6
abr
2015

Eu tenho um sonho! E trabalho para sua concretização

Parto Domiciliar pelo SUS de BH

Parto Domiciliar pelo SUS de BH

Precisamos acolher com sonoridade todas as mulheres: as que pariram, as que sofreram violência obstétrica, as que passaram por uma cirurgia, necessária ou por confiança extrema no profissional, as que amamentaram, as que não conseguiram, puderam, quiseram ou foram mal orientadas.

Mas nunca deixar de informar, inspirar, fazer refletir. Porque os enganos passam de geração por geração: falta de dilatação, cordão enrolado, mitos e mais mitos que reforçam que o corpo da mulher é falho, quando na verdade o sistema obstétrico brasileiro é que é.

Coleciono histórias de mulheres enganadas pelo sistema. Tudo é muito simples: o problema é o sistema, mas esse só se modifica pela consciência das mulheres, sua união para a transformação.

Em 2007 meu filho foi o único bebê nascido de um parto humanizado domiciliar planejado em BH. Hj são mais de 50 partos por ano.

Em 2008 criei um blog que era um dos únicos a falar de parto humanizado: hoje tem milhares. As mulheres que muitas vezes colocaram em meu discurso a tarja de radical, viveram partos incríveis depois de cesáreas. Para mudar é preciso tirar a casca das feridas e assumir as responsabilidades. Deixar a culpa de lado e buscar fazer diferente, de dentro para fora e de fora para dentro.

Dedico meu tempo para informar, acolhendo e respeitando escolhas, sem nunca deixar de compartilhar parte da minha experiência.

IMG_3835

Sara teve 6 horas de período expulso e pariu em um LINDO parto na casa de Parto do Hospital Sofia Feldman

Já apontei muitas vezes o dedo nas feridas: hoje quero é que as pessoas possam ver os vídeos e fotos e dizer: quero viver isso! Como fazer? Com quem fazer? Como este vídeo aqui: http://vilamamifera.com/…/plantar-um-sonho-colher-o-amor/

Por que enquanto continuarmos com esse discurso de respeitar a todos, de que a paz seja sinónimo de conformismo, pouca coisa muda.

Gandhi tinha um ideal e sem pegar em armas conseguiu a liberdade. Não violência não significa passividade.

Eu quero lapidar meu discurso, amenizar a agressividade dos verbos, falar cada dia mais com o coração para que as coisas se transformem.

Porque enquanto uma mulher que deseja um parto normal for enganada e levada a uma cesárea apenas por ser usuária de plano de saude; enquanto uma mulher sofrer violência obstétrica, enquanto pretenso forem cortados, meu trabalho não terá terminado.

Espero que a semente que planto seja a sombra que minhas netas e bisnetas desfrutem: de mulheres que são protagonistas, que escolham onde querem parir e o governo possa oferecer todas as condições gratuitas. Que possam viver a gestação com plenitude, se alimentar fisico e espiritualmente com alimentos não contaminados. Que possam parir com respeito e terem as intervenções na hora certa baseadas por evidência cientifica.

Foto: Marina Mamede

Doula massageando a mulher em trabalho de parto Foto: Marina Mamede

Que toda mulher tenha uma doula em tempo integral no Trabalho de Pato e apoio pós parto, além de seu acompanhante. Que se sintam Deusas no trabalho de parto e nunca maezinhas ou pacientes.

Que a cesarea seja o ultimo recurso. Que bebês, independentemente da via de parto tenha seu cordão cortado com pelo menos 3 minutos de fluxo sanguineo, que sejam colocados no colo de suas mães. Não sejam esfregados, sugados. Que a temperatura externa esteja agradável. Que quanto antes a amamentação seja estimulada. Que não sejam levados para berçários.

Que as mulheres sejam estimuladas a amamentar, encorajadas.

Esse é meu sonho! Talvez não viva tempo suficiente para vê-lo concluído. Mas enquanto pulsar vida em meu corpo, ela se direcionará para esse sonho.

Crie o site do seu Neném

Você também irá gostar destes

A arte do nascer
Parto Domiciliar pelo SUS: Eu vou na valsa
Quando uma enfermeira resolve parir em casa
Será que um dia o sexo será abolido?