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mai
2015

5 lições da Princesa: o que fazer para ter um parto REAL no Brasil

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A menina nascida com mais de 41 semanas, 3kg700, em um parto de 154 minutos depois de chegar a maternidade, se chamará Charlotte Elizabeth Diana.

A princesa Kate Middleton pariu, neste sábado, 02 de Maio, às 14h (horário de Brasília), uma menina de nome ainda não revelado. A princesa esperou mais de 41 semanas e deu a luz a um bebê com 3,700kg, dispensou médicos, optou por enfermeiras obstetras (midwifes) e não fez uso de anestésico. Ainda fez uso de um hospital público. Saiu caminhando, linda e maquiada, menos de 10 horas depois do parto. Nada surpreendente em terras Britânicas.

Nas redes sociais e no programa dominical Global questionavam a recuperação rápida da realeza. Até uma médica paulistana de uma Hospital que tem o nome de um gênio, dizia que a princesa só estava indo para casa, 10 horas depois do parto, porque tinha estrutura real no palácio. Uma falácia.

Muitas mulheres que tem patos domiciliares ou mesmo hospitalares, após o parto, estão aptas para as atividades. Dispostas e saudáveis. Essa é uma das inúmeras vantagens de um parto natural.

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Sabrina Mori, 3 horas depois do parto

Fato é que muitos partos normais, no Brasil, são partos cirúrgicos, com uso de ocitocina sintética (sorinho), uso de anestesia, episiotomia(corte no períneo), manobra de kristeller (sobem na barriga da mulher para empurrar o bebê), privação de alimentos e água. Com esse festival de procedimentos não é possível parecer com uma princesa. Em geral as mulheres parecem que saíram de uma guerra.

Uma cesárea eletiva (com boa marcada) ou intraparto impede que a mulher esteja disposta. Uma por conta da cirurgia e outra pelo uso da anestesia.

Como estamos falando de um país com quase 55% de cesáreas, fica fácil entender porque a princesa parece uma ET por estar linda, ereta 10 horas depois do parto, caminhando carregando sua bebê.

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Ana Paula 3 horas depois do nascimento da Alice.

 

Abaixo segue a lista do que fazer para ter um parto de princesa no Brasil. Pelo SUS, só aqui em Belo Horizonte uma vez que o Hospital Sofia Feldman oferece parto domiciliar. Ambas as fotos acima foram partos atendidos por eles.

1 – Faça seu pré natal e parto com Enfermeiras Obstetras

The Duke And Duchess Of Cambridge Leave The Lindo Wing With Their Newborn Son

As enfermeiras de Kate

Se existe uma grande razão para que os índices de partos normais no Brasil serem tão ruins está na escolha do médico como responsável pela assistência de toda a parturiente, seja no pré-natal e no acompanhamento do trabalho de parto.

As melhores equipes de partos humanizados colocam a Enfermeira Obstetra (ou obstetriz) como a responsável pelo atendimento do pré natal e assistência ao parto da gestante de baixo risco, independentemente do local do parto (domiciliar, em casa de parto ou hospitalar). Médicos ficam na retaguarda, atuando quando os recursos cabíveis à enfermeiras cessaram.

2 – Escolha um local verdadeiramente humanizado
Pode ser em casa, em casa de parto ou hospital. Procure uma doula na sua cidade para saber quais as melhores opções e equipes. Infelizmente em grande parte das cidades não há muitas opções. Para quem não tem opções vale registrar seu plano de parto e exigir que o mesmo seja cumprido. Veja aqui.

3- Não fazer cesárea sem necessidade
Kate esperou mais de 41 semanas para ter seu bebê, que nasceu com mais de 3,500kg. Não caia na falsa lista de indicações de cesáreas. Veja aqui o post da Obstetra PHD Melania Amorim sobre indicações reais e fictícias das cesáreas 

 

4- Procure tentar um parto sem anestesia

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Carol Carvalho pariu Nina como uma princesa: em casa, pelo SUS. Usou banheira, doula para um parto sem anestesia com períneo integro.

A contração dói. Não é uma dor insuportável, mas é bastante difícil de lidar. se você estiver com uma doula, em um lugar que possa caminhar, descansar, comer e beber, certamente a dor será só dor e não violência. 1 em cada 4 mulheres sofre Violência Obstétrica nos sistemas públicos e privados. São humilhadas, afastadas de seus acompanhantes, impedidas de se alimentarem. Sofrem violência verbal e procedimentos desnecessários como soro com ocitocina de rotina, episiotomia, manobra de Kristeller. Nessas situações não tomar anestesia é mais um caso de violência.

Mulheres que são acarinhadas, encorajadas, estão em um ambiente confortável, bem monitoradas para que o parto aconteça em segurança, em geral, não precisam fazer uso do anestésico. E qual o problema com a anestesia? Ela vai para a corrente sanguínea do bebê que nasce não tão alerta. Além disso pode acontecer as cascatas de intervenções: anestesia faz as contrações pararem. Faz-se o uso de ocitocina. Algumas vezes o bebê não aguenta e dá sinais de que o parto não está confortável (braquicardia). O uso de anestesia aumenta os níveis de laceração (a mulher não sabe a hora certa de fazer força), além de estar associada ao uso e fórceps.

4 – Liberação o quanto antes para casa

Um dos grandes benefícios do parto domiciliar é contar com assistência pós parto de enfermeiras depois que o bebê nasce. Em geral, as enfermeiras vão no dia seguinte para avaliação clinica, acompanhamento da amamentação. E o acompanhamento segue de acordo com as necessidades da mulher.

No Brasil é obrigatório que a mulher fique, pelo menos, 48 horas na maternidade. Não é só a princesa que pode sair poucas horas depois do parto. Isso é um procedimento comum e altamente recomendável. Afinal mãe e bebê liberam o leito e não ficam expostos à infecções. Na inglaterra são acompanhados por enfermeiras em seus domicílios. E no Brasil nos Partos Domiciliares também.

*Se fosse no Brasil,  Kate teria passado ao menos 48 horas no hospital. Esse é o prazo definido pela portaria 1.016, de 1993, que dispõe também sobre o alojamento conjunto de mãe e filho na maternidade.

“As altas não deverão ser dadas antes de 48 horas, considerando o alto teor educativo inerente ao sistema de ‘Alojamento conjunto’ e, ser este período importante na detecção de patologias neonatais”, diz a portaria.

Aqui, as maternidades costumam dar alta para as mães que tiveram parto normal em 48 horas. Para as que fizeram cesárea, a alta costuma sair em 72 horas.

A pediatra, epidemiologista e coordenadora da Comissão Perinatal e do Movimento BH Pelo Parto Normal, Sônia Lansky, diz que não existe nenhuma evidência cientifica indicando que esses são os prazos adequados de internação depois do parto.

“Hospital não é ambiente para bebê saudável e para mãe saudável”, diz Sônia. “Nossa portaria é antiga e muito rígida.”

Segundo ela, essa rigidez acaba causando problemas, como a falta de vagas de maternidades e hospitais. “Aquele bebê saudável, que já poderia ter ido para casa, fica ocupando uma vaga por 48 horas.”

Mas o atendimento das mães inglesas, como Kate, se encerram naquelas poucas horas do hospital? Sônia diz que lá a continuidade do atendimento é feito em casa por uma enfermeira obstetriz. Essa profissional vai até a casa da mulher e verifica as condições gerais da mãe e da criança, o sangramento vaginal e a evolução da amamentação.

Na avaliação de Sônia, há condições para adoção de um sistema semelhante no Brasil. O custo do atendimento domiciliar seria compensado pela redução dos gastos com internações desnecessárias.

Segundo ela, há um grupo dentro do Ministério da Saúde estudando a modificação do prazo de internação. “Esse tempo não seria o mesmo para todas as mulheres. Uma mãe adolescente, cheia de dúvidas, precisa ficar mais tempo no hospital. Já uma mãe de três filhos, que sabe bem como amamentar, ela mesmo quer ir logo para casa.”

Entre as ideias em análise está a redução do prazo mínimo, para parto normal, para 24 horas, após a realização do teste de oxiometria de pulso conhecido como teste do coraçãozinho.

Vale lembrar que esses prazos mínimos de internação são válidos apenas para mulheres sem complicações médicas no pós-parto.
(matéria do site 
Maternar da Folha – Clique aqui)

Vamos fazer como a princesa:

  • Deixar as cesáreas para reais necessidades. Bebê grande e mais de 41 semanas não é indicação
  • Médicos do lado de fora, só em caso de urgência
  • Parto de baixo risco com enfermeira obstetra
  • Anestesia só em caso de necessidade depois de tentativas de uso de técnicas não farmacológicas para alivio da dor
  • Sair andando linda e poderosa em menos de 12 horas depois do parto

 

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