Porque o bebê quer ficar plugado no peito?


Sophia RNQuando o bebê nasce, em geral as primeiras 24 horas são uma maravilha. Mama, dorme. Acorda. Troca fralda. Mama. Dorme de novo.

Passadas as 1as 24 horas, o bebê gruda no peito e parece não querer largar. É um bebê piercing. Um bebê chiclete. Um bebê carrapato.

Começa a bater o desespero. Porque esse bebê pega e solta esse peito a cada 10 minutos? Porque não consigo fazer mais nada a não ser dar peito pra este bebê? Porque esse bebê mama mais a noite?

O estômago do bebê recém-nascido é muito pequeno. A capacidade gástrica é de 4 colherinhas de chá, ou 20 ml.

Enquanto a mãe estiver sangrando, o bebê vai mamar muito. Porque cada vez que ele mamar, o útero vai contrair – o que contribui para voltar ao tamanho normal de antes de engravidar – e evita hemorragia. A natureza é perfeita. Bebê mama, útero contrai, mãe não morre de hemorragia e o bebê garante seu alimento e não morre de fome. Viva os mecanismos que garantem a sobrevivência da espécie!

A noite é a maior produção de prolactina. Por isso o bebê mama mais a noite.

O bebê, ficou 9 meses dentro do útero. Um lugar apertadinho, escuro, quentinho, com barulhos peculiares como o batimento do coração da mãe e em grande parte das vezes em movimento (mãe andando, bebê em movimento). Nascer significa vir pra um mundo oposto. Grande, claro, frio, silencioso ao máximo, ou com barulhos nada conhecidos e deitado no berço. Ou no carrinho. Parado. O peito é o lugar que conforta este bebê. Que o remete ao útero. Que traz segurança e aconchego. Por isso, a cada nova e estranha sensação e experiência, o bebê procura o peito. Não apenas porque está com fome, sede, ou porque quer ajudar a mãe a não ter uma hemoragia. Mas também porque o bebê precisa de um porto seguro. E o porto seguro do bebê é o peito da mãe.

Cansa? Ô se cansa. Muito. Mas essa fase vai passar. E logo vai começar uma nova fase, com novos desafios. O segredo, é viver cada uma delas, sem grande expectativas. Peça ajuda. Com a casa, com a comida, com as outras crianças. Para estar o mais disponível possível para o bebê. E cuide de você. Se alimente e descanse. Tente amamentar deitada para poder descansar nas infindáveis horas em que o bebê solicita o peito. E se necessário procure ajuda profissional


sobre Gisele Leal

Sou Bióloga, formada pela Puc Campinas em 1997. Minha primeira filha, Beatriz, nasceu em 1998, e m 2007 nasceu o Arthur ambos de prováveis cesáreas desnecessárias. Em 2010 me vi grávida novamente, e inconformada com a notícia de que teria que agendar minha cesárea. Busquei informações, me preparei, me empoderei e assim, nasceu Catharina de um parto natural maravilhoso após 2 cesáreas, após 42 horas de bolsa rota e com parteira e doula num hospital em São Paulo. A experiência do parto mudou minha vida. Em apenas um mês do nascimento da Catharina escrevi um livro e publiquei o blog Mulheres Empoderadas. Menos de um ano após, larguei carreira de 14 anos na indústria onde eu atuava como gerente de qualidade, e vivia dividida entre as pontes aéreas e viagens internacionais e minha família. Então me capacitei como Doula pela ANDO – Associação Nacional de Doulas em abril de 2011, embora já acompanhasse eventualmente a gestação e parto de amigas e primas desde Outubro/2010, tamanha era a minha vontade de estar nesse meio. Ainda em 2011, inconformada com o modelo de assistência obstétrica no nosso país, reuni doulas, parteiras, mães e simpatizantes do movimento de humanização e juntas fundamos o MAHPS – Movimento de Apoio á Humanização do Parto em Sorocaba, elaborei o projeto Doula Social para ser implementado no SUS e comecei a atuar voluntariamente em um hospital público de Sorocaba. Em apenas 14 meses de MAHPS, idealizei e coordenei a organização de 2 encontros voltados à Humanização do Parto e Nascimento e um Encontro Nacional de Parteria Urbana, além de mais de 22 encontros do grupo de apoio à gestantes. Em 2012 fiz o curso de Formação em Parto Ativo com a Janet Balaskas, inglesa, precursora do conceito Parto Ativo e ingressei no curso de Obstetrícia da USP. Em julho de 2013 nasceu a Sophia, em casa nas mãos do pai, cercada pelos irmãos. Diferente da história da Catharina que foi uma história de empoderamento e superação, o parto de Sophia foi uma história de entrega, fé e aceitação.

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