7
out
2016

Um encontro entre SP e BH

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Por: Natalia Ilovatte

Conheci a Kalu em algum post dela no Facebook que foi compartilhado até, por sorte, chegar a mim. Não me lembro do assunto, mas as palavras dela despertaram minha curiosidade. Entrei no blog dela, li o relato do parto que ela teve, fiquei encantada e mandei uma mensagem.

Eu era repórter da editoria feminina de um portal e ela foi uma das minhas entrevistadas em uma matéria sobre parto natural humanizado. Na época, lamentei que ela morasse tão longe. Eu era de São Paulo, ela de Belo Horizonte, mas um dia ficaria grávida e pensei que seria maravilhoso ter um parto natural com a presença da Kalu.

Depois, ainda nos falamos de novo em uma entrevista sobre o trabalho das doulas e ela descreveu o que faz com tanto amor que a conversa me comoveu. Chorei ao telefone porque nunca havia visto alguém falar sobre parir com tanto respeito e amor.

Tempos depois, em uma viagem, conheci meu marido, mineiro que já morava em BH na época. Começamos a namorar, fizemos planos de casar e ter um filho e decidi que trocaria São Paulo por Minas. Quando descobri que estava grávida, já sabia o parto que queria e a doula que me ajudaria nesse momento.

Kalu me acolheu desde as primeiras semanas. Do grupo no Whatsapp para trocar ideias e dividir as sensações da gravidez com outras gestantes, aos esclarecimentos e incentivos para ter o parto que eu quisesse e que me fizesse mais feliz.

Por mais que a gente leia e estude o assunto, quando chega a nossa vez de parir dá um frio na barriga e um medo de não conseguir que vem lá do fundo. Nossa cultura nos faz crer que não somos capazes e Kalu se empenhou para me mostrar que sim, nós somos.

No dia do parto ela chegou trazendo a calma e a segurança que eu precisava. As contrações ainda estavam começando e eu tinha medo de elas nunca ficarem intensas o suficiente. Meu parto foi induzido e eu já estava começando a acreditar que ia para a cesárea quando ela veio me ajudar. Subiu e desceu escadas comigo, pediu um lanche para garantir a energia que eu ia precisar dali para frente, e usou uma canga para movimentar meu quadril. Foi depois disso que tudo começou de verdade e eu descobri o que é uma contração de trabalho de parto.

Quando a dor ficou difícil de suportar eu já não sabia o que fazer, e Kalu era a voz calma que me aconselhava, e também a dona das mãos delicadas que massageavam minha lombar e me traziam o alívio necessário para continuar.

Minutos antes do expulsivo, Kalu me deu um abraço acolhedor que me tranquilizou. A dor do parto faz a gente mergulhar na própria mente e na própria alma e mexer com coisas que estão lá no fundo. Um abraço daquele era tudo o que eu mais precisava, e ela soube me dar sem eu saber pedi-lo.

Quando meu bebê coroou eu estava em pé ao lado da cama, e pari sentada nas pernas dela, que atrás de mim me amparava com uma força que não sei de onde saiu.

Até hoje não encontrei palavras que expliquem o tanto que sou grata a ela por tudo o que fez por mim naquele momento mágico, difícil, visceral e único do parto. Acho que o trabalho da Kalu não é feito só com mãos, palavras e instrumentos, ele envolve também a alma. Ela foi capaz de entender o que eu precisava sem que eu dissesse, quando eu nem conseguia falar. Abraço, calma, massagem, uma vela acesa, incentivo. Em cada momento ela trazia o que era necessário.

Hoje me sinto uma mulher mais forte e poderosa porque vivi tudo isso e tive o apoio dela.

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