Quer um parto normal no país das cesáreas? Informe-se.


Adriana recebendo um beijo do seu companheiro com a pequena Dora. VBA2C hospitalar. O filho mais velho cortou o cordão e a filha acompanhou todo o TP

Adriana recebendo um beijo do seu companheiro com a pequena Dora. VBA2C hospitalar. O filho mais velho cortou o cordão e a filha acompanhou todo o TP

O Brasil é campeão mundial de cirurgias cesarianas. A maioria dos bebês brasileiros nascem por um procedimento cirúrgico, na grande maioria das vezes, agendado.

Submeter uma mulher e um bebê saudável à uma cirurgia desnecessária é anti-ético. A cesárea envolve riscos que a maioria de nós desconhece. Ela não é mais segura que um parto normal fisiológico.

Então, como conseguir um parto normal no Brasil?

Para se conseguir um parto normal no Brasil, especialmente nas regiões mais ricas não basta querer. Tem que correr, se informar, pesquisar, frequentar grupos de apoio, participar dos grupos no facebook. Não é fácil! E ainda sim, a maioria das mulheres vai ter que enfrentar um sistema obstétrico que não dá outra opção a não ser uma cesárea agendada ou um parto normal medicalizado, cheio de intervenções.

Vai pro plantão? Avalie a escolha pelo SUS ao invés do convênio.

Por maior que seja a taxa de cearianas na sua cidade, o SUS em geral vai ter uma taxa de parto normal superior à taxa de cesariana dos hospitais conveniados.

Portanto, as equipes que atendem no SUS são mais experientes no acompanhamento de parto normal, o que em tese, aumenta a segurança e a chance de você ter um parto normal.

No entanto, não adianta chegar no plantão da maternidade do SUS fora de trabalho de parto (muitas mulheres procuram o hospital quando estão sentindo as contrações que são de treinamento ou o falso trabalho de parto). Precisa chegar sempre em franco trabalho de parto para que as suas chances de ter um parto normal, com o mínimo de intervenções, aumente.

Se tiver condições contrate uma doula e uma obstetriz pra te acompanhar em casa até o momento de ir para o hospital.

Escreva o seu plano de parto, com base no que você deseja para o seu parto e para o nascimento do seu bebê e leve no dia do seu parto.

Se você tem condições financeiras, invista em uma equipe particular

Mas atenção. Não basta contratar particular qualquer obsetra. Se você tem recursos financeiros ou em um seguro de saúde que reembolsa consultas, exames e procedimentos, vale a pena procurar uma equipe que tenha pelo menos 70% de parto normal em sua cidade ou em uma cidade próxima. Muitas mulheres viajam em trabalho de parto para poder ter acesso a uma assistência melhor. Vale a pena ler este post sobre como avaliar se um obstetra faz o que diz, ou só faz marketing.

Parto normal ou parto humanizado?

Parto humanizado, ao contrário do que muita gente pensa, vai além do parto em casa ou do parto natural.

Humanizar a assistência é respeitar a mãe e suas decisões. Mas não só isso.  Não existe decisão/escolha sem informação. Portanto, fornecer TODAS as informações para a mulher é fundamental para que ela tome uma boa decisão. E isso é humanizar também.

Humanizar é  prestar o melhor atendimento com base em evidências científicas atualizadas. E as  evidências atuais mostram o quanto uma cesárea eletiva é prejudicialpara mãe e bebê, o quanto podem levar uma mãe e bebê a ter complicações. Portanto não existe cesárea eletiva humanizada.

Humanizar é prestar assistência com equipe multiprofissional (pq nenhum ser humano aguenta sozinho acompanhar um parto por tanto tempo – é aí que entram as obstetrizes, as doulas e as enfermeiras obstétricas, neonato e anestesista se necessário).

Infelizmente, o acesso a humanização ainda é muito restrito. Apenas em Belo Horizonte existe um hospital e um centro de parto normal que tem suas diretrizes e protocolos pautados nos pilares da humanização do parto e nascimento. Mas para que essa realidade chegue em cada cidade do Brasil é preciso primeiro que todas as mulheres saibam os benefícios de se ter um parto o mais fisiológico possível, as consequências de uma cesárea ou de um parto induzido sem necessidade e principalmente seus direitos. Embora o acesso a uma assistência humanizada seja restrito, é importante ter em mente que É DIREITO de todas as mulheres receber um atendimento humanizado. Ter a convicção de que todas tem direito a um parto ativo e a receber seu bebê nos braços assim que nasce.  Só assim, construiremos um novo modelo de assistência obstétrica, para nossas filhas e netas.


sobre Gisele Leal

Sou Bióloga, formada pela Puc Campinas em 1997. Minha primeira filha, Beatriz, nasceu em 1998, e m 2007 nasceu o Arthur ambos de prováveis cesáreas desnecessárias. Em 2010 me vi grávida novamente, e inconformada com a notícia de que teria que agendar minha cesárea. Busquei informações, me preparei, me empoderei e assim, nasceu Catharina de um parto natural maravilhoso após 2 cesáreas, após 42 horas de bolsa rota e com parteira e doula num hospital em São Paulo. A experiência do parto mudou minha vida. Em apenas um mês do nascimento da Catharina escrevi um livro e publiquei o blog Mulheres Empoderadas. Menos de um ano após, larguei carreira de 14 anos na indústria onde eu atuava como gerente de qualidade, e vivia dividida entre as pontes aéreas e viagens internacionais e minha família. Então me capacitei como Doula pela ANDO – Associação Nacional de Doulas em abril de 2011, embora já acompanhasse eventualmente a gestação e parto de amigas e primas desde Outubro/2010, tamanha era a minha vontade de estar nesse meio. Ainda em 2011, inconformada com o modelo de assistência obstétrica no nosso país, reuni doulas, parteiras, mães e simpatizantes do movimento de humanização e juntas fundamos o MAHPS – Movimento de Apoio á Humanização do Parto em Sorocaba, elaborei o projeto Doula Social para ser implementado no SUS e comecei a atuar voluntariamente em um hospital público de Sorocaba. Em apenas 14 meses de MAHPS, idealizei e coordenei a organização de 2 encontros voltados à Humanização do Parto e Nascimento e um Encontro Nacional de Parteria Urbana, além de mais de 22 encontros do grupo de apoio à gestantes. Em 2012 fiz o curso de Formação em Parto Ativo com a Janet Balaskas, inglesa, precursora do conceito Parto Ativo e ingressei no curso de Obstetrícia da USP. Em julho de 2013 nasceu a Sophia, em casa nas mãos do pai, cercada pelos irmãos. Diferente da história da Catharina que foi uma história de empoderamento e superação, o parto de Sophia foi uma história de entrega, fé e aceitação.

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