Relato de parto após 2 ceáreas – Cintia e Edu 1


Quando conheci a Cintia ela estava com 7 semanas de gestação. Ela participou de todos os encontros do grupo de apoio que eu organizei, desde antes do Espaço Mulheres Empoderadas existir. Ela construiu seu parto após duas cesáreas. Ela conseguiu o apoio do marido que estava receoso. E em maio, ela pariu. Em casa, após duas cesáreas. Sim, nós podemos. Se tivermos uma equipe que acredite em nós. Agora Cintia tem 3 meninos lindos e saudáveis. Bem vindo Edu! Parabéns Ci! Obrigada por compartilhar seu relato com outras mulheres e inspira-las!

 

Por Cintia Santos de Souza – Campinas/SP

Depois de quase 4 meses pari meu relato.
Minha luta começou logo que descobri que estava grávida, já tinha 2 filhos, 2 cesárias desnecessárias, essa era a minha ultima chance de parir, de ser protagonista, eu sabia que não seria simples, que o sistema nao me deixaria parir se eu não me preparasse pra isso, eu já havia entrando em trabalho de parto no segundo bebê mas não tinha estudado me preparado para o que enfrentaria, achei que era somente chegar ao hospital e lá nas mãos dos médicos estaria segura, eles fariam o melhor por mim, mal sabia eu que cairia em outra cesária, então dessa vez resolvi que faria de tudo pra não ter outro parto roubado.
Com 7 semanas de gestação fui ao meu primeiro encontro do grupo de apoio ao parto normal Mulheres Empoderadas, e ali conheci e conversei com aquela que seria minha Doula, Gisele Leal, ali msm ela me indicou sites e artigos pra eu ler, em uma semana li tudo que podia, inclusive o relato de parto dela que como eu teve um parto após duas cesárias, ali me encantei mais ainda por esse mundo da humanização, lendo aquele relato tive a certeza de que o meu sonho iria se tornar realidade, continuei lendo, frequentando os grupos. Então com 25 semanas falei com meu esposo que queria uma doula, mas não qualquer uma, queria uma que tinha uma história parecida com a minha, que entederia meus medos, preocupações, angustias, que sabia da luta que é parir após duas cesárias, alguém que na hora do parto eu olhasse e pensasse ” ela conseguiu e eu tbm posso”, meu marido estava de acordo comigo e foi ai que a Gisele entrou de vez nas nossas vida, ela foi mais que uma doula, ela foi como uma luz, no meio da gestação me ve insegura, achei por um instante que cairia em outra cesária, meu esposo não lidava muito bem com a idéia de um parto domiciliar mas no meio do curso de gestante dado por ela onde assistiamos a um video de procedimentos desnecessários realizado em bebês nos hospitais, ele decidiu, iriamos ter PD, ali quase chorei de alegria, o sonho seria completo, nosso pequeno nasceria em casa, no calor e aconchego do seu lar. Corri pra achar equipe, estava muito em cima da hora, mas fui acolhida com muito amor pela Alana e pela Fernanda, parteiras que me passaram muita confiança e amor pelo que fazem, pronto a equipe estava pronta, agora era esperar.

O PARTO

Dia 16 de maio, era um sábado lindo, no dia e noite anteriores eu estava com um resfriado muito forte e com muita tosse, então resolvi dormir no puff gigante aqui de casa pq sentada eu conseguia respirar melhor, mas surpreendentemente naquele sábado eu acordei bem sem resfriado nenhum, me levante as 5 da manhã e fui dormir na minha cama, estava com um desconforto nas costas mas achei q era por ter dormido sentada a noite toda, então minutos depois veio uma cólica, passou mas em 5 minutos voltou, pensei comigo,” é hj, está começando”. Me levantei, monitorei umas 5 contrações, estavam regulares a cada 5 minutos, mandei msg pra doula e fui pro chuveiro pra ver se elas engrenavam de vez ou paravam, nisso minha mãe acordou, falei pra ela que achava que tinha chego a hora e pedi que ela prepasse algo pra eu comer, fiquei no chuveiro cerca de uma hora, naquele momento passava um filme na minha cabeça, pensava em tudo que tinha feito pra chegar ali, pensei no que podia acontecer dali pra frente, em como reagiria se fosse necessário uma transferência, relaxei deixei meu medos irem embora junto com a água, me fortaleci, quando sai eu estava pronta, liguei pra Gi, minhas contrações estavam a cada 3 min, falei com Alana, disse q eu estava tranquila, arrumei as crianças pra irem pra casa da outra vó, me despedi, dei um abraço apertado na minha mãe, ela me abençoou e foi com os meninos, tomei meu café da manhã, a marido chegou do mercado com frutas, sucos e chocolate pra dar energia, sentei no meu puff e fiz uma oração, “Deus o Senhor sabe o quanto eu quero isso, o Senhor sabe da minha luta pra chegar até aqui, Deus eu só peço que o Edu venha saudavél, que seja feita a sua vontade.”
Logo a Gi chegou, me surgeriu caminhar, esava uma manhã linda, mas então resolvemos monitorar algumas contrações e elas começaram a vir com bastante intensidade, começei literalmente sentir meu corpo se abrir, fui para o chuveiro, fiquei algumas contrações lá, mas não estava aliviando a dor, ha essa altura já tinham ligado pra Fernanda e para a Alana virem, já estava em TP Ativo, me movimentei bastante, nas contrações a Gi fazia masagem e só isso aliviava, as dores estavam aumentando, meu esposo sempre ao meu lado, me incentivando, me encorajando, me passava força, garra, coragem, tomei chá, andei me agachei, mas nada melhorava, já não sabia mais que horas eram, já não abria mais meus olhos, vocalizava muito durante as contrações,então a Fer chegou, sentei na bola pra ela ouvir os batimentos cardíacos, ele estava bem, aquilo me acalmava, tive umas duas contrações ali e me jogava pra trás a Gi segurava o meu corpo, me lembrava de respirar, me lembrava de não lutar com a contração, me levantei fiquei em pé segurando na parede, naquele momento pensei em desistir, pensei que era muita dor, estava cansada, não ia dar conta até que em uma explosão de dor veio primeiro puxo, eu sabia o que era aquilo, era meu corpo fazendo o trabalho dele, trazendo meu filho pra mim, a Gi me deu chocolate e antes que eu pudesse engolir outro puxo, podia sentir ele descendo, a banheira estava quase cheia e então eu entrei nela, nesse momento eu pedi ajuda pra Gi e ela com a voz doce confiante disse: vc não precisa, está fazendo tudo certo” essas palavras me deram uma força, uma energia imensa, a água tinha aliviado muita a minha dor, agora eu só sentia pressão e vontade de fazer força, a Fer fez um toque e eu já estava com dilatação total, mais uma contração, fiz uma força enorme e a bolsa estourou, ouvi alguém bater na porta e quando o marido atendeu ouvi a voz que faltava, Alana tinha chego, senti um misto de alegria e tranquilidade, agora a minha equipe escolhida com tanto amor estava completa.

O NASCIMENTO

A gestação toda eu me preparei para um trabalho de parto longo, por conta das duas cesárias, achava que meu corpo precisaria de um longo tempo, que tudo fluiria devagar, mas ao contrário disso foi tudo rápido, intenso, eu tinha entrado em trabalho de parto ativo por volta das 10:40 da manhã, a Alana chegou na minha casa eram 12:24, o meu corpo me dava todos os sinais de que ele estava pra nascer mas msm assim eu não estava preparada para o que ia acontecer.
A Alana chegou ficou em pé ao meu lado e disse: “Oi Cíntia, tudo bem?” eu respondi que sim, senti uma vontade enorme de fazer força e então senti algo quente sair, eu juro que não imaginava que era a cabeça, achei que era a bolsa ou mundo sangue, me assustei na hora a Gi me acalmou disse que era a cabeça, o meu esposo já chorando entrou na piscina atráz de mim, eu ainda estava meio sem acreditar a Gi me disse ” é o Edu, Ci sente a cabeçinha dele’, quando coloquei a mão e fiz o primeiro carinho no Edu foi surreal, aquilo tudo era verdade, estava acontecendo, nosso bebê estava ali, nascendo de forma respeitosa, cercado de amor, carinho, na nossa casa, como sempre sonhamos, eu estava tão estasiada que não conseguia chorar, eu e o paulinho estavámos ali só esperando o momento em que ele quisesse sair, parecia que o tempo tinha parado, a Alana se posicionou na minha frente, veio a última contração e o Edu nasceu, foi amparado pela Alana e colocado imediatamente no meu colo, ele veio com o bracinho esticado como quem pede um abraço, abriu os olhos e me olhou fixamente, sim ele me olhava com o olhar de quem esperou muito tempo pra me conhecer, levantava a cabeça e fazia força pra não parar de olhar, ali tivemos nosso imprinting, ali tudo tinha valido a pena, eu senti como se estivessémos numa bolha, só nós três, não tem como explicar o sentimento que tomou conta de mim, me senti forte, capaz, me senti mulher.

O Edu não foi planejado, mas creio que ele foi enviado por Deus pra nos mostrar que somos fortes e capazes de realizar aquilo que para os outros parece impossivel, depois da vinda do Edu repensamos na vida, no modo que viviamos, mudamos o modo de pensar, de agir, mudamos o modo como enfrentamos os problemas e como enfrentamos o mundo, Eduardo significa o guardião das riquezas e ele veio nos mostra que a nossa riqueza não está no dinheiro e sim na nossa família e no amor que cultivamos dia a dia.

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sobre Gisele Leal

Sou Bióloga, formada pela Puc Campinas em 1997. Minha primeira filha, Beatriz, nasceu em 1998, e m 2007 nasceu o Arthur ambos de prováveis cesáreas desnecessárias. Em 2010 me vi grávida novamente, e inconformada com a notícia de que teria que agendar minha cesárea. Busquei informações, me preparei, me empoderei e assim, nasceu Catharina de um parto natural maravilhoso após 2 cesáreas, após 42 horas de bolsa rota e com parteira e doula num hospital em São Paulo. A experiência do parto mudou minha vida. Em apenas um mês do nascimento da Catharina escrevi um livro e publiquei o blog Mulheres Empoderadas. Menos de um ano após, larguei carreira de 14 anos na indústria onde eu atuava como gerente de qualidade, e vivia dividida entre as pontes aéreas e viagens internacionais e minha família. Então me capacitei como Doula pela ANDO – Associação Nacional de Doulas em abril de 2011, embora já acompanhasse eventualmente a gestação e parto de amigas e primas desde Outubro/2010, tamanha era a minha vontade de estar nesse meio. Ainda em 2011, inconformada com o modelo de assistência obstétrica no nosso país, reuni doulas, parteiras, mães e simpatizantes do movimento de humanização e juntas fundamos o MAHPS – Movimento de Apoio á Humanização do Parto em Sorocaba, elaborei o projeto Doula Social para ser implementado no SUS e comecei a atuar voluntariamente em um hospital público de Sorocaba. Em apenas 14 meses de MAHPS, idealizei e coordenei a organização de 2 encontros voltados à Humanização do Parto e Nascimento e um Encontro Nacional de Parteria Urbana, além de mais de 22 encontros do grupo de apoio à gestantes. Em 2012 fiz o curso de Formação em Parto Ativo com a Janet Balaskas, inglesa, precursora do conceito Parto Ativo e ingressei no curso de Obstetrícia da USP. Em julho de 2013 nasceu a Sophia, em casa nas mãos do pai, cercada pelos irmãos. Diferente da história da Catharina que foi uma história de empoderamento e superação, o parto de Sophia foi uma história de entrega, fé e aceitação.


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One thought on “Relato de parto após 2 ceáreas – Cintia e Edu

  • Mi

    Lindo e emocionante! Senti como se estivesse ali com você! Parabéns amiga pela força, raça e coragem! Que Deus abençoe e ilumine cada dia mais sua linda família! Amamos vcs!