13
abr
2015

Ocitocina Natural X Sintética

Mariana Gasoli ficou mais de 20 horas com Bolsa Rota sem contrações e optou pela indução com ocitocina. Teve um lindo parto.

Mariana Gasoli ficou mais de 20 horas com Bolsa Rota sem contrações e optou pela indução com ocitocina. Teve um lindo parto.

 

Quantas vezes ouvimos que um parto foi extremamente dolorosos ou ainda que tentaram um parto normal mas que acabou em uma cesárea por sofrimento fetal? Nestes casos eu sempre pergunto: você recebeu soro?

A resposta quase sempre é positiva. A maior parte dos partos normais em todo o planeta, para acelerar a contração do útero e tornar o parto mais rápido, a ocitocina sintética é usada de forma padronizada. Aqui no Brasil, salvo raras excessões, os partos normais acontecem com ocitocina, seja no sistema público ou privado.  O famoso “sorinho” torna as contrações extremamente fortes e doloridas, levando muitas vezes a alteração do batimento cardíaco do bebê, fazendo-se necessário o uso de anestesia e as cascatas de intervenções.

Com a ocitocina sintética as contrações que eram doloridas, mas suportáveis, aumentam de intensidade consideravelmente e se tornam insuportáveis, levando a mulher a dilatar mais rápido, mas necessitar de anestesia. Essas contrações excessivas e não naturais podem levar o bebê a ter uma alteração de batimento cardíaco ou aumentar a chance de uma ruptura uterina. A ocitocina é um hormônio natural presente e fundamental para o trabalho de parto.

O que fazer para liberar ocitocina natural?

Criar as mesmas condições necessárias para se ter um sexo prazeroso. Para parir e gozar precisamos das mesmas condições ambientais, dos mesmos hormônios para relaxar, se entregar, dilatar e parir.
– Pouca Luz
– Silêncio
– Privacidade
– Não observação
– Ambiente quente e confortável
– Beijo na boca
– Massagem
– Paz

Exatamente o que não se tem em um ambiente hospitalar.

Apesar de 6 horas de período expulso, Sara Valadão optou por não receber ocitocina.

Apesar de 6 horas de período expulso, Sara Valadão optou por não receber ocitocina.

O que bloqueia a liberação de ocitocina natural e faz o parto ficar mais lento? A adrenalina, o medo, a insegurança. Imagine que lá nos tempos das cavernas, que uma mulher em trabalho de parto fosse atacada por uma tribo inimiga. A adrenalina bloqueava o trabalho de parto para que a mulher pudesse salvar a si e sua cria. Em lugar seguro, o trabalho de parto recomeçava.

Vale ressaltar que uma vez que a ocitocina sintética entra na corrente sanguínea da mulher, toda a ocitocina que ela liberaria naturalmente, antes, durante e depois do parto é bloqueada.

E depois do parto, momento em que é necessária a liberação do hormônio para criar vínculo com o bebê, o hormônio não está presente. É claro que vamos muito além das funções biológicas e isso nos difere dos outros mamíferos. Mas também não podemos deixar de considerar que somos mamíferas.

Em qualquer mamífero, quando a cria é afastada imediatamente após o parto ou quando o parto necessita de intervenção, esta fêmea rejeita a cria. Mais uma vez repito que somos mamíferos e nos diferimos dos outros mamíferos por conseguir estabelecer relações além das funções biológicas.

O que fazer para evitar receber a ocitocina sintética?

Optar por um parto em ambiente favorável à liberação de ocitocina natural, com equipe que faça o menor número de procedimentos possíveis.

Em alguns casos a espera pelo parto se torna-se mais arriscado do que adiantá-lo. Aí o uso da ocitocina deve ser de forma bastante cautelosa, de preferência com a bomba de infusão que garante uma precisão da quantidade de medicamento que entra na corrente sanguínea da mulher. Em pequenas doses, incentivando a mulher a fazer uso da banheira, chuveiro para lidar com a dor e evitar a segunda intervenção: a anestesia.

Com informação, podemos fazer escolhas conscientes. E nossas escolhas revelarão o grau de consciência que temos acerca de nós mesmos e do mundo.

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