julgar necessário em seu parto e nascimento do seu bebê.

4) pode ser fisiológico (sem nenhuma intervenção) ou pode contar com recursos obstétricos a pedido da mulher (como analgesia por exemplo) ou à critério da equipe que a assiste para a condução do trabalho de parto e/ou correção distócias e/ou resolução de intercorrências, inclusive cesareana. Ou seja, parto humanizado e parto natural/fisiológico são conceitos DIFERENTES. Um parto pode ter tido todas as intervenções conhecidas e ainda sim ser humanizado. Como? Se as intervenções foram necessárias, informadas à mulher sobre os riscos e benefícios de cada uma das intervenções e o que as motiva.

5) parto humanizado é um parto seguro. Portanto as equipes que prestam uma BOA assistência humanizada, que se atualizam constantemente, que prestam uma assistência com base em evidências científicas autais e de qualidade, recorrem à cesárea ou ao parto instrumental (forceps/vácuo) sempre que necessário.

Para saber se uma equipe faz o que diz (ou seja, se presta uma assistência humanizada), frequente grupos de apoio em sua cidade.

Em Campinas, você pode frequentar as reuniões do Grupo Parto Humanizado Campinas e Região no Espaço Mulheres Empoderadas.

Ficou alguma dúvida sobre o que é o parto humanizado? Escreva pra gente que incluiremos aqui no post as respostas.

 


sobre Gisele Leal

Sou Bióloga, formada pela Puc Campinas em 1997. Minha primeira filha, Beatriz, nasceu em 1998, e m 2007 nasceu o Arthur ambos de prováveis cesáreas desnecessárias. Em 2010 me vi grávida novamente, e inconformada com a notícia de que teria que agendar minha cesárea. Busquei informações, me preparei, me empoderei e assim, nasceu Catharina de um parto natural maravilhoso após 2 cesáreas, após 42 horas de bolsa rota e com parteira e doula num hospital em São Paulo. A experiência do parto mudou minha vida. Em apenas um mês do nascimento da Catharina escrevi um livro e publiquei o blog Mulheres Empoderadas. Menos de um ano após, larguei carreira de 14 anos na indústria onde eu atuava como gerente de qualidade, e vivia dividida entre as pontes aéreas e viagens internacionais e minha família. Então me capacitei como Doula pela ANDO – Associação Nacional de Doulas em abril de 2011, embora já acompanhasse eventualmente a gestação e parto de amigas e primas desde Outubro/2010, tamanha era a minha vontade de estar nesse meio. Ainda em 2011, inconformada com o modelo de assistência obstétrica no nosso país, reuni doulas, parteiras, mães e simpatizantes do movimento de humanização e juntas fundamos o MAHPS – Movimento de Apoio á Humanização do Parto em Sorocaba, elaborei o projeto Doula Social para ser implementado no SUS e comecei a atuar voluntariamente em um hospital público de Sorocaba. Em apenas 14 meses de MAHPS, idealizei e coordenei a organização de 2 encontros voltados à Humanização do Parto e Nascimento e um Encontro Nacional de Parteria Urbana, além de mais de 22 encontros do grupo de apoio à gestantes. Em 2012 fiz o curso de Formação em Parto Ativo com a Janet Balaskas, inglesa, precursora do conceito Parto Ativo e ingressei no curso de Obstetrícia da USP. Em julho de 2013 nasceu a Sophia, em casa nas mãos do pai, cercada pelos irmãos. Diferente da história da Catharina que foi uma história de empoderamento e superação, o parto de Sophia foi uma história de entrega, fé e aceitação.

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