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ago
2016

Mamoplastia: é possível amamentar

por: Lidiane Rodrigues Rabelo

Mãe do Lucas – 18 meses. Nascimento 17/01/15

Sempre sonhei em AMAmentar meu filho, em livre demanda, e pelo menos até os 2 anos de idade.

Tinha muito medo de não conseguir, pois havia feito mastopexia em 2002 e o cirurgião plástico me disse que provavelmente eu não conseguiria amamentar.

Uma das maiores felicidades que tive foi ao ver que já tinha colostro a partir da 2° metade da gestação, mas evitava estimular as mamas.

Em 16/01/15 entrei em trabalho de parto espontâneo, mas com 7 cm, foi necessário converter a via de nascimento e fui para uma cesariana necessária às 04:00h do dia 17/01/15. Ouvi do anestesista que eu não iria amamentar meu filho por causa da cirurgia. Mas imediatamente respondi que iria conseguir amamentar sim. Quando meu filho nasceu foi levado ao peito ainda na primeira hora de vida.

Ao receber alta do hospital, já estava com fissuras bilaterais e muita dor para iniciar as mamadas. Mas, pelo bem dele, amamentava em livre demanda e pelo tempo que fosse necessário.

Com 3 dias o leite desceu e as mamas ingurgitaram bastante. Tinha muita dificuldade para ordenhar, pois não conseguia ejetar bem o leite.

Com 6 dias tive mastite leve na mama direita, solucionada com ordenha.

Com 10 dias, no primeiro retorno ao pediatra, meu bebe havia ganho 500g do peso de alta hospitalar. Fiquei muito feliz. Mas, por outro lado, tinha medo de amamentar fora de casa devido tantas fissuras, eu chorava de dor no início das mamadas.

Com 13 dias tive mastite leve na mama esquerda e extensa na mama direita (40% da mama acometida). Fui ao Banco de Leite Humano do Hospital das Clinicas e eu tinha obstrução importante dos ductos de ambas as mamas, segundo elas, consequente à mastopexia, além de fluxo lento bilateral. A ordenha de minhas mamas era dificílima. Cheguei a ficar perto de 3 horas sendo assistida no banco de leite para tentarem me ajudar com a ordenha, sem muito sucesso.

Eu sentia dores terríveis. Não sei quantas vezes amamentei porque sabia q era o melhor para meu filho.

Depois disso as coisas só pioraram

Fissuras enormes, mastites, muita dor. Precisei usar antibiótico para tratar a mastite e tive candidíase mamária em consequência da medicação e essa, por sua vez, dificultava a cicatrização das fissuras. Meu bebe começou a chorar muito após as mamadas, ficava 2/3 horas seguidas mamando e continuava chorando ao sair do peito, quase não dormia mais. Parou de ganhar peso. Veio a triste notícia. Eu precisaria complementar.

Chorei muito e me culpei muito. Eu queria muito amamentar. Com muita resistência eu oferecia o complemento – 60 ml 1 ou 2 vezes por dia, no copinho, após, deixa-lo pelo menos 2 horas na mama, compressão das mesmas e técnica do 3° peito. Estava decidida que o manteria no peito enquanto pudesse, nem que fosse em aleitamento misto.

Já havia pedido ajuda nas redes virtuais de apoio, mesmo assim não estava obtendo sucesso, pois eu já havia desacreditado do meu poder de amamentar. Minha auto confiança havia acabado.

Com 33 dias, procurei uma pediatra amiga da amamentação e usei das mais variadas posições para amamentar e a pega foi verificada novamente. Meu bebe não havia ganho peso nos últimos 20 dias. A pediatra me indicou a relactação devido a baixa produção. Um círculo vicioso de dor-fissura-mastite-pega incorreta e principalmente ductos obstruidos me levou do muito leite ao pouco leite.

Com todo afinco, segui rigorosamente a técnica. Fiquei morta de cansaço, pensei em desistir. Mas, com 4 dias de relactação, já não precisei mais complementar e isso me deu ânimo.

Estudando sobre a ordenha e amamaentação após mamoplastia, vi que tal processo ajuda desobstruir alguns ductos e aqueles que não estão obstruidos hiperproliferam e assumem a função dos que se mantem obstruídos e que esse processo leva em média 6 a 8 semanas.

Iniciei ordenando 20 até 25ml no total, sendo só 1 ou 2 ml da mama esquerda.

Após 7 dias de relactação meu bebê havia ganhado 150g. Ele havia voltado a ficar um anjinho dos primeiros 15 dias de vida. O choro recorrente e o sono leve haviam acabado.Fiquei muito feliz e ganhei mais ânimo para continuar. A pega foi novamente verificada.

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Após 15 dias, o segundo retorno e meu bebê ganhou 770g nessas 3 semanas.

Fiquei radiante. Nessa fase já conseguia ordenhar 80 ml em média a cada vez. Nesse dia fui liberada da relactação. Mas eu ainda me sentia insegura. Então, a pediatra me permitiu que fizesse relactação 2 ou 3 vezes só ao dia, só p eu ir recuperando minha auto confiança.

1 semana após retornei, para avaliar como estávamos saindo novamente com a livre demanda. E meu bebe ganhou 210g numa única semana e sem relactação. Era o último estímulo que eu precisava.

Graças às ajudas que tive e a todo meu empenho, considero que foram 6 meses de amamentação exclusiva. Hoje já são 18 meses de aleitamento, gestante e rumo ao tandem.

EU VENCI. EU AMO AMAMENTAR!

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