11
mai
2015

Parto domiciliar pelo mundo

Parto Domiciliar com Equipe Particular em Belo Horizonte

Nessa semana fui visitar uma Inglesa que viaja pelo mundo e escolheu o Brasil para ter seu bebê. Chegando a Belo Horizonte pegou o contato de uma Doula para saber sobre as possibilidades obstétricas da capital mineira.

Contei para ela que BH é a única cidade que conta com uma equipe de Parto Domiciliar pelo SUS. Ela ficou encantada: como no meu país.

Tal qual a princesa, a parturiente não tinha medo da dor, nem de não dar conta: – Vou parir como minha mãe pariu, como minhas amigas e parentes tiveram seus filhos. A cesárea será feita apenas se necessária. A cultura de um país influencia a nossa relação de segurança e medo em relação a vida. Com o parto não seria diferente.

Em 2006, quando estava grávida, fui procurar informações sobre parto domiciliar. Em São Paulo, onde eu morava na época, era uma experiência rara, mas conhecia algumas pessoas que tinham tido seus adoráveis partos domiciliares.

Em 2007, quando Miguel nasceu em casa, naquele ano aqui em Belo Horizonte, o meu parto foi o único atendido pela equipe de partos domiciliares de Belo Horizonte. Hoje, 8 anos depois, essa equipe composta por quatro enfermeiras obstetras, atende uma média de 50 partos por ano na capital mineira e região.

Ainda hoje, quando conto que tive meu filho em casa, escuto: nossa, não deu tempo? É um retorno às origens?
Eu discordo que partos domiciliares seja um retorno bucólico ao passado. As mulheres que parem em casa não estão abrindo mão da tecnologia. Muito pelo contrário. Elas vão recorrer à tecnologia, se necessário. Além disso, parto domiciliar é seguro, como afirmaram alguns estudos e experiências mundiais.

Pelo mundo afora, nascer em casa é uma experiência bem-sucedida e apresenta risco igual ou menor se comparado a partos hospitalares.

Dr. Lucas Barbosa da Silva, obstetra em Belo Horizonte, um dos médicos contratados pelo Ministério da Saúde para ajudar a melhorar a realidade obstétrica brasileira em que 52% dos partos se dão por via cirúrgica, conta que na  Inglaterra, após longos anos de pesquisas, concluiu-se que o aumento da taxa de 4% para 10% de partos domiciliares melhorariam os índices obstétricos do Reino Unido.

“A Inglaterra quer ter índices próximos da Escócia, que oferece uma melhor assistência obstétrica impulsionada principalmente pelo partos domiciliares. Nesta pesquisa, concluiu-se que os partos domiciliares são tão seguros quanto partos hospitalares em gestantes de baixo risco. Porém, são mais baratos para o governo e com índice de satisfação superior”, afirma o médico.

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Parto domiciliar com equipe do Sofia

A história do parto domiciliar no Brasil e no mundo é muito recente. Até o século 18, o parto era um assunto
feminino e, muito embora a medicina começasse a se desenvolver, facilitar o parto ainda era cargo das parteiras.

Os primeiros médicos obstetras começaram  a ser formados nas faculdades européias na metade do século 19. Mas foi no início do século passado que a presença do médico na cena do parto se consolidou. Não podemos negar os grandes avanços na medicina obstétrica durante o século 20 que levaram, de fato, à notável queda da mortalidade materna e perinatal. Os principais fatores que levaram a essa melhoria foram a antissepsia e a descoberta de antibióticos. Sem deixar de salientar que o uso dos anestésicos e as técnicas modernas de sua utilização fizeram da cesariana um procedimento menos arriscado, salvando vidas outrora perdidas (afinal cesáreas bem indicadas podem sim salvar vidas).

Mas a  medicalização excessiva do parto nos anos 60 e 70 levou movimentos de contracultura a exercerem  pressão para o estudo da real necessidade, segurança e efetividade de muitos dos procedimentos estabelecidos como rotina na prática obstétrica diária. Foi assim que nasceu a semente da assistência à “saúde baseada em evidências”.

Em países como a Holanda, o Canadá e a Austrália, o parto domiciliar é um evento não somente reconhecido, como também estimulado pelos seus respectivos sistemas públicos de saúde.

Na Holanda, 20% dos nascimentos acontecem em casa e em total segurança. É o que mostra a pesquisa publicada na revista científica “British Medical Journal”. Realizado por pesquisadores holandeses, o estudo indica que os riscos de complicações severas em partos é de 1 em mil para partos em casa e 2,3 em mil para partos nos hospitais. A pesquisa analisou cerca de 150 mil mulheres na Holanda com gravidez de baixo risco e que deram à luz entre 2004 e 2006. Entre elas, 92.333 tiveram bebês em casa e 54.419 foram atendidas no hospital.

Dr. Lucas Barbosa reforça que para se obter esses índices favoráveis é preciso de um excelente pré-natal. “Essas pesquisas mundiais deveriam orientar investimentos para oferecer mais oportunidades para que as mulheres tenham partos em casa. Estamos ainda longe de oferecer partos domiciliares pelo sistema público de saúde. Mas as mulheres estão transformando pouco a pouco a realidade obstétrica brasileira”.

No Brasil, 97% dos partos são feitos em hospitais, segundo o Ministério da Saúde. Mas cada mulher que pare, assim como eu, em casa, faz um blog, vira doula e a pedra lançada no lago reverbera e aos poucos a realidade se transforma.

Parto Domiciliar com equipe do Sofia

Parto Domiciliar com equipe do Sofia

Sou professora de cursos de doulas em todo o Brasil e acredito que hoje a grande questão do parto domiciliar é no caso de transferência. Quando essa se dá, em tempo hábil e em segurança, muitas mães e bebês sofrem violência obstétrica em decorrência da modalidade de parto encontrar ainda tanto preconceito.

Aqui em BH isso não acontece porque, mesmo com as equipes particulares, encontram excelente aceitação no Hospital Sofia Feldman, fazendo com que os resultados do parto em termos de satisfação e resultado sejam bastante satisfatórios.

E você o que pensa de um Parto Domiciliar?

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